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31ª ASPEN – Indústria Automobilística, de Autopeças e da Distribuição Veicular

31ª ASPEN – Indústria Automobilística, de Autopeças e da Distribuição Veicular

Especialistas debatem sobre o futuro do setor e os desafios para a retomada do crescimento da indústria Após mais de um ano de incertezas e desafios relacionados à pandemia da Covid-19, a indústria automobilística, de autopeças e distribuição veicular busca meios de alavancar o retorno do crescimento econômico, geração de emprego e fortalecimento da indústria nacional.

No ano passado, o licenciamento de veículos teve uma queda de mais de 25% no Brasil e a expectativa é de recuperação parcial em 2021, mas ainda com patamares inferiores aos de 2019.

O setor também enfrenta atualmente dificuldades provocadas pela pandemia, como a desestabilização no abastecimento de insumos básicos e tem preocupação com a disponibilidade de semicondutores para a indústria global.

Tendo em vista a retomada da economia no Brasil, uma das medidas defendidas pela indústria para o fortalecimento do setor é a redução do chamado Custo Brasil, conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, econômicas e fiscais que encarecem e comprometem novos investimentos e pioram o ambiente de negócios.

Outra questão apontada para impulsionar a economia nesse mercado é a renovação da frota veicular, a ser iniciada por caminhões, ônibus e implementos rodoviários, levando para a sucata veículos com mais de 25 anos a serem substituídos por veículos mais atualizados, com mais segurança e menos emissões de gases de efeito estufa.

Esses foram alguns temas levantados pelos dirigentes das maiores entidades da Cadeia Produtiva Automobilística Nacional e representante do Governo Federal durante a 31ª ASPEN – Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional com o tema Indústria Automobilística, de Autopeças e da Distribuição Veicular.

Os maiores desafios

O secretário de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, Jorge Luiz de Lima, destacou os três grandes desafios do setor neste momento. Segundo o secretário, um deles é que o governo não conhece o setor produtivo, e vice-versa.

Em segundo lugar, a dimensão e a diversidade do Brasil precisam de uma política integradora e ainda mais forte regionalmente. Em terceiro lugar, está o principal ponto e que mais pesa, que é o Custo Brasil. “São R$1,5 trilhões encarecendo as atividades privadas por ano. Existe uma política no Brasil totalmente distorcida ao longo de 40 anos que colocou o país na posição em que está atualmente. O Brasil não tem competitividade comparado a qualquer outro país mediano que integra a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Precisamos derrubar o Custo Brasil, precisamos atacar a desburocratização e facilitar o crédito, isso faz com o que a cadeia ande. Se não começarmos agora não vamos começar dia nenhum”, afirmou o secretário.

Mudança de comportamento na pandemia

A pandemia impactou diretamente os hábitos do consumidor e também o funcionamento da indústria. A restrição de circulação de pessoas, o ensino e trabalho remoto afetaram o mercado automobilístico.

Além disso, outras mudanças já ocorrem nos últimos anos, com a chegada de plataformas como o Uber e o veículo por assinatura. Luiz Carlos Moraes, presidente da ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, destacou alguns números importantes do setor atualmente.

Com a crise desencadeada pela pandemia do coronavírus, o número de licenciamentos de veículos no Brasil retornou ao número de 2016, com pouco mais de 2.050 licenciamentos. Para 2021, a ANFAVEA trabalha com o cenário de aumento em 15% desse número.

Segundo dados da Associação, automóveis e transportes urbanos foram diretamente afetados pela pandemia, com uma queda substancial devido à diminuição de circulação de pessoas e viagens.

Os automóveis tiveram diminuição de 28,6 no licenciamento e transportes urbanos apresentaram queda de 33,4%. Em contrapartida, caminhões e veículos comerciais leves tiveram um declínio menor, respectivamente 11,5% e 16%. “Atribuímos isso ao fato de que o agronegócio continua ajudando o Brasil, e isso se reflete no setor de caminhões, e o aumento do comércio eletrônico ajudou a amenizar a queda no número de veículos comerciais leves”, disse o presidente da ANFAVEA.

O comportamento do cliente no pós-pandemia e o futuro da indústria foi um dos pontos levantados também por Marcelo Franciulli, o vice-presidente da FENABRAVE – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. “A grande questão é nos adaptarmos ao comportamento do cliente. Quando se fala em hábitos, temos um mundo até 2019 que não vai voltar mais”, afirmou.

Falta de insumos

A falta de semicondutores, que ameaça a indústria automobilística mundial, foi um dos assuntos abordados por George Rugitsky, diretor de Economia do Sindipeças, que explicou que o retorno da indústria aconteceu em V, em que ocorre uma queda acentuada na economia de forma repentina, mas, o retorno da economia ao patamar anterior acontece de maneira muito rápida. “A indústria automobilística parou, e com isso também parou a demanda por semicondutores. Outras indústrias que consomem esse produto continuaram crescendo e a produção foi desviada. No retorno em “V” da indústria automobilística, não existe mais disponibilidade de semicondutor”, afirmou.

A situação é tão delicada que existe indícios de que o problema não será equacionado ao longo deste ano, talvez seja solucionada no ano que vem, uma vez que os investimentos necessários para aumento de capacidade são bilionários e demandam tempo.

Mas a visão do setor continua sendo positiva mesmo diante das transformações provocadas pela pandemia e dos desafios que precisam ser vencidos.

Websérie – Todos os episódios da Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional estão disponíveis no canal do Instituto Besc de Humanidades e Economia no YouTube.

O evento online acontece mensalmente, sempre às terças-feiras, a partir das 17h (horário de Brasília), aberto ao público e pelo mesmo canal. Acompanhe a agenda de debates por meio dos perfis da organização no LinkedIn e Facebook.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Paulo Menzel

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