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A reciclagem do lixo, economia e geração de renda no Brasil

A reciclagem do lixo, economia e geração de renda no Brasil

O Brasil tem mais de 14 milhões de desempregados. Diante de uma taxa de 14,7% do total da população sem emprego – a maior da série histórica medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, a pandemia do novo coronavírus escancarou algo que acontece sempre que os índices estão altos: a necessidade de mais pessoas recorrerem ao lixo reciclável para fazer alguma renda e driblar a crise. É o que se vê, por exemplo, nas ruas de Porto Alegre.

Os catadores recorrentes e as cooperativas de lixo têm sentido o aumento da concorrência ocasionada pelos catadores eventuais. Em algumas regiões da Capital onde antes não se percebia tanto o movimento de catadores e carrinheiros, o trabalho informal agora se intensificou.

Porém, se por um lado o lixo reciclável descartado nas residências representa um socorro para esses catadores eventuais, que não conseguem uma colocação formal de emprego ou que perderam outras oportunidades de trabalho informal devido à pandemia, por outro o “desvio” desse lixo reduz a renda dos recicladores que atuam nas cooperativas de reciclagem mantidas pela prefeitura e têm no lixo sua única fonte de renda.

São pessoas com carros de passeio, vans a até mesmo caminhões, que antes de os veículos oficiais da coleta seletiva passarem, recolhem das ruas o material descartado por condomínios e residências.

Além disso, embora, a coleta seletiva atenda todas as ruas que o caminhão consegue acessar, o percentual de reciclagem é considerado muito baixo: apenas 6% do lixo recolhido todos os dias pelo poder público nas vias da cidade.

Isso não seria um problema, se houvesse conscientização da população. Parte do lixo seco recolhido em Porto Alegre não pode ser aproveitado e fazer a economia girar porque é descartado de forma incorreta. São milhares de embalagens plásticas, longa vida, papel, vidro, garrafas plásticas descartados diariamente com o lixo orgânico – restos de comida, papel higiênico, cascas de frutas etc.

Ou seja, são produtos recicláveis que poderiam estar indo para as cooperativas ou catadores autônomos, garantindo mais renda para quem vive do lixo. Assim, para que todos saiam ganhando, a população tem que entender o seu papel no processo, separando corretamente o lixo e, por consequência, contribuindo para que o cenário de pobreza diminua. Além de contribuiur para o meio ambiente, evitando que mais lixo vá para o aterro santiário.

Fonte: Jornal do Comércio – RS

Paulo Menzel

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