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A inflação do Transporte Rodoviário de Cargas ultrapassa 30% em 15 meses

A inflação do Transporte Rodoviário de Cargas ultrapassa 30% em 15 meses

O aumento do diesel é apenas a face mais visível da elevação dos custos operacionais

Ainda que totalmente estruturado na iniciativa privada e na livre concorrência, o transporte de cargas tem experimentado duros reflexos durante a pandemia. A maneira desordenada com que o sistema produtivo vem se restabelecendo da crise sanitária, atingiu diretamente a relação “oferta x demanda” no que tange aos serviços logísticos, aviltando negociações, contratos e tarifas, em condições tais, que agora ameaçam a sobrevivência das empresas do setor.

Em matéria publicada pela Agência Brasil, o especialista em políticas e indústria da CNI, Matheus de Castro, destaca que no transporte de cargas, setor normalmente competitivo, a redução do preço do frete funciona como instrumento de concorrência entre as empresas. Os estudos da CNI evidenciam a necessidade da recomposição das tarifas de fretes.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística, através de seu Departamento de Estudos (DECOPE), aponta o tamanho dos aumentos durante a pandemia:

• O óleo diesel subiu 49,7 %, (o combustível representa 46,08% dos custos operacionais)
• Os juros básicos (SELIC) subiram de 2% para 8,5%(projeção para outubro/21)
• Os spreads bancários também subiram cerca de 2 pontos percentuais
• Os preços de caminhões e implementos rodoviários subiram mais de 50%
• A inflação setorial superou 30% no período

Em meio a todas estas elevações, atuam transportadoras e operadores logísticos submetidos a uma cadeia de suprimentos regida por monopólio (combustíveis) ou oligopólios (pneus, caminhões e implementos rodoviários), não deixando margem a negociações de um livre mercado.

Por outro lado, os tomadores de serviços têm imposto BID’s frequentes, além de alongar os prazos de pagamentos, reduzindo ainda mais a liquidez do setor.

Como Entidade Empresarial cumpre-nos alertar os Transportadores e Operadores Logísticos sobre as seguintes providências a serem adotadas perante ao mercado, como forma de manter nossa atividade:

1- Que se ajuste os prazos de pagamento dos serviços aos ciclos financeiros efetivos das operações.
2- Que o custo real de financiamento para renovação das frotas seja incorporado às planilhas
3- Que os contratos de prestação de serviços contenham cláusula de recomposição imediata das tarifas em função da variação do preço do diesel

O Sistema FETRANSUL reforça a compreensão das forças produtivas do RS que a logística é o elo fundamental ao bom desenvolvimento de todas as cadeias produtivas. E esta atividade só se manterá eficiente se houver um relacionamento justo e equilibrado entre os embarcadores e os operadores do setor.

Paulo Menzel

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