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Boeing 737 MAX: até agora, um grande fracasso

Boeing 737 MAX: até agora, um grande fracasso

O Boeing 737 MAX é, potencialmente, um dos maiores fracassos tecnológicos e comerciais de todos os tempos.

Anunciado como um avião revolucionário em termos de tecnologia aeronáutica e de custo operacional, fez seu primeiro voo comercial em 2017; 387 unidades foram entregues às companhias aéreas e outras 400 já estão prontas, aguardando entrega – parecia ser um sucesso também em termos comerciais. A brasileira Gol está entre as compradoras.

Rumores dão conta que a Boeing tomou medidas pouco convencionais para conseguir a rápida liberação do MAX pelas autoridades aeronáuticas americanas, de forma a poder competir com o Airbus A320neo, que chegou ao mercado nove meses à frente do modelo da Boeing.

Mas, dois acidentes muito parecidos, acontecidos em outubro de 2018 e em março de 2019, que mataram 648 pessoas, levaram a uma proibição do avião continuar voando; os MAX haviam feito 500 mil voos e os dois acidentes fizeram com que a taxa de acidentes para cada milhão de voos ficasse em 4, um número muito alto em relação às gerações anteriores do Boeing 737, que têm uma taxa de 0.2 acidentes a cada milhão de voos.

Investigações apuraram que problemas de projeto, de componentes e de software faziam com que em determinadas situações o avião mergulhasse abruptamente, muitas vezes impedindo que os pilotos conseguissem retomar o controle.

Depois que a Boeing afirmou ter resolvido todos esses problemas, as autoridades aeronáuticas americanas estão liberando o avião, que fez voos de teste em meados deste ano. As autoridades europeias informam que provavelmente adotarão postura semelhante nas próximas semanas.

Além da perda de vidas, os problemas com o MAX e a quase paralisação do tráfego aéreo durante a pandemia, geraram imensos prejuízos à Boeing, que acabou demitindo mais de 30 mil empregados.

Apesar da liberação, ainda há muitos afirmando que é impossível corrigir os erros no projeto do avião e que novos acidentes ocorrerão a despeito das medidas tomadas. Esperamos que estejam errados.

Em tempos de pandemia, é impossível que não surja uma dúvida: será que grandes companhias estão tomando medidas pouco convencionais, similares às tomadas pela Boeing, para conseguir a rápida liberação de vacinas? Esperamos que não.

Por: Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Paulo Menzel

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