Por DANIEL LIMA

ECOnomista, Colunista do BLOG da SNW

A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), em parceria com a MRST Consultoria e pesquisadores da USP, conduziu um estudo inédito sobre os impactos da micro e mini geração distribuída (MMGD) no sistema elétrico brasileiro. Utilizando dados reais do Banco de Dados Georreferenciado da Distribuição (BDGD), o trabalho trouxe transparência e rigor estatístico a um debate frequentemente marcado por percepções equivocadas.

Metodologia

Principais Resultados

Benefícios da GD

O mito da inversão de fluxo

Casos críticos são exceção

A solução é tecnológica

Impactos Econômicos e Ambientais

Este estudo marca um divisor de águas no debate sobre geração distribuída. Ele comprova, com dados reais e metodologia robusta, que a GD é uma aliada estratégica para o sistema elétrico brasileiro. Mais do que um negócio, é uma política de eficiência, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.

Verdades (que incomodam a alguns)

Redução de perdas técnicas (até 3,7%)

Estudos da ABGD mostram que a GD reduz perdas técnicas em redes de média tensão em até 3,7%. Essas perdas representam energia que seria desperdiçada. Considerando que o Brasil consome cerca de 600 TWh/ano, uma redução de 3,7% equivale a aproximadamente 22 TWh/ano. Em termos monetários, ao preço médio de R$ 250/MWh, isso significa cerca de R$ 5,5 bilhões/ano em economia para o sistema.

Adiamento de investimentos em reforço de rede

A GD permite postergar obras caras de expansão e reforço da rede. Segundo a ABGD, distribuidoras conseguem adiar investimentos bilionários, pois a geração próxima à carga reduz a necessidade de novos transformadores e linhas. Embora não haja um valor único consolidado, estimativas apontam que o adiamento pode representar economia de R$ 2 a 4 bilhões/ano em CAPEX das distribuidoras.

Impacto no PIB

Cada R$ 1,00 investido em GD adiciona R$ 1,60 ao PIB. Desde 2012, os investimentos em GD já superaram R$ 217 bilhões, resultando em cerca de R$ 347 bilhões de impacto positivo no PIB. 

CO₂ evitado desde 2012

A energia solar, principal fonte da GD no Brasil, já evitou 57 milhões de toneladas de CO₂ desde 2012. Isso equivale às emissões anuais de aproximadamente 40 milhões de carros.

Os números mostram que a GD não é apenas uma solução técnica, mas um motor econômico e ambiental:

Empregos gerados pela GD

A energia solar fotovoltaica, principal fonte da GD no Brasil, já gerou mais de 1,6 milhão de empregos desde sua implementação. Só entre 2024 e 2025 foram criados aproximadamente 500 mil novos postos de trabalho. Esses empregos abrangem toda a cadeia: instalação, manutenção, fabricação de equipamentos, engenharia, consultoria e serviços associados.

Micro e pequenas empresas na cadeia produtiva

A GD é altamente pulverizada: em maio de 2025, o Brasil já contava com 3,9 milhões de sistemas instalados, beneficiando 7,1 milhões de consumidores. Essa expansão é sustentada por milhares de micro e pequenas empresas que atuam em instalação, comercialização de equipamentos, serviços de engenharia e manutenção.

Embora não haja um número oficial consolidado de empresas, estima-se que a maioria dos integradores e prestadores de serviço sejam MPEs, dada a natureza descentralizada e regional da GD.

Crédito: Daniel Lima
Crédito: Daniel Lima

A GD não só reduz perdas e CO₂, mas também é um motor de geração de empregos e fortalecimento das MPEs. Ela democratiza o setor elétrico, criando oportunidades locais e distribuídas em todo o país.

Crédito: Daniel Lima
Crédito: Daniel Lima

A GD não só gera empregos em escala nacional, mas também fortalece micro e pequenas empresas regionais, criando oportunidades locais e descentralizadas. O impacto é diferenciado por região, mas em todas elas a GD se mostra como vetor de desenvolvimento econômico e social.

Impactos da GD na Transição Energética

Papel dos BESS (Battery Energy Storage Systems)

Crédito: Daniel Lima
Crédito: Daniel Lima

O estudo da ABGD mostra que a Geração Distribuída não é apenas uma alternativa, mas uma revolução silenciosa que já está em curso. Ao lado dos sistemas de armazenamento, ela redefine o papel do consumidor, fortalece a economia e acelera a transição energética. E como canta Evando Mesquita com sua Blits, o Brasil não está a “dois passos do paraíso” — já está trilhando o caminho para chegar lá.

Daniel Lima 

Empresário | Diretor Executivo da AGROSOLAR Investimentos Sustentáveis

Presidente | ANESOLAR (Associação Nordestina de Energia Solar)

Vice-Presidente | ARMAZENE (Associação Brasileira de Armazenamento de Energia)

https://www.gruposnw.com.br/post/gera%C3%A7%C3%A3o-distribu%C3%ADda-no-brasil-verdades-e-mentiras

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