Na abertura da feira, presidente contestou críticas ao setor e defendeu agronegócio nacional
Mauren Xavier

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à Feira Industrial de HanôverFoto : Ricardo Stuckert / Divulgação / CP
Ficou evidente nas manifestações públicas do presidente Lula em Hannover o esforço para reduzir as resistências alemãs ao uso de biocombustíveis.
Na abertura da feira, o presidente defendeu o agronegócio nacional e contestou críticas ao setor, que relacionariam falta de alimentos e combustíveis não fósseis. Já na inauguração do estande brasileiro, em tom de provocação, afirmou que demonstraria a eficácia do combustível em veículos alemães, posando para fotos junto a um caminhão da Mercedes que utiliza a tecnologia. O tema voltou a ganhar força, com tom mais incisivo, durante o Encontro Empresarial Brasil-Alemanha.
Ele apelou para que os alemães não acreditem em desinformação envolvendo o agronegócio e a produção de biocombustíveis. Lula ainda afirmou que eles não devem acreditar em “mitos” e que a produção de alimentos não será prejudicada. E, caso acreditem, fez um convite para que conheçam o Brasil.
“Ninguém come diesel ou gasolina. As pessoas comem comida”, enfatizou, para, em seguida, afirmar que o país sabe desenvolver os dois setores. “Qualquer dúvida que tenham sobre o Brasil, sobre os biocombustíveis, transição energética, não se deixem seduzir pela primeira opinião”, assinalou.
Na coletiva à imprensa, Lula enfatizou a necessidade de combater o preconceito “que se tenta colocar no combustível renovável produzido pelo Brasil”. Ao Correio do Povo, disse que a defesa desse produto é uma forma de defesa da soberania nacional.
O chanceler alemão Friedrich Merz, em diversas oportunidades, enalteceu as medidas de diversificação da matriz energética no Brasil, como estudos e práticas relacionadas aos biocombustíveis. E também enalteceu as possibilidades que podem vir para o futuro. E chegou a falar que houve avanço para discutir as “tecnologias do futuro”, citando os biocombustíveis e a redução das emissões de CO2. “Isso demonstra que podemos aprender com o Brasil”, destacou o chanceler.
Porém, ao ser questionado pelo Correio do Povo sobre uma ação efetiva na área envolvendo o Brasil, o chanceler disse apenas que o Brasil é um exemplo viável. “Minha convicção é que política não deve simplesmente determinar uma tecnologia só como a do futuro. Essa é uma tarefa para a pesquisa, a ciência e para a indústria. Então, tenho grande respeito pela abordagem do governo brasileiro do que já conseguem fazer”, finalizou. Hoje o presidente segue para Portugal e encerra a missão à Europa.
