Da digitalização de processos à cultura orientada por dados, setor acelera adoção tecnológica para enfrentar gargalos logísticos e aumentar competitividade global


Imagem: Divulgação

A transformação digital deixou de ser tendência para se tornar uma necessidade estratégica no setor de logística marítima. Pressionado por custos operacionais elevados, volatilidade nas cadeias globais e exigências crescentes por transparência e sustentabilidade, o segmento vem acelerando a adoção de tecnologias digitais. Segundo a UNCTAD (2023), mais de 80% do comércio global em volume passa pelo transporte marítimo, o que amplia o impacto de ganhos de eficiência no setor.

De acordo com  o relatório da McKinsey & Company (2024), empresas de logística e transporte que investem em digitalização podem reduzir custos operacionais em até 20% e melhorar a eficiência em até 30%. Nesse cenário, a transformação digital no shipping pode ser estruturada em cinco etapas principais, que vão desde a implantação até a gestão contínua das soluções.

  1. Digitalização de processos operacionais

O primeiro passo envolve a substituição de processos manuais por sistemas digitais, como documentação eletrônica (e-BL), automação de terminais e uso de plataformas integradas de gestão. A digitalização reduz erros, acelera operações e melhora a rastreabilidade das cargas.

Dados de 2024 da Digital Container Shipping Association (DCSA) indicam que a adoção do conhecimento de embarque eletrônico (e-BL) pode reduzir o tempo de processamento de documentos de dias para poucas horas, além de diminuir custos administrativos em até 50%.

“A digitalização é a base de toda a transformação na logística marítima. Sem dados estruturados e processos automatizados, não há como avançar para níveis mais sofisticados de inteligência operacional”, afirma Marcos Silva, CIO da Datamar e especialista em tecnologia para logística marítima.

  1. Integração de sistemas e dados

Após digitalizar processos, o desafio passa a ser integrar diferentes sistemas – portos, armadores, terminais e operadores logísticos – em uma cadeia conectada. Plataformas baseadas em APIs e sistemas em nuvem têm papel central nessa etapa.

Segundo a IBM (2024), empresas com alto nível de integração digital têm 2,5 vezes mais chances de obter ganhos significativos em eficiência operacional.

“O setor marítimo, historicamente, operou de forma fragmentada. A integração de dados é o que permite visibilidade ponta a ponta e decisões mais rápidas e assertivas”, destaca o especialista.

  1. Uso de analytics e inteligência artificial

Com dados integrados, empresas passam a utilizar analytics avançado e inteligência artificial para prever demandas, otimizar rotas e reduzir riscos. Ferramentas preditivas ajudam a minimizar atrasos e melhorar a alocação de recursos.

O Relatório da Deloitte (2024) aponta que o uso de IA na logística pode reduzir custos de transporte em até 15% e aumentar a precisão das previsões de demanda em mais de 20%. “A inteligência artificial permite antecipar gargalos e simular cenários complexos, algo essencial em um ambiente tão dinâmico quanto o shipping”, explica o CIO da Datamar.

  1. Cibersegurança e governança de dados

Com o aumento da digitalização, cresce também a exposição a riscos cibernéticos. Investir em segurança da informação e governança de dados é uma etapa crítica para garantir a confiabilidade das operações.

De acordo com a Clarksons Research (2024), ataques cibernéticos ao setor marítimo aumentaram mais de 20% nos últimos anos, reforçando a necessidade de proteção robusta. “A transformação digital precisa caminhar lado a lado com a segurança. Um sistema vulnerável pode comprometer toda a cadeia logística”.

  1. Cultura digital e gestão contínua da inovação

A última etapa envolve a consolidação de uma cultura organizacional orientada à inovação e ao uso de dados. Isso inclui capacitação de equipes, revisão de processos e adoção de metodologias ágeis.

Segundo a PwC (2024), empresas que investem em cultura digital têm 1,8 vez mais chances de obter retorno significativo sobre os investimentos. “Tecnologia sem mudança cultural não sustenta transformação. É preciso preparar pessoas para operar, interpretar e evoluir junto com os sistemas”, conclui.

Conclusão

Portanto, com o avanço das tecnologias e a pressão por eficiência e sustentabilidade, a transformação digital no shipping tende a se intensificar nos próximos anos. Por isso, a digitalização completa da cadeia logística marítima não apenas reduz custos e aumenta a produtividade, mas também fortalece a resiliência do comércio global diante de crises e disrupções.

Sobre Marcos Silva

Marcos Silva é especialista na aplicação estratégica de tecnologia ao setor de logística marítima e comércio exterior. Como Chief Information Officer (CIO) da Datamar, lidera iniciativas voltadas à transformação digital, ao uso estruturado de dados e à incorporação de inteligência artificial em processos de análise e apoio à decisão. Com atuação focada na tradução de tecnologias emergentes em soluções concretas para o mercado de shipping, Marcos tem como objetivo a geração de eficiência operacional, previsibilidade e inteligência de mercado para empresas de navegação, terminais portuários, tradings e indústrias exportadoras. Também está à frente de projetos como o DatamarLab, que conecta tecnologia, logística e academia, e o DataSmart Shipping, conferência voltada à discussão de tendências e inovação no setor. Saiba mais: www.mprlsilva.com | linkedin.com/in/mprlsilva


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Fábio Malvezzi
fabio@fibracomunicacao.com
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