
Por Clóvis Garcez Magalhães
Estamos diante de uma discussão necessária e urgente sobre o futuro ferroviário do país e, especialmente, sobre os impactos dessa agenda no Rio Grande do Sul. O que hoje se observa é um movimento do governo federal, manifestado recentemente pelo ministro dos Transportes em entrevistas aos meios de comunicação, apresentando alternativas e estudos ferroviários como se houvesse ampla participação dos estados diretamente envolvidos. Isso não corresponde à realidade.
Os estudos que vêm sendo divulgados são conduzidos em âmbito federal e não têm contado com participação efetiva dos estados subnacionais. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, todos diretamente impactados por qualquer rearranjo da política ferroviária nacional, precisam ter acesso integral a essas informações e espaço concreto para apresentar contribuições técnicas e estratégicas.
O tema é grave porque diz respeito a um setor estruturante para a competitividade econômica e para a logística nacional. No Rio Grande do Sul, convivemos há anos com o abandono da malha ferroviária e com uma concessionária que opera sob um modelo evidentemente esgotado, diante da omissão de um poder concedente que não conseguiu assegurar investimentos, recuperação e expansão adequados.
O resultado é conhecido: trechos degradados, baixa capacidade operacional e perda de competitividade para setores produtivos essenciais ao desenvolvimento regional.
Não é admissível que decisões dessa magnitude avancem sem diálogo federativo consistente. Tampouco é razoável a convocação de audiências públicas sem compartilhamento prévio de informações e sem oportunidade real para colaboração dos estados.
O que está em debate não é apenas infraestrutura. Trata-se do respeito ao pacto federativo e à autonomia dos estados na defesa de seus interesses econômicos e logísticos.
Por isso, é fundamental ampliar esse debate. A sociedade gaúcha, os setores produtivos, as federações empresariais e as representações parlamentares precisam acompanhar de perto essa discussão e exigir transparência, participação e respeito institucional.
O desenvolvimento ferroviário brasileiro não pode ser construído por imposição. Precisa nascer do diálogo, da cooperação e do reconhecimento das necessidades locais e regionais. O Rio Grande do Sul exige ser ouvido.
Secretário de Logística e Transportes
https://estado.rs.gov.br/o-futuro-do-rs-exige-dialogo-sobre-ferrovias
