Em um mercado que cresce mesmo sob pressão, empresas que ainda não migraram para o ambiente de contratação livre correm o risco de perder competitividade. Especialista explica o porquê.
Quase metade de toda a eletricidade consumida no Brasil já é negociada fora das distribuidoras. São mais de 85 mil empresas que trocaram a tarifa fixa pela liberdade de escolher fornecedor, prazo e fonte de energia e que, com isso, ganharam previsibilidade, autonomia e, na maioria dos casos, redução real de custos. Para Tiago Fassbinder, gestor de consumidores da Spirit Energia, a pergunta que todo empresário deveria estar fazendo não é mais se vale a pena migrar para o Mercado Livre de Energia, mas quando e como fazer isso da forma certa.
Em 2025, o mercado livre registrou a adesão de mais de 21,7 mil novos consumidores, totalizando aproximadamente 85 mil participantes e respondendo por cerca de 43% de toda a eletricidade consumida no Brasil, segundo dados da CCEE. O crescimento no primeiro semestre do ano foi de 26%, e setores como serviços, comércio e indústria lideraram as adesões. “O mercado livre não é uma aposta, é uma realidade consolidada que já responde por quase metade de toda a energia consumida no país. Empresas que ainda não avaliaram essa possibilidade estão, na prática, deixando dinheiro na mesa todos os meses”, afirma Fassbinder.
O momento atual: desafio para quem age sozinho, oportunidade para quem tem assessoria
O cenário de 2026 trouxe pressão de preços no setor. Dados da CCEE ainda mostram que as migrações recuaram 32,3% no bimestre de janeiro e fevereiro em comparação ao mesmo período de 2025, influenciadas pela alta nos preços de energia e por mudanças regulatórias.
Para Fassbinder, porém, esse cenário não significa que o Mercado Livre perdeu atratividade. Significa que ele ficou mais seletivo e que escolher o momento certo e o contrato adequado faz toda a diferença. “O mercado livre amadureceu. Quem entrou nos últimos dois anos sem uma análise criteriosa está sentindo mais o impacto das mudanças agora. Já os nossos clientes, que passaram por um processo estruturado de avaliação antes de migrar, seguem colhendo os benefícios. A diferença está no planejamento, não no mercado em si”, explica o especialista.
Dados da ANEEL confirmam que o interesse pelo ambiente livre segue relevante: pelo menos 7 mil cargas já comunicaram às distribuidoras a intenção de migrar ao longo de 2026, sinalizando que o mercado continua em movimento, mesmo em um ambiente mais seletivo.
Por que migrar para o Mercado Livre?
Além da economia direta na conta de energia, o Mercado Livre oferece benefícios estratégicos que impactam a competitividade do negócio:
- Previsibilidade orçamentária: contratos de médio e longo prazo permitem planejamento financeiro sem surpresas de bandeiras tarifárias
- Autonomia na compra: a empresa escolhe o fornecedor, o prazo e a fonte, incluindo renováveis como eólica e solar
- Alinhamento ESG: a contratação de energia limpa fortalece a agenda de sustentabilidade, cada vez mais exigida por investidores e parceiros comerciais
- Contratos personalizados: as condições são negociadas conforme o perfil de consumo de cada empresa, algo impossível no mercado regulado
“Quando um empresário percebe que pode travar o preço da energia por dois ou três anos, sem bandeira tarifária e ainda optando por fonte renovável, o olhar muda completamente. A energia deixa de ser um custo fixo incontrolável e passa a ser uma alavanca de gestão”, destaca Fassbinder.
O horizonte regulatório reforça a urgência de se preparar
A Lei 15.269/2025 estabeleceu novos prazos para a abertura total do Mercado Livre. A partir de novembro de 2027, consumidores industriais e comerciais de baixa tensão poderão migrar. Em novembro de 2028, será a vez dos consumidores residenciais. “O Brasil está em uma janela de transformação irreversível no setor elétrico. Quem se preparar agora vai chegar à abertura total em uma posição muito mais confortável, com contratos bem estruturados, equipe alinhada e processos rodando. Quem esperar vai disputar espaço em um mercado muito mais cheio e competitivo”, alerta Fassbinder.
Hoje, podem migrar todas as empresas conectadas em média ou alta tensão (Grupo A), independentemente do porte, uma abertura que, desde janeiro de 2024, incluiu pequenas e médias empresas que antes não tinham acesso ao ambiente livre.
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Nathália Heidorn
Jornalista
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