A adoção de caminhões movidos a gás natural veicular pelas operadoras logísticas, por exemplo, revela uma mudança onde sustentabilidade e resultado financeiro deixaram de ser pautas paralela

Durante anos, o debate sobre frotas mais limpas no transporte de cargas ficou confinado aos relatórios de sustentabilidade, importante para a imagem, mas distante das reuniões onde o orçamento é decidido. Esse divórcio entre responsabilidade ambiental e racionalidade de negócio está sendo superado. Uma pesquisa da Amcham Brasil mostrou que 71% das empresas brasileiras já implementam ou iniciaram práticas ESG e a tecnologia GNV dentro do setor de logística é um dos exemplos mais concretos dessa virada.

Operadoras logísticas de diferentes portes estão ampliando suas frotas de caminhões movidos a gás natural veicular não como concessão ao discurso verde, mas como resposta simultânea a dois imperativos que, na prática, se tornaram inseparáveis: reduzir custos operacionais e fortalecer o posicionamento competitivo num mercado que passou a valorizar, e em muitos casos a exigir, compromissos ambientais verificáveis.

“A gente parou de tratar ESG e resultado como gavetas diferentes”, afirma Jean Carlos Rocha, CEO da ELO Soluções Logísticas. “Quando você investe em uma frota a GNV, está tomando uma decisão que melhora sua margem, reduz emissões e ainda abre portas em concorrências que antes eram inacessíveis. Isso não é coincidência. É o que acontece quando a estratégia de sustentabilidade é desenhada junto com a estratégia de negócio.”

A matemática do GNV é direta: o combustível custa, em média, entre 30% e 40% menos do que o diesel, dependendo da região e do volume contratado. Em operações com alto índice de quilometragem mensal, o que é intrínseco à logística, essa diferença representa milhões de reais ao longo de um contrato. Mas o argumento financeiro, sozinho, conta apenas metade da história.

A outra metade está no que essa escolha comunica ao mercado. Grandes embarcadores, indústrias, varejistas e distribuidoras que terceirizam a logística, passaram a incluir critérios ambientais em seus processos de seleção de fornecedores. 

“O cliente de alto valor quer saber o que você está fazendo pelo planeta antes de saber quanto você cobra pelo frete e quando você mostra que sua operação é mais limpa e ainda é mais eficiente em custo, a conversa comercial muda de patamar. Você deixa de competir só por preço e passa a competir por valor”, explica Rocha.

Um dos benefícios menos discutidos da adoção do GNV é a estabilidade que ele traz ao planejamento, tanto financeiro quanto ambiental. Essa estabilidade tem impacto direto nas propostas comerciais, onde operadoras que conhecem melhor seu custo de combustível precificam com mais precisão, protegem a margem e apresentam condições mais competitivas sem incorrer em risco desnecessário. Ao mesmo tempo, a previsibilidade das emissões permite que essas empresas construam metas de descarbonização críveis, com dados reais, não estimativas, o que fortalece o relatório ESG e, por consequência, a reputação junto a investidores, parceiros e clientes.

“Previsibilidade é um ativo estratégico em duas dimensões. No balanço, porque você sabe o que vai gastar. No relatório de sustentabilidade, porque você sabe o que vai emitir. Quando as duas previsibilidades andam juntas, o negócio fica mais robusto e a narrativa ESG fica mais honesta”, analisa o CEO.

O que o movimento em torno do GNV revela, é uma reconfiguração do que significa ser competitivo na logística. Não basta ser eficiente na operação ou agressivo no preço. É preciso demonstrar que a empresa é capaz de crescer de forma responsável e que esse crescimento responsável se traduz em resultados concretos para o cliente. As operadoras que entenderam essa lógica estão construindo um modelo em que a agenda ambiental não compete com a agenda de negócio. Ela a potencializa.

“Dar esse passo e começar a implantar esse tipo de veículo agora é o que pode nos tornar ainda mais competitivos em dois, três anos. Hoje, quando um cliente nos escolhe, ele sabe que está contratando uma operação que está acelerando para ser ainda mais eficiente e responsável. Essas duas coisas juntas é o que o mercado vai exigir de toda operadora nos próximos anos” conclui Jean Carlos Rocha. 


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Jeniffer Massera
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