
Prefeito de Itaqui, Leonardo Betin apontou entraves como a falta de duplicação da rodovia BR-290
Dani Barcellos/especial/JC

Gabrieli Silva
Às margens do Rio Uruguai, o município de Itaqui se consolida como um dos polos do agronegócio gaúcho, com protagonismo na produção e beneficiamento de grãos, especialmente o arroz. A cidade ocupa posição estratégica no corredor logístico do Mercosul, conectando o interior do Rio Grande do Sul a mercados internacionais.
Apesar desse potencial, a infraestrutura — sobretudo rodoviária — ainda não acompanha o ritmo da produção. A rodovia BR-290, eixo central de escoamento da região, concentra críticas recorrentes de lideranças locais, que apontam problemas de manutenção, demora nas obras e falta de priorização nos investimentos federais.
Em debate com gestores públicos de cidades da Fronteira Oeste Oeste do Estado, realizado em maio na Federasul, o prefeito de Itaqui, Leonardo Betin (PL), detalhou os principais entraves. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, ele analisa o impacto direto da rodovia no desenvolvimento econômico da região.
Jornal do Comércio: A BR-290 hoje atende à demanda logística da região?
Betin – Ela atende, mas com muitas limitações. A BR-290 é um corredor estratégico não só para a Fronteira Oeste, mas para o Brasil, porque conecta o país a mercados do Mercosul. O problema é que a rodovia não acompanha o crescimento da produção. A gente produz cada vez mais, mas enfrenta dificuldades para escoar.
Jornal do Comércio – Quais são os principais problemas da rodovia?
Leonardo Betin – O principal é o déficit de investimento em infraestrutura. Isso aparece tanto na manutenção quanto na execução das obras. A estrada apresenta fragilidades, e isso se agrava com eventos climáticos, como enchentes e estiagens, que têm sido frequentes na região.
JC – A duplicação da BR-290 é a principal demanda?
Betin – Sim, é um gargalo importante. Existem trechos em andamento, mas o prazo é muito longo. Se considerarmos o período de 2014 a 2029, são 15 anos para uma obra estratégica. Isso acaba desestimulando investimentos, porque quem pensa em investir não pode esperar tanto tempo.
JC – A questão é falta de recurso ou de prioridade?
Betin – As duas coisas. Percebemos que o orçamento muitas vezes já começa deficitário e precisa de suplementações ao longo do ano. Isso mostra uma dificuldade estrutural. Mas também existe uma questão de prioridade: a BR-290 precisa ser tratada como obra estratégica número um, porque ela impacta diretamente a economia regional e nacional.
JC – Qual o impacto disso para Itaqui e a região?
Betin – Impacta diretamente o desenvolvimento. Itaqui é um dos maiores polos de beneficiamento de grãos da América, e toda a região da Fronteira Oeste tem protagonismo no agronegócio. Mas, sem infraestrutura adequada, esse potencial fica limitado. Investidores acabam olhando para outras regiões que oferecem melhores condições logísticas.
JC – Esse cenário afeta a competitividade do Estado?
Betin – Sem dúvida. O Rio Grande do Sul vem perdendo protagonismo ao longo dos anos justamente pela falta de investimentos em infraestrutura. Se não houver um olhar mais atento do governo federal, a tendência é que isso se agrave.
JC – Existe alguma alternativa enquanto a duplicação não avança?
Betin – Sim. Já defendemos que, em alguns trechos, a implantação de terceiras faixas poderia ser uma solução mais rápida e de menor custo. Isso ajudaria a melhorar a fluidez e a segurança enquanto a duplicação completa não acontece.
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