Por Daniel Lima – ECOnomista e Especialista em Soluções Energéticas

O Brasil está sentado sobre um tesouro energético: 47 GW de geração distribuída, espalhados em telhados solares e pequenas usinas. Mas esse tesouro tem sido mal aproveitado.

Durante o dia, produzimos energia limpa em abundância; à noite, recorremos às velhas térmicas a gás e carvão. Temos sol de sobra, mas falta energia justamente quando mais precisamos.

Nosso tradicional armazenamento hídrico, que por décadas garantiu segurança energética, já não consegue atender plenamente os picos de demanda noturna.

O curtailment – desperdício de energia por falta de consumo ou capacidade de armazenamento – cresce a cada ano. O SIN (Sistema Interligado Nacional) mostra sinais claros de rigidez: não consegue se adaptar ao novo perfil da geração renovável. Onde deveria haver flexibilidade, há engessamento.

A solução é clara: Battery Energy Storage Systems (BESS). Com políticas públicas bem desenhadas, o Brasil poderia implantar rapidamente um sistema distribuído superior a 20 GWh, apenas aproveitando os telhados solares já existentes.

Imagine milhões de casas com baterias residenciais: Guardando a energia solar do dia para iluminar a noite. Reduzindo a necessidade de térmicas caras e poluentes.

Tornando comunidades mais resilientes contra apagões. Estimulando a indústria nacional de baterias e veículos elétricos. A Austrália já mostrou o caminho.

Com subsídios a baterias residenciais e regras simples de integração, milhões de famílias conquistaram independência energética.

O Brasil, com potencial solar ainda maior, pode ir além e se tornar referência mundial em armazenamento distribuído. O Estado precisa agir como catalisador dessa transformação. Isso significa transformar este assunto em políticas públicas, como: Criar linhas de crédito acessíveis para aquisição de baterias. Estabelecer regulamentação clara e padronizada para integração ao SIN.

Oferecer incentivos fiscais à produção nacional de sistemas de armazenamento. Estruturar programas comunitários de baterias compartilhadas.

O Brasil está diante de uma encruzilhada histórica. Podemos continuar desperdiçando energia limpa e barata, presos à dependência de fósseis, ou podemos virar a chave e inaugurar uma nova era de independência energética.

O armazenamento não é luxo, é necessidade. Sem ele, a energia solar e eólica são apenas metade da solução. Com políticas públicas robustas, podemos transformar nosso potencial renovável em um sistema elétrico moderno, flexível e resiliente.

O futuro já está brilhando nos nossos telhados. Falta apenas coragem política para garantir que essa luz não se apague ao cair da noite.

https://www.linkedin.com/posts/daniel-lima-72190028_%F0%9D%97%94%F0%9D%97%BF%F0%9D%97%BA%F0%9D%97%AE%F0%9D%98%87%F0%9D%97%B2%F0%9D%97%BB%F0%9D%97%AE%F0%9D%97%BA%F0%9D%97%B2%F0%9D%97%BB%F0%9D%98%81%F0%9D%97%BC-%F0%9D%97%B1%F0%9D%97%B2-%F0%9D%97%98%F0%9D%97%BB%F0%9D%97%B2%F0%9D%97%BF%F0%9D%97%B4%F0%9D%97%B6%F0%9D%97%AE-activity-7463924404054528000-vdky?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAAXUMAkBr_ibxIVnET4TwIP2Tt6CQNAG1Us

Deixe um comentário

×