Visita ao estaleiro Bertolini ocorreu paralelamente à TranspoAmazônia 2026, maior encontro do setor na Região Norte

Por Agência CNT Transporte Atual
27/05/202617h23

Manaus concentra nesta semana uma série de agendas voltadas à logística, à infraestrutura e à navegação na Região Norte. Em paralelo à realização da TranspoAmazônia 2026 — maior encontro de transporte e logística da Amazônia — o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou, nesta quarta-feira (27), de uma agenda no Estaleiro Beconal (Bertolini Construção Naval da Amazônia), referência da indústria naval amazônica e anfitrião da programação.

O encontro reuniu representantes do governo federal, da Petrobras, da Transpetro, além de empresários e lideranças do setor, entre eles, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa; o anfitrião e presidente da Fetramaz (Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia), Irani Bertolini; o presidente da Seção I do Transporte Rodoviário de Passageiros da CNT e da Fetram (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais), Rubens Lessa; o presidente da Fetcemg (Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais) e do Conselho Regional do SEST SENAT de Minas Gerais, Gladstone Lobato; e a diretora adjunta do ITL, Eliana Costa. 

Durante a agenda, foram anunciados investimentos voltados à expansão da navegação, da infraestrutura energética e da indústria naval no Amazonas, além da retomada de projetos da Petrobras na região. Os anúncios fazem parte da estratégia de ampliação da capacidade logística e energética da Amazônia, considerada estratégica para o abastecimento do Norte do país e para a expansão das operações hidroviárias. Somados, os investimentos federais previstos para o Amazonas ultrapassam R$ 7 bilhões.

Durante o evento, o presidente Lula destacou a importância dos investimentos na indústria naval brasileira como instrumento de geração de emprego, qualificação profissional e desenvolvimento regional. Ao comentar a construção das embarcações no Amazonas, defendeu o fortalecimento da produção nacional e afirmou que os investimentos da Petrobras devem contribuir também para ampliar a capacidade industrial do país. “O Brasil sabe produzir navios, barcaças e equipamentos. Quando a gente investe aqui, gera emprego, desenvolve tecnologia e fortalece a indústria nacional”, afirmou.

O presidente também citou a expansão recente da indústria naval brasileira e destacou os investimentos do Fundo da Marinha Mercante como instrumento de retomada do setor. Segundo Lula, os aportes federais têm impulsionado a geração de empregos e a reativação de estaleiros no país.

Lula ainda ressaltou o caráter inédito da produção de embarcações no estaleiro amazonense para operações marítimas fora da navegação fluvial da região, destacando a ampliação da capacidade produtiva da indústria naval instalada na Amazônia.

A programação ocorreu em um dos maiores estaleiros da região Norte, comandado pelo empresário Irani Bertolini, idealizador da TranspoAmazônia 2026. Paralelamente à agenda presidencial, a feira reúne empresas, operadores logísticos, especialistas e representantes dos modais rodoviário, aquaviário, aéreo e multimodal em debates sobre infraestrutura, integração regional e os desafios logísticos da Amazônia.

Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, a realização simultânea da agenda federal e da TranspoAmazônia amplia a discussão sobre os gargalos estruturais da Região Norte e sobre a importância da logística para o desenvolvimento econômico da Amazônia. “A logística faz parte da realidade da Amazônia. As hidrovias têm um peso enorme para a região e integrar melhor os modais é fundamental. Trazer esse debate para Manaus ajuda a dar mais visibilidade às necessidades de infraestrutura do Norte”, afirmou.

Irani Bertolini destacou a importância histórica dos investimentos em infraestrutura para a integração da Amazônia e lembrou a necessidade de ampliar a conectividade logística da região. Durante o discurso, citou a retomada da BR-319 como uma demanda histórica do Amazonas e de Roraima, ressaltando o impacto da rodovia para o transporte de cargas e passageiros.

Bertolini também defendeu melhorias nos acessos portuários do Arco Norte e a ampliação da infraestrutura aeroportuária regional, com pistas alternativas iluminadas para operações noturnas. Segundo ele, gargalos nos trechos finais de acesso aos portos ainda comprometem a eficiência logística e provocam congestionamentos e dificuldades operacionais no escoamento da produção agrícola da região. “Não custa caro manter um rio navegável. O que precisamos é de infraestrutura para que a Amazônia continue integrada e competitiva”, afirmou.

Considerado um dos maiores estaleiros da região Norte, o Beconal possui área de 190 mil metros quadrados e capacidade para processar cerca de 21 mil toneladas de aço por ano. A estrutura atua na construção de balsas graneleiras, empurradores, terminais flutuantes e embarcações especializadas para operações logísticas na Amazônia. O contrato com a Transpetro coloca a Beconal em mercados além da bacia amazônica.

Petrobras anuncia retomada de investimentos no Amazonas

Durante a cerimônia, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, detalhou o pacote de investimentos voltado à retomada das operações da companhia no Amazonas, à expansão da indústria naval e ao aumento da produção de petróleo e gás na região.

“Estamos de volta ao Amazonas para investir, gerar emprego e renda. A Petrobras passou quase dez anos sem investir no estado, mas voltou para produzir mais, desenvolver a região e contribuir com o povo brasileiro”, afirmou.

Segundo a executiva, a Petrobras prevê investir, nos próximos cinco anos, cerca de R$ 2,5 bilhões no Polo de Urucu, localizado no município de Coari (AM), com expectativa de elevar em 20% a produção de petróleo e gás natural no estado. A projeção é gerar aproximadamente 14 mil empregos diretos e indiretos na região amazônica.

“O Amazonas é hoje o terceiro maior produtor de gás natural do país. Esses investimentos vão garantir mais produção, mais energia, mais emprego e mais renda para a região”, declarou.

Magda Chambriard também anunciou a contratação de 18 barcaças e 18 empurradores no estaleiro Bertolini, em Manaus, em contrato estimado em R$ 303,5 milhões. As embarcações serão utilizadas em operações logísticas ligadas ao abastecimento de combustíveis e ao apoio marítimo da Petrobras.

“Parte das mais de 400 embarcações que operam para a Petrobras será construída no Brasil. Estamos retomando a indústria naval brasileira, gerando emprego, renda e desenvolvimento”, afirmou.

De acordo com a presidente da estatal, os contratos no Amazonas devem gerar cerca de 3.300 empregos diretos e indiretos, sendo aproximadamente 835 postos de trabalho em Manaus. A executiva também apresentou iniciativas ambientais, sociais e energéticas voltadas à região amazônica, incluindo projetos de reflorestamento, fornecimento de energia para comunidades remotas, produção de biogás a partir de resíduos pesqueiros e apoio a projetos culturais no estado.

Resumo dos anúncios da Petrobras no Amazonas

Veja a transmissão dos anúncios dos investimentos no estaleiro Bertolini.

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