Presidente da COP30, André Corrêa do Lago (microfone), destaca Capital como símbolo de um local castigado pela mudança do clima

Presidente da COP30, André Corrêa do Lago (microfone), destaca Capital como símbolo de um local castigado pela mudança do clima

Janaína Kalsing/Themis/Divulgação

Cássio Fonseca

Cássio Fonseca

A capital dos gaúchos amplia suas ações de debate e conscientização sobre resiliência climática com o lançamento da 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre, que ocorre entre 20 e 26 de julho, com programação pública voltada à agenda do clima e medidas a serem tomadas para tornar a cidade mais preparada. Dois anos depois das enchentes de maio de 2024, o intuito é manter a pauta viva no cotidiano da sociedade, e assim foi com o evento de lançamento da agenda, promovido nesta quinta-feira (28), no Multipalco do Theatro São Pedro.

Na ocasião, esteve o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, que destacou que o município é o símbolo de um local castigado pela mudança do clima como poucos outros no mundo. “É muito importante que essa cidade também seja associada às soluções, a essa resiliência que permitiu que a população, inclusive, criasse um elo de solidariedade, com várias lições que o mundo precisa ouvir”, acrescenta.

Ele salienta que ministérios da Fazenda de diversos países, inclusive sob a liderança do Brasil, estão incorporando a mudança climática no planejamento financeiro dos governos e que estão orientando que as grandes decisões incorporem as ameaças naturais. Mas reforça que as cidades precisam fazer o mesmo, e que os governos municipais precisam do apoio das populações.

“Infelizmente, foi uma tragédia que fez com que a população agora esteja plenamente consciente da importância da incorporação das ameaças da mudança do clima em todas as obras públicas, por exemplo, em que você faz uma cidade”, frisa o embaixador.

Por outro lado, as mudanças trazem impactos econômicos a serem exaltados, destaca Lago. Ele entende que podem se abrir muitos campos de criação de emprego, novas atividades e startups. E mesmo que as alterações no planeta sejam assustadoras porque têm uma imprevisibilidade grande, em um mundo de alta tecnologia, em que tantos novos recursos estão se aproximando das pessoas, essa é uma realidade que, na visão da autoridade, está orientando o que há de mais avançado na política moderna.

Evento de lançamento da Semana do Clima ocorreu nesta quinta no Multipalco do Theatro São Pedro | Cássio Fonseca/Especial/JC

Evento de lançamento da Semana do Clima ocorreu nesta quinta no Multipalco do Theatro São PedroCássio Fonseca/Especial/JC

A Semana de Ação Climática de Porto Alegre é liderada pela cofundadora da Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, Denise Dora, e pela diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck. Elas são Enviadas Especiais da COP30. A iniciativa é organizada com mais de 30 organizações da sociedade civil local e conta com o apoio de instituições nacionais e internacionais envolvidas na realização da Rio Climate Action Week e da London Climate Action Week.

Para Denise, do ponto de vista global, as mudanças climáticas são uma agenda que atinge a todos, e esse processo de conexões através da Cops, com ênfase no Acordo de Paris, é muito importante. 

Sob a ótica local, entende que é preciso debater na Semana Climática como que todo o patamar de decisões, legislações e opiniões consultivas das Cortes Internacionais, que acontece dentro do campo do multilateralismo climático, é importante para que os gaúchos consigam resolver seus gargalos e pensar novas soluções.

“Foi uma experiência muito forte, muito difícil, que foi sendo resolvida sem que o Estado estivesse preparado para lidar com isso. Acho que a grande lição é que nós precisamos nos adaptar e precisamos fazer isso antes que as tragédias aconteçam”, aponta a organizadora, sobre as enchentes.

E sobre o El Niño, que está em pauta pelo temor de algo similar às cheias e que assole novamente uma população que, em muitos casos, ainda se vê desassistida, Denise é incisiva: “Ou a gente senta e pensa quais são as medidas que temos que tomar do ponto de vista da sociedade, dos municípios, das câmaras municipais, Assembleia Legislativa e o governo do Estado, ou seremos pegos novamente de surpresa e muitas pessoas vão morrer, desaparecer ou perder tudo”.

Em julho, a Semana do Clima terá sua programação principal no próprio Multipalco do Theatro São Pedro, com discussões sobre resiliência urbana, transição energética, agricultura, segurança alimentar, cooperativismo e cadeias de valor sustentáveis, e outras atividades na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Conforme a organização do evento, a programação foi estruturada com base nos seis eixos da Agenda de Ação Climática Global: (1) Transição nos setores de energia, indústria e transporte; (2) Gestão sustentável de florestas, oceanos e biodiversidade; (3) Transformação da agricultura e sistemas alimentares; (4) Construção de resiliência em cidades, infraestrutura e água; (5) Promoção do desenvolvimento humano e social; e (6) Catalisadores e aceleradores, incluindo financiamento, tecnologia e capacitação.

https://www.jornaldocomercio.com/geral/2026/05/1250389-porto-alegre-tera-semana-do-clima-para-debater-resiliencia-dois-anos-apos-enchentes.html

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