Economia circular, eficiência energética e transparência corporativa formam a base de uma nova geração de empresas que transforma a sustentabilidade em prática cotidiana
Quando se fala em sustentabilidade, a imagem mais comum ainda é a de painéis solares, coleta seletiva ou carros elétricos. Mas grande parte da transformação ambiental acontece longe dos olhos da população, em estruturas subterrâneas, sistemas industriais e decisões estratégicas tomadas dentro das empresas.
Essa mudança silenciosa tem ganhado força no Brasil. Segundo levantamento realizado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) em parceria com a Humanizadas, 87% das empresas brasileiras já desenvolvem ações ligadas à sustentabilidade e 59% incorporaram o tema à estratégia corporativa. Além disso, 57% já consideram as novas regulamentações de sustentabilidade em suas decisões de investimento e processos de negócio.
Embora muitas dessas iniciativas não sejam percebidas no dia a dia, elas estão ajudando a reduzir o consumo de recursos naturais, aumentar a eficiência operacional e acelerar a transição para uma economia de menor impacto ambiental.
Um dos exemplos dessa transformação está na reutilização de resíduos plásticos para aplicações de infraestrutura urbana.
A Fuplastic, indústria brasileira com soluções inteligentes e sustentáveis para construção e infraestrutura, produz caixas de passagem e componentes utilizados em redes subterrâneas de energia elétrica, telecomunicações, energia solar, fibra óptica e saneamento a partir de polipropileno 100% reciclado.
A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de economia circular, no qual resíduos deixam de ser descartados para retornar à cadeia produtiva como matéria-prima para novos produtos.
A empresa também vem investindo em inovação para ampliar o potencial de aplicação dos materiais reciclados. Entre os projetos da companhia está o desenvolvimento de sistemas construtivos modulares produzidos a partir de plástico reciclado, ampliando as possibilidades de utilização desse material em obras e projetos habitacionais.
A proposta demonstra como soluções sustentáveis podem estar presentes em estruturas essenciais para o funcionamento das cidades, mesmo sem serem percebidas pela maior parte da população.
“Durante muito tempo o plástico foi visto apenas como um resíduo. Hoje entendemos que ele pode ser uma matéria-prima estratégica para a construção de uma infraestrutura mais sustentável. A economia circular acontece justamente quando conseguimos transformar um passivo ambiental em uma solução para a sociedade”, afirma Bruno Frederico, CEO da Fuplastic.
Outra frente importante da sustentabilidade invisível está relacionada ao consumo de energia.
Responsável por parte significativa das emissões indiretas das empresas, a energia elétrica passou a ocupar papel estratégico nas agendas corporativas, especialmente em setores industriais.
Nesse contexto, a modernização dos sistemas de iluminação tem se consolidado como uma das medidas de maior impacto ambiental e econômico.
A Conexled, fabricante brasileira de iluminação LED industrial com mais de 40 anos de atuação, já contribuiu para a retirada de mais de 2 milhões de lâmpadas convencionais de circulação, gerando uma economia acumulada superior a 396 bilhões de watts em consumo energético.
A companhia atende setores como mineração, siderurgia, óleo e gás, logística e infraestrutura, desenvolvendo soluções com vida útil estimada de até 100 mil horas e projetadas para ambientes de alta exigência operacional.
Além da redução do consumo de energia, a substituição de sistemas convencionais por tecnologias mais eficientes também diminui a necessidade de manutenção e reduz a geração de resíduos ao longo do ciclo de vida dos equipamentos.
O movimento acompanha uma tendência global de buscar não apenas fontes mais limpas de energia, mas também formas mais inteligentes de utilizá-la.
“A sustentabilidade passa necessariamente pela eficiência. Muitas vezes, o impacto ambiental mais relevante não está na geração de energia, mas na capacidade de consumir menos e melhor. É aí que a tecnologia se torna uma aliada importante das empresas”, afirma Tatiana Feitosa, gerente de marketing da Conexled.
Embora exemplos como os da Fuplastic e da Conexled mostrem avanços concretos na agenda ambiental, especialistas apontam que boa parte dessas iniciativas continua invisível para a população.
Para Erika Felizola, da Vertiva Marketing e Comunicação, consultoria especializada em negócios conscientes, impacto positivo e ESG, existe uma percepção equivocada de que sustentabilidade se resume a ações pontuais ou campanhas ambientais.
“As pessoas costumam associar sustentabilidade apenas ao que conseguem enxergar. Mas muitas vezes os impactos mais relevantes estão em decisões que acontecem dentro das empresas, na escolha de fornecedores, na eficiência dos processos, no reaproveitamento de materiais e na forma como a organização pensa seu crescimento”, explica.
Segundo a especialista, a evolução da agenda ESG tem levado as empresas a olhar para aspectos cada vez mais estruturais do negócio.
“Quando uma empresa troca materiais convencionais por matérias-primas recicladas ou investe em eficiência energética, ela não está apenas reduzindo impactos ambientais. Ela está tomando decisões que ajudam a construir um modelo de negócio mais resiliente e preparado para o futuro.”
A especialista destaca ainda que a sustentabilidade corporativa vem deixando de ser um diferencial para se tornar uma exigência do mercado.
“O desafio atual não é apenas criar projetos ambientais. É fazer com que critérios de longo prazo façam parte das decisões do dia a dia. As empresas que conseguem integrar sustentabilidade à estratégia tendem a gerar valor não apenas para o negócio, mas também para as pessoas e para os territórios onde atuam.”
A tendência indica que os próximos anos serão marcados por uma visão mais ampla da sustentabilidade, que vai além de ações pontuais e passa a considerar toda a cadeia de valor das organizações.
Nesse cenário, soluções que reduzem o desperdício de materiais, aumentam a eficiência energética e fortalecem a gestão sustentável tendem a ganhar protagonismo.
Mesmo que permaneçam invisíveis para a maior parte da população, são justamente essas iniciativas que ajudam a construir cidades mais resilientes, empresas mais competitivas e uma economia mais preparada para os desafios ambientais do futuro.
Thamiris Rezende
Diretora de Comunicação
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