Movimento indica nova fase do e-commerce, com gigantes como Magazine Luiza e Amazon integrando lojas e fortalecendo o cenário de compras online no Brasil
O e-commerce brasileiro entrou em uma nova fase. Mais do que disputar quem tem a melhor plataforma, grandes varejistas e marketplaces passam a competir por presença onde a demanda já está, mesmo que isso signifique operar dentro de canais concorrentes. O avanço do modelo revela uma mudança estrutural na lógica do varejo digital e aponta para um cenário cada vez mais orientado por audiência, escala e eficiência operacional.
Movimentos recentes do mercado reforçam essa transformação. A entrada do Magazine Luiza como vendedor dentro da Amazon, que utilizou o ANYMARKET como integrador, é um dos exemplos mais emblemáticos dessa nova dinâmica, ao mostrar que até grandes varejistas, historicamente focados em seus próprios canais, potencializa a operação dentro de ecossistemas concorrentes para capturar demanda e acelerar crescimento.
Dados da ABCOMM mostram que o setor movimentou mais de R$ 234 bilhões em 2025, com mais de 435 milhões de pedidos e cerca de 94 milhões de consumidores online. Em um ambiente de forte crescimento, mas também de maior concentração, players como Mercado Livre, Amazon e Shopee passaram a concentrar grande parte da demanda. Nesse contexto, a disputa vai além de ser entre plataformas e passa a acontecer dentro desses ecossistemas, onde o consumidor já está ativo e recorrente, estando dentro de uma plataforma ou de outra.
“Estamos vendo uma mudança clara de mentalidade no varejo digital. As empresas deixam de operar com foco exclusivo em canal próprio e adotam uma estratégia centrada na demanda, buscando estar onde o cliente já está comprando. A parceria entre Magazine Luiza e Amazon não é apenas mais um canal de vendas para Magalu. Ela mostra uma evolução do e-commerce. E isso mostra um caminho importante para outras marcas, de que essa é uma estratégia que potencializa e funciona para ambas as marcas”, afirma Jasper Perru, Growth Performance do ANYTOOLS, destacando que não é sobre substituir canais, mas sim somar audiências, expandir alcance e ganhar ou reconquistar participação.
Na prática, o movimento permite que grandes varejistas acessem audiências massivas, reduzam o custo de aquisição e acelerem o giro de estoque com menor fricção. Ao mesmo tempo, marketplaces ampliam seu sortimento, fortalecem categorias estratégicas e aumentam sua competitividade ao incorporar grandes vendedores ao seu ecossistema. O resultado é um modelo mais integrado, no qual concorrentes diretos passam, em alguma medida, a operar de forma complementar.
Um contexto remodelado e integrado
Esse novo cenário também redefine a lógica de crescimento no digital. Ao ingressar em múltiplos canais, empresas expandem rapidamente sua capacidade de distribuição e conseguem escalar receita sem a necessidade de investimentos proporcionais em mídia ou infraestrutura própria. No entanto, esse ganho vem acompanhado de um aumento significativo na complexidade operacional, exigindo controle e alinhamento rigorosos de catálogo, sincronização de estoque em tempo real, regras de precificação dinâmicas, integração logística e conciliação financeira em múltiplos modelos.
“Escala amplifica tudo, visto que em operações desse porte, um erro de 1% pode representar milhares de pedidos com problema, impactando diretamente margem e experiência do consumidor. Por isso, a automação e a integração passam a ser indispensáveis”, afirma Perru.
Nesse contexto, a integração acontece apenas uma camada técnica e passa a ter papel estratégico. A capacidade de orquestrar, em tempo real, dados de catálogo, pedidos, preços e logística entre diferentes canais é o que viabiliza esse novo modelo de operação.
O movimento já é percebido de forma consistente no mercado. Além do caso envolvendo Magazine Luiza e Amazon, outros grandes varejistas vêm ampliando sua presença em múltiplos marketplaces como estratégia de crescimento. Na base do ANYMARKET, que operacionaliza mais de 15% do que é movimentado em marketplace no Brasil, já são 18 marketplaces operando dentro dessa lógica, ainda que em diferentes níveis de maturidade, o que reforça a tendência de consolidação desse modelo nos próximos anos.
A expectativa é que esse formato contribua para o aumento do volume transacionado no e-commerce, acelere o giro de estoque e amplie a participação do digital no varejo brasileiro. Ao mesmo tempo, tende a intensificar a concentração em grandes plataformas e elevar o nível de exigência operacional para sellers e varejistas.
“O futuro do e-commerce não será definido por quem possui mais canais, mas por quem consegue operar melhor dentro deles. A vantagem competitiva estará na capacidade de orquestrar diferentes ecossistemas com eficiência e escala”, conclui Jasper.
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