Diretora executiva Fernanda Rezende defendeu mais investimentos em infraestrutura e a integração entre os modais para ampliar a eficiência logística brasileira

Por Agência CNT Transporte Atual
12/06/202612h09

A competitividade do Brasil passa necessariamente pela melhoria da infraestrutura de transportes. A Análise foi feita pela diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, durante o painel O papel da infraestrutura no crescimento econômico, realizado nesta quinta-feira (11), em Belo Horizonte (MG), como parte do seminário Infraestrutura e Logística, promovido pelo jornal O Tempo.

Ao abordar os desafios da logística brasileira, Fernanda Rezende destacou que as deficiências da malha rodoviária impactam diretamente a produtividade das empresas e a eficiência da economia. Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que as condições inadequadas do pavimento aumentam em 31,2% os custos operacionais do transporte. Atualmente, cerca de 65% das cargas brasileiras são transportadas por rodovias, enquanto 62,1% da malha avaliada apresenta algum tipo de deficiência.

“Quando investimos em infraestrutura, estamos reduzindo custos, aumentando a produtividade e criando condições para que o Brasil seja mais competitivo. O transporte movimenta a indústria, o agronegócio e todos os setores da economia, por isso, infraestrutura eficiente é a base para o crescimento econômico do país”, afirmou.

Durante o debate, a diretora executiva da CNT defendeu a ampliação dos investimentos em infraestrutura e uma visão integrada da logística nacional. Segundo ela, o fortalecimento das rodovias deve caminhar junto com a expansão de outros modos, como ferrovias e hidrovias.

“Precisamos continuar investindo em rodovias, mas também avançar na integração entre as modalidades. Não existe um concorrente, existe complementariedade modal. Uma matriz de transportes mais equilibrada permite reduzir custos, aumentar a eficiência logística e tornar o país mais competitivo”, destacou.

Fernanda também ressaltou que cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias pode gerar até R$ 4,77 de impacto acumulado sobre o PIB do transporte. Além disso, lembrou que mais de 72 mil acidentes foram registrados nas rodovias federais em 2025, gerando um custo estimado de R$ 16,8 bilhões para a sociedade, valor superior aos R$ 12 bilhões investidos em rodovias federais no mesmo período. Os números reforçam a importância dos investimentos em infraestrutura para ampliar a segurança viária e reduzir perdas econômicas.

Ao tratar da realidade de Minas Gerais, a diretora destacou a posição estratégica do estado na logística nacional por conectar importantes regiões produtoras e exportadoras do país. Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, 65,4% da malha avaliada no estado apresentam algum tipo de deficiência, evidenciando a necessidade de ampliar os investimentos para melhorar a infraestrutura e fortalecer a competitividade regional.

O painel contou ainda com a participação do presidente do Conselho de Infraestrutura da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Emir Cadar Filho, que defendeu a ampliação da participação de outros modalidades na matriz de transportes brasileira, e do diretor de Mineração e Ativos da Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais), Leandro Pereira, que destacou os desafios para financiar a expansão da infraestrutura mineira. Ele citou ainda o Plano Estadual de Logística e Transportes de Minas Gerais, que prevê cerca de mil projetos até 2055, com investimentos estimados em R$ 450 bilhões.

https://www.cnt.org.br/agencia-cnt/rodovias-com-problemas-reduzem-a-competitividade-e-elevam-em-312-os-custos-do-transporte-destaca-cnt-em-seminrio-em-minas-gerais

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