
Especialistas dizem que normalização do tráfego pode levar meses
Maryorin Mendez/AFP/JC
Agências
O preço do petróleo voltou a despencar nesta terça-feira (16) e ficou abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde 3 de março, quando o barril Brent, referência mundial, foi vendido a US$ 78,38. Por volta das 9h15 (horário de Brasília), o contrato de agosto foi negociado a US$ 79,97, queda de 3,85%, em relação ao preço de segunda-feira (15).
O dia 3 de março foi o segundo dia de negociação após o início do conflito entre EUA e Israel contra o Irã, e o preço estava em franca ascensão. Ele chegou ao pico de US$ 119,42 em 9 de março e ficou acima de US$ 90 na maioria dos três meses de guerra. A cotação só voltou a ficar abaixo desse patamar na última terça-feira (9), quando um acordo entre norte-americanos e iranianos estava mais próximo de ocorrer.
No último domingo (14), os dois países anunciaram um pacto provisório que prevê 60 dias de negociação para um texto definitivo para a paz e a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
A reabertura do tráfego derrubou o preço do petróleo na segunda-feira (15) e a queda prosseguiu nesta terça. Após romper a casa dos US$ 80, a cotação chegou a cair a US$ 79,61, por volta das 9h30, queda de 4,28%.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava cotado a US$ 77,61, queda de 3,85% em relação ao dia anterior, mas para entrega em julho.
A emissora estatal iraniana de televisão informou nesta terça que três navios-petroleiros com bandeira do Irã estão navegando por Hormuz em direção ao norte do oceano Índico. Já outras duas embarcações levavam “bens essenciais” rumo aos portos no sul do país, de acordo com a emissora.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações com os EUA sobre seu programa nuclear e o alívio das sanções provavelmente começarão ainda esta semana. “Provavelmente na sexta-feira, em um local a ser determinado… uma nova rodada de negociações entre o Irã e os Estados Unidos para alcançar um acordo final terá início”, disse.
Ele não confirmou que o tráfego por Hormuz está “completamente aberto” como afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, na segunda-feira. “No acordo final, serão tomadas decisões sobre as questões nucleares e a suspensão das sanções”, afirmou Araghchi.
Especialistas do transporte marítimo declararam que o tráfego deve demorar meses para voltar à normalidade, já que eles ainda aguardam as condições de segurança que serão estabelecidas para retomarem a navegação pelo estreito de Hormuz.
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Questionado no G7 na França sobre quando o texto seria divulgado, Trump disse: “É um documento muito poderoso, e quero que seja divulgado. Então provavelmente muito em breve”.
Mas ele disse ao The New York Times que os EUA ainda estavam negociando se o Irã suspenderia o enriquecimento por 20 anos, sugerindo que poderia aceitar a suspensão por 15 anos.
Araghchi adotou um tom mais cauteloso sobre o acordo. “Temos um histórico de compromissos quebrados… temos um histórico de acordos rasgados. Tudo isso está presente em nossas mentes”, disse ele.
Um alto funcionário do governo americano, no entanto, disse que Trump, Vance e o negociador Ghalibaf já haviam assinado o texto eletronicamente.
Um acordo abrangente sobre as ambições nucleares do Irã e as sanções ocidentais permanece sem solução. Washington e seu aliado próximo Israel estão pressionando para eliminar o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido, que teria sido enterrado por ataques americanos no ano passado, enquanto o Irã insiste u em seu direito de enriquecer urânio.
Outro ponto de divergência é a inclusão do Líbano no cessar-fogo. Israel já divulgou que manterá as tropas no país em ataques contra o Hezbollah, o que não é aceito pelo Irã, que alega que o território libanês faz parte do acordo e não deve ser alvo de bombardeios.
“Encerrar a guerra no Líbano é uma parte inseparável do fim completo da guerra”, destacou Araghchi, após o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, prometer que as forças do país permaneceriam em Gaza, no Líbano e na Síria “pelo tempo que for necessário”.
Folhapress
