
Setor rodoviário brasileiro alcançará novo marco histórico de aporte
CCR ViaSul/Diuvlgação/JC
Agências
A ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias) estima que o setor de rodovias alcançará, em 2026, um novo recorde de investimentos superior a R$ 30 bilhões.
No ano passado, o setor já havia registrado recorde de R$ 29,1 bilhões, de acordo com a associação, que monitora anualmente o montante de recursos aportados desde 1998.
“Nós tivemos em 2025 o recorde dos recordes de mobilização de investimentos nas rodovias. O último grande pico havia acontecido em 2013. Nós demoramos mais de dez anos para equiparar o salto de investimento”, disse Marco Aurélio Barcelos, presidente da ABCR, nesta quarta-feira (17) durante abertura da Bienal das Rodovias, evento promovido pela entidade em Brasília.
De acordo com dados da ABCR, o setor aportou cerca de R$ 21,8 bilhões em 2013, pico de recursos à época. Nos anos seguintes, o patamar foi caindo até 2020, quando a demanda das concessionárias foi fortemente impactada pela pandemia.
Desde 2021, no entanto, os valores vêm subindo ano a ano.
“Em 2024, suplantamos a casa dos R$ 20 bilhões pela primeira vez na história. E, no ano passado, chegamos ao patamar de R$ 29 bilhões. 2026 será o ano em que nós atravessaremos os R$ 30 bilhões. Essa é a força do setor”, afirmou Barcelos.
Há um impulso na realização de leilões durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nos quais os interessados dão lances de desconto em relação à tarifa básica de pedágio. O novo modelo do governo federal tenta atrair mais concorrentes, após leilões com poucos participantes registrados em anos anteriores.
O ministro dos Transportes, George Santoro, disse no evento que o setor “tem discutido muito pouco no Brasil essa questão dos juros”. “Vira tabu”, afirmou o chefe da pasta.
Nesta quarta-feira (17), o Copom (Comitê de Política Monetária) definirá o novo patamar da Selic (a taxa básica de juros).
Com a inflação sob maior pressão, o Banco Central caminha para realizar um dos ciclos de afrouxamento monetário mais curtos da história. O mercado financeiro projeta uma nova redução de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano, mas avalia que esse pode ser o último corte antes de uma interrupção no processo de ajuste da taxa básica de juros.
“Eu acho que é um debate técnico, não político, que precisa ser desenvolvido mais. Não pode simplesmente um grupo de instituições financeiras pautar a taxa de juros futura do Brasil sem ter uma discussão mais ampla. É claro que o Banco Central tem toda autonomia e deve ter autonomia para fazer essa definição, mas é preciso discutir metodologias, é preciso discutir política monetária também. Eu acho que isso é importante numa democracia”, disse Santoro no evento.
Folhapress
