O comércio global está entrando em um período prolongado de volatilidade. A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, a disrupção contínua no Mar Vermelho e a crescente incerteza em torno de pontos de estrangulamento marítimos estratégicos — como o Estreito de Ormuz — estão redesenhando as rotas de transporte marítimo global e introduzindo um novo patamar de imprevisibilidade para a logística internacional.

Para o Brasil, país altamente dependente dos fluxos do comércio marítimo, essas disrupções têm impacto cada vez mais significativo. Mesmo escaladas geopolíticas de curta duração já são capazes de desencadear efeitos em cascata nas redes de frete, incluindo redirecionamento de rotas, congestionamento portuário, desequilíbrios de capacidade e volatilidade de custos.

Em 2025, o Brasil movimentou aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas por seus portos, atingindo um nível recorde segundo o Painel Estatístico da ANTAQ. No entanto, apesar dessa escala, a volatilidade operacional persistiu em todo o sistema, com uma parcela significativa de embarcações registrando atrasos ou ajustes de programação nos principais portos brasileiros. Ao mesmo tempo, setores exportadores como o café reportaram impactos de bilhões de dólares relacionados à disrupção logística e à instabilidade do frete internacional, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Uma transformação estrutural no comércio marítimo global

Desde a escalada no final de 2023, a crise do Mar Vermelho perturbou significativamente os padrões do transporte marítimo global. Muitas transportadoras continuam redirecionando embarcações pelo Cabo da Boa Esperança, um desvio que normalmente acrescenta entre 10 e 14 dias aos tempos de trânsito entre Ásia e Europa, dependendo do corredor. O impacto não se limita à duração do trânsito: rotas mais longas aumentam o consumo de combustível, elevam os custos de seguro e introduzem variabilidade adicional de programação nas cadeias de suprimentos globais.

Ao mesmo tempo, o Estreito de Ormuz permanece um ponto de estrangulamento geopolítico crítico para os fluxos globais de energia. Qualquer escalada nesse corredor tem potencial de afetar os preços do petróleo, os prêmios de seguro marítimo e a estabilidade mais ampla do mercado de frete, reforçando a fragilidade da arquitetura do comércio marítimo global.

Em conjunto, esses fatores estão deslocando a logística global de um modelo baseado em rotas previsíveis para um definido por disrupção recorrente e roteamento adaptativo.

A exposição estrutural do Brasil

Nesse cenário, a exposição do Brasil é particularmente acentuada. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a grande maioria do comércio exterior do país é transportada por via marítima, tornando o desempenho da logística marítima um determinante direto da competitividade exportadora.

O congestionamento portuário, a volatilidade na programação das embarcações, as restrições de infraestrutura e as oscilações nas tarifas de frete deixaram de ser eventos excepcionais. Esses fatores estão se tornando características estruturais do ambiente operacional. Como resultado, as ineficiências na execução do transporte se traduzem cada vez mais em perda de oportunidade comercial, e não apenas em custo operacional.

Por que a gestão tradicional do transporte está chegando aos seus limites

Diante desse cenário, as abordagens convencionais de gestão de transporte estão sob pressão. Os sistemas tradicionais de gerenciamento de transporte (TMS) foram desenvolvidos para apoiar o planejamento e a execução em ambientes relativamente estáveis, onde rotas e restrições podiam ser definidas com antecedência e os desvios gerenciados manualmente. No contexto atual, esse pressuposto é cada vez mais questionado.

Desenvolvimentos geopolíticos, mudanças repentinas de capacidade e disrupções portuárias exigem ciclos de decisão que operem em tempo quase real — algo que processos manuais e sistemas fragmentados dificilmente conseguem garantir.

“A velocidade com que as condições mudam no comércio global hoje significa que empresas que dependem de processos estáticos e coordenação manual estão estruturalmente em desvantagem”, explica Hélcio Lenz, Managing Director da Infios Latin America. “Quando uma rota é interrompida ou os custos mudam devido a eventos geopolíticos, a capacidade de responder em horas, e não em dias, é o que determina o impacto comercial.”

Da gestão do transporte à orquestração

À medida que a volatilidade se torna persistente em vez de episódica, uma clara evolução emerge na tecnologia de cadeia de suprimentos: os sistemas de gerenciamento de transporte estão sendo reposicionados como parte de plataformas de orquestração mais amplas.

Em vez de simplesmente executar planos predefinidos, os sistemas de orquestração integram dados de transporte, armazém e pedidos para apoiar a tomada de decisão contínua ao longo de toda a cadeia de suprimentos.

Essa evolução depende da convergência de três sistemas historicamente separados: Transport Management Systems (TMS), Warehouse Management Systems (WMS) e Order Management Systems (OMS). Quando conectados por meio de uma camada de orquestração, esses sistemas viabilizam uma visão unificada da execução da cadeia de suprimentos, permitindo que as organizações ajustem planos dinamicamente conforme as condições mudam.

Transformando visibilidade em execução adaptativa

Em um ambiente volátil moldado por choques geopolíticos e mudanças nas rotas marítimas, a visibilidade por si só não é mais suficiente. O que diferencia as organizações mais resilientes é a capacidade de traduzir dados em tempo real em ações coordenadas.

A orquestração inteligente permite que os operadores da cadeia de suprimentos avaliem, em tempo real:

Sistemas habilitados por IA podem identificar indicadores precoces de disrupção e apoiar respostas baseadas em cenários antes que problemas operacionais se convertam em atrasos ou escalada de custos. Isso transforma a logística de uma função reativa em um modelo operacional continuamente adaptativo.

Investimento em infraestrutura é necessário, mas não suficiente

O Brasil continua avançando com investimentos expressivos em infraestrutura portuária e capacidade logística. Esses desenvolvimentos são essenciais para a competitividade de longo prazo, mas não respondem plenamente ao desafio imposto pela volatilidade global.

Como observa Lenz: “A expansão da infraestrutura é fundamental, mas não resolve o desafio da coordenação. Sem orquestração em tempo real, até os portos mais modernos operam abaixo do seu potencial, porque as decisões ainda são tomadas com informações incompletas ou defasadas.”

Em outras palavras, a infraestrutura aumenta a capacidade, mas é a orquestração que determina com que eficiência essa capacidade é utilizada.

Da gestão de disrupções ao posicionamento competitivo

Em um ambiente global definido pela incerteza geopolítica — do Mar Vermelho ao Estreito de Ormuz —, a disrupção não é mais uma exceção, mas uma condição recorrente. As empresas que manterão a competitividade serão aquelas capazes de adaptar sua execução mais rapidamente do que a disrupção se desenrola.

Isso exige uma mudança de mentalidade: deixar de otimizar a eficiência do transporte de forma isolada e passar a gerenciar a execução de ponta a ponta como um sistema dinâmico. Nesse contexto, a logística inteligente não é mais uma atualização tecnológica. Está se tornando um requisito estrutural para a participação no comércio global. E, cada vez mais, a vantagem competitiva será definida não pela ausência de instabilidade, mas pela capacidade de operar com eficiência mesmo sob disrupção.

Sobre a Infios

A Infios é uma líder global em Execução Inteligente de Cadeias de Suprimentos, comprometida em melhorá-las incansavelmente, todos os dias. Com a confiança de mais de 5.000 clientes em 70 países, a Infios ajuda organizações a migrar de operações fragmentadas e reativas para ações coordenadas e em tempo real em gestão de pedidos, armazéns e transporte. Seu portfólio de soluções adaptáveis permite que empresas de todos os portes simplifiquem operações, melhorem a eficiência e gerem resultados significativos. No centro de tudo está a Infios AI, inteligência de execução incorporada diretamente aos fluxos de trabalho operacionais. A Infios AI detecta disrupções, determina a melhor resposta e executa ações coordenadas entre sistemas, criando um ciclo contínuo de decisão-ação em que a execução acompanha o ritmo das mudanças. A Infios é uma joint venture da Körber, provedora internacional de tecnologia, e da KKR, empresa global de investimentos.

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Informações para imprensa:

Sing
Rodrigo Sodré, Julia Cervantes, Janaina Leme e Vânia Gracio
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