André Busnello
Diretor Jurídico do Porto Meridional
Desde o fim do século 19, engenheiros identificaram no litoral norte gaúcho condições para a instalação de um porto marítimo nas proximidades de Torres.
A ideia foi retomada em 2018 por um entusiasta do assunto, o engenheiro Fernando Carrion, ex-deputado federal. De lá para cá, um grupo de empreendedores gaúchos encampou a ideia e investiu para tirá-la do papel com o nome de Porto Meridional.
Desde então, porém, a morosidade dos trâmites tem sido o maior obstáculo para o investimento privado de R$ 6,5 bilhões. Já existe aval da Marinha, do Ministério de Portos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, além da declaração de utilidade pública pelo governo do RS.
O empreendimento, que está atualmente na fase de licenciamento pelo Ibama, vem cumprindo todas as exigências legais. Aliás, a audiência pública realizada em Arroio do Sal evidenciou o amplo apoio da população ao projeto.
O porto onshore, ou seja, junto à costa, terá capacidade para movimentar até 53 milhões de toneladas de carga por ano. Isso vai gerar cerca de 1,5 mil empregos diretos e milhares de indiretos, ampliando a capacidade logística gaúcha e barateando custos.
No caso do sistema portuário, enquanto Santa Catarina tem sete portos em operação e já planeja mais, o Rio Grande do Sul ainda engatinha para fazer deslanchar seu segundo porto marítimo.
É preciso gostar muito deste chão para insistir e empreender nos tempos atuais, porque as oportunidades se fazem melhores em outros Estados. Empreendedores precisam de certeza de que seus investimentos não ficarão presos em disputas judiciais intermináveis. Isso é fundamental para o Rio Grande avançar.
Não falta vontade da iniciativa privada nem viabilidade técnica. É preciso convencimento coletivo de que desenvolvimento econômico e sustentabilidade caminham juntos e a velocidade de execução deve acompanhar as exigências do século 21. Não podemos mais esperar.
O Porto Meridional, assim como outros grandes projetos que tentam se viabilizar no território gaúcho, são fundamentais para transformar a vida de gerações inteiras.
A questão agora é: vamos deixá-los acontecer?
