Embraer é o terceiro maior construtor de aeronaves no mundo — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A edição impressa do jornal francês Le Monde desta quinta-feira (2) traz uma reportagem sobre a Embraer, apresentada como um dos maiores símbolos do sucesso industrial brasileiro. A publicação destaca que a fabricante, sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo, tornou-se a terceira maior produtora de aviões do mundo, atrás apenas da Airbus e da Boeing, transformando a cidade em uma espécie de Seattle ou Toulouse da América do Sul.

A reportagem atribui parte desse desempenho à adoção de métodos de gestão inspirados na japonesa Toyota. Segundo o diário, a aplicação de técnicas da indústria automobilística permitiu à empresa aumentar em 88% as entregas de aviões comerciais em seis anos, passando de 130 aeronaves em 2020 para 244 em 2025, em um momento em que o setor aeronáutico mundial enfrenta problemas nas cadeias de abastecimento.

O texto também ressalta a capacidade de inovação da fabricante brasileira. Com cerca de 25 mil funcionários em todo o mundo, incluindo mais de 4 mil engenheiros, a companhia opera uma ampla rede global de fornecedores e mantém unidades de produção no Brasil, nos Estados Unidos e em Portugal.

Apesar dos elogios, a análise lembra que a Embraer ainda está muito distante da escala alcançada por Airbus e Boeing. Faturamento, carteira de pedidos e capacidade de investimento continuam em patamares bem inferiores aos das duas líderes mundiais do setor.

Vale a pena competir com Airbus e Boeing?

A partir dessa constatação, a reportagem levanta uma questão estratégica: vale a pena para a Embraer avançar para o mercado de aeronaves maiores e competir diretamente com os modelos Airbus A320 e Boeing 737? Especialistas ouvidos pelo jornal ponderam que esse movimento representaria uma aposta de alto risco.

Na avaliação desses analistas, a empresa tem obtido resultados consistentes justamente por se concentrar no segmento de jatos regionais e aeronaves de médio porte. Como exemplo dos desafios envolvidos, o texto cita a experiência da canadense Bombardier, que enfrentou graves dificuldades financeiras ao tentar disputar espaço com as duas gigantes do setor.

‘A pérola brasileira’, diz Le Monde

Ao reconstituir a trajetória da fabricante, criada pelo Estado brasileiro em 1969 e privatizada em 1994, a reportagem conclui que a Embraer conseguiu superar obstáculos que pareciam intransponíveis e se consolidou como uma referência tecnológica global. Mas pondera que uma eventual entrada no mercado de aviões de maior capacidade exigiria investimentos bilionários e, muito provavelmente, a busca por parceiros internacionais.

Nesse contexto, o Le Monde recorda a tentativa de aquisição da divisão de aviação comercial da Embraer pela Boeing, anunciada em 2018 e cancelada em 2020. Para a publicação, caso decida um dia enfrentar diretamente Airbus e Boeing, a Embraer dificilmente poderá fazê-lo sozinha e deverá contar com apoio estratégico ou financeiro externo, possivelmente de investidores do Golfo, da Índia ou da Coreia do Sul.

Jornal francês chama Embraer de ‘pérola brasileira’ e destaca empresa como símbolo do sucesso industrial do país 

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