A região representa 14% da capacidade global em um cenário dominado por rotas Ásia-Europa, aponta relatório da Alphaliner.

De acordo com o último relatório trimestral da Alphaliner , as companhias de navegação asiáticas estão apresentando margens operacionais melhores do que suas contrapartes europeias . A análise sugere que uma das principais razões para essa diferença é o foco distinto de suas redes de serviço: —As operadoras sediadas na Europa estão alocando mais capacidade em serviços de e para a Europa, onde as exportações têm sido mais fracas—, enquanto as transportadoras asiáticas estão concentrando sua capacidade em rotas associadas a exportações mais dinâmicas do Extremo Oriente.

Nesse contexto global, a América Latina surge como um importante polo de implantação de capacidade, concentrando 14% da capacidade implantada pelas companhias de navegação, classificando-se como a terceira rota principal, depois do Extremo Oriente-Europa (cerca de um quarto da capacidade total) e da Ásia-América do Norte (16%).

O relatório indica que os serviços ligados a essas três rotas principais — juntamente com os serviços intra-Ásia — representam a maior parte do comércio marítimo global, embora com diferenças significativas dependendo da companhia de navegação.

Em sua análise por linha de navegação, a consultoria destaca diferentes configurações entre as principais operadoras..—A ONE e a ZIM são as únicas no Top 10 que têm a maior porcentagem de sua frota alocada na rota transpacífica— afirma o relatório. No caso da ZIM, essa exposição ultrapassa 50% de sua capacidade total, chegando a 52%.

A HMM e a Hapag-Lloyd , por sua vez, têm um forte foco na rota Extremo Oriente-Europa. No caso da HMM, mais da metade de sua capacidade (53%) está concentrada nessa rota, posicionando-a como uma das poucas companhias de navegação com presença claramente dominante nesse itinerário.

O relatório acrescenta que essa concentração na rota Ásia-Europa se intensificou em comparação com anos anteriores. —O desvio de serviços entre o Extremo Oriente e a Europa via Cabo da Boa Esperança explica por que essa rota se tornou a principal absorvedora de capacidade —afirma a Alphaliner . Isso ocorre porque os desvios aumentam o número de navios necessários para transportar o mesmo volume de carga em comparação com as rotas que passavam pelo Canal de Suez.

Em paralelo, o estudo observa uma crescente expansão para a África e a América Latina. Tanto a MSC quanto a Maersk alocam aproximadamente 31% de suas frotas para essas regiões, superando inclusive sua exposição à rota transpacífica. Em contraste, empresas de transporte marítimo como a Yang Ming exibem uma estratégia altamente concentrada na Ásia, com apenas 2% de sua capacidade vinculada à América Latina.

—A Yang Ming tem 91% de sua capacidade alocada nessas três áreas principais —observa o relatório, referindo-se às rotas Extremo Oriente–Europa, Ásia–América do Norte e Intra-Ásia, o que reflete uma forte concentração regional.

De forma geral, a Alphaliner conclui que as companhias de navegação asiáticas alocam pelo menos dois terços de sua capacidade às principais rotas Leste-Oeste e Intra-Ásia, enquanto as operadoras europeias alocam menos da metade a essas mesmas rotas. No caso da MSC, essa proporção chega a apenas 37%, demonstrando maior diversificação geográfica na alocação de sua frota. | MM

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