Por Mauro Rodrigues, Head da Selbetti Print Solutions 

Quando uma equipe de segurança mapeia a superfície de ataque da empresa, o roteiro costuma seguir uma sequência previsível: endpoints, servidores, nuvem, credenciais, perímetro de rede, dispositivos móveis. Quase nunca aparece na lista a multifuncional que fica no corredor do RH, processando folhas de pagamento, contratos com dados pessoais e relatórios médicos do ambulatório corporativo. No entanto, essa mesma multifuncional opera com sistema operacional próprio, armazena em disco cópias de tudo o que imprime, digitaliza e copia, mantém conexão permanente com a rede corporativa e, em boa parte dos casos, ainda roda com a senha de fábrica que veio na caixa. É um servidor exposto, disfarçado de periférico. 

A dimensão do problema começou a ganhar contornos mais nítidos com os estudos da consultoria britânica Quocirca, referência global em infraestrutura de impressão. No relatório Print Security Landscape 2024, baseado em entrevistas com 400 tomadores de decisão de TI nos Estados Unidos e na Europa, apenas 16% dos líderes se declararam confiantes na segurança de seus ambientes de impressão, uma queda de três pontos percentuais em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, 61% das organizações pesquisadas reportaram pelo menos uma perda de dados vinculada a práticas inseguras de impressão nos 12 meses anteriores à pesquisa. A maioria das violações nem sequer veio de ataques externos sofisticados: o principal vetor foi a ação acidental de colaboradores internos, que respondeu por 32% dos incidentes, segundo o mesmo estudo. 

O que torna a infraestrutura de impressão particularmente vulnerável é a junção de conectividade elevada com governança praticamente inexistente. Multifuncionais modernas são dispositivos conectados à rede, equipados com memória interna, armazenamento em disco e capacidade de comunicação com servidores, e-mails e sistemas de gestão documental. Quando um colaborador envia um documento para impressão, esse arquivo percorre a rede, pode ficar armazenado temporariamente no servidor de impressão e na memória do equipamento, e frequentemente permanece acessível mesmo após a retirada da folha na bandeja.  

Firmware desatualizado permite que criminosos explorem vulnerabilidades conhecidas para acessar a rede corporativa a partir do equipamento. Filas de impressão não criptografadas expõem documentos sensíveis durante o tráfego. Discos rígidos internos, presentes na maioria das multifuncionais de médio e grande porte, raramente passam por processos de sanitização quando o equipamento é devolvido ao final de um contrato de locação ou descartado.  

A edição 2025 do mesmo estudo da Quocirca, publicada em julho, identificou que violações de dados originadas na infraestrutura de impressão custam, em média, US$ 850 mil para organizações que operam com parques padronizados de um único fabricante. Para as 59% de empresas que utilizam frotas de múltiplos fornecedores, o valor sobe para US$1,2 milhão, reflexo da maior dificuldade de aplicar políticas de segurança uniformes, atualizar firmware de forma centralizada e monitorar eventos em ambientes heterogêneos. Contextualizado com o custo médio global de um vazamento de dados, que atingiu US$ 4,44 milhões segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025 da IBM, o ambiente de impressão deixa de ser um risco periférico e passa a representar uma porta de entrada real para incidentes com consequências financeiras severas. 

A interseção entre ambiente de impressão e a normativa brasileira, relacionada à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) é direta e pouco mapeada pela maior parte das empresas. Todo documento que contém dados pessoais e transita pela infraestrutura de impressão configura uma operação de tratamento nos termos da lei. Desde a folha de pagamento processada pelo departamento de recursos humanos até o relatório digitalizado na multifuncional de um consultório médico, passando por contratos, fichas cadastrais e documentos jurídicos, cada operação está sujeita às exigências de proteção previstas no artigo 46 da LGPD, que determina a adoção de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger dados pessoais contra acessos não autorizados e situações acidentais de destruição, perda ou comunicação inadequada.  

Uma impressora sem controle de acesso por autenticação, sem criptografia no tráfego de dados e sem política de descarte seguro representa, objetivamente, uma falha nessas medidas, situação que a ANPD pode enquadrar como infração passível de sanção. 

Zero trust no ambiente de impressão 
Diante desse cenário, a abordagem de segurança conhecida como Zero Trust começa a ser estendida ao ambiente de impressão, ainda que de forma incipiente. Segundo dados compilados pela Quocirca, apenas 35% das organizações implementaram uma arquitetura de confiança zero para suas impressoras, e somente 37% realizaram avaliações formais de segurança do parque de impressão. Na prática, aplicar Zero Trust à impressão significa exigir autenticação do usuário antes da liberação de qualquer trabalho, seja por PIN, crachá ou biometria, criptografar os dados em trânsito entre a estação de trabalho e o equipamento, segmentar a rede de impressão em VLANs isoladas, manter logs detalhados de todas as operações e garantir atualização contínua de firmware.  

São medidas que, individualmente, não representam alta complexidade técnica, mas que exigem governança, planejamento e, sobretudo, uma mudança na forma como a impressão é percebida dentro da arquitetura de segurança da informação. 

Empresas que adotam serviços gerenciados de impressão, os chamados Managed Print Services, reportam os maiores índices de satisfação com a segurança de seus ambientes, segundo o relatório 2025 da Quocirca. A correlação não é casual. A gestão especializada e terceirizada do parque tende a incorporar, desde a concepção, camadas de proteção que vão do monitoramento contínuo e da aplicação centralizada de patches até controle de acesso por autenticação, criptografia de ponta a ponta e políticas formais de descarte e sanitização de discos ao final da vida útil dos equipamentos. Para empresas que operam com frotas distribuídas em múltiplas localidades, a padronização e o gerenciamento centralizado reduzem a superfície de ataque e simplificam a conformidade com exigências regulatórias, dois objetivos que raramente se alcançam quando o parque cresce sem governança.  

Em setores como saúde, finanças, jurídico e administração pública, onde o volume de documentos sensíveis que circula pelo ambiente de impressão é particularmente elevado, a ausência de gestão estruturada potencializa o risco de forma desproporcional ao investimento necessário para mitigá-lo. 

A impressão corporativa segue relevante mesmo nos ambientes mais digitalizados, especialmente em áreas que lidam com contratos, auditorias, operações de campo e rotinas administrativas. O que mudou é que cada folha impressa carrega, além de tinta, responsabilidade legal sobre os dados que contém.  

Com a ANPD operando em regime de fiscalização ativa e com a LGPD plenamente vigente, tratar a infraestrutura de impressão como um item fora do perímetro de segurança deixou de ser uma questão de eficiência operacional e passou a ser uma lacuna de governança. Para gestores de TI e compliance, a pergunta relevante já não é se o parque de impressão representa risco, mas quando esse risco será cobrado. 

Sobre a Selbetti Tecnologia 

A Selbetti Tecnologia é a maior One-Stop-Tech do Brasil, proporcionando um ecossistema completo de soluções para acelerar a transformação digital das empresas. Com quase 50 anos de história e um time de mais de 2,2 mil profissionais, a empresa atua como um hub de tecnologia que conecta automação, infraestrutura, inteligência artificial e experiência digital e física para impulsionar a eficiência e o crescimento dos negócios. 

A Selbetti oferece soluções tecnológicas integradas que transformam operações e aumentam a competitividade das empresas, a partir de um ecossistema estruturado em dez unidades de negócios, cobrindo de forma estratégica as necessidades do mercado de tecnologia. Conheça: 

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Selbetti IT Solutions: fortalece a infraestrutura tecnológica das empresas, garantindo segurança, confiabilidade e escalabilidade com soluções de cibersegurança, field service, servidores, cloud, data science e inteligência artificial; 

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Selbetti Data & AI Solutions: apoia empresas na transformação de dados em ativos estratégicos de negócio, com foco em governança, qualidade da informação, analytics avançado e uso responsável da inteligência artificial. A área atua desde a organização e padronização dos dados até a aplicação de modelos analíticos e soluções de IA alinhadas às necessidades do negócio e às exigências regulatórias; 

Selbetti Cybersecurity Solutions: atua de forma integrada em segurança da informação, privacidade de dados e operações de cibersegurança, apoiando empresas na identificação de riscos, proteção de ambientes digitais, detecção de ameaças e resposta a incidentes, com foco em governança, continuidade operacional e resiliência digital. 

Fundada em 1977, a Selbetti carrega a inovação no DNA. A missão da empresa vai além da tecnologia, e conecta pessoas, dados e inovação para transformar desafios em oportunidades e acelerar o futuro das empresas. Com um olhar voltado para o amanhã, a Selbetti segue expandindo sua atuação, e consolidando sua posição como um dos principais vetores de inovação no Brasil. 

Conheça mais sobre a Selbetti Tecnologia: https://selbetti.com.br/


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Emilia Bertolli
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