
Ministério da Fazenda está confiante em alcançar a quantia a tempo
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Divulgação/JC
Agências
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) precisa captar mais US$ 3,2 bilhões (R$ 16,3 bilhões) para alcançar a meta de US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões) até o final deste ano, mas atraiu apenas US$ 62,6 milhões (R$ 319,7 milhões) nos sete meses após os primeiros investimentos de nações. Os US$ 6,8 bilhões (R$ 34,7 bilhões) já captados pelo fundo seguem abaixo do volume necessário para o mecanismo começar a funcionar.
O governo Lula (PT) lançou o TFFF em novembro de 2025, às vésperas da COP30, a conferência do clima das Nações Unidas que aconteceu em Belém naquele mês, com o objetivo de contribuir para a preservação das florestas. A meta, sem prazo definido, é receber US$ 25 bilhões (R$ 127 bilhões) em recursos públicos e US$ 100 bilhões (R$ 510 bilhões) de fontes variadas, inclusive particulares, totalizando US$ 125 bilhões (R$ 638 bilhões).
Porém, uma das condições do aporte da Noruega, de US$ 3 bilhões (R$ 15,3 bilhões), é que ao menos US$ 10 bilhões sejam garantidos até dezembro: sem o montante, o investimento norueguês ficará comprometido.
João Paulo de Resende, assessor especial do Ministério da Fazenda, diz que o governo está confiante em alcançar a quantia a tempo. Luxemburgo foi o único país a confirmar contribuição desde a COP30, com 50 milhões de euros anunciados em 5 de junho (US$ 57,6 milhões, cerca de R$ 297 milhões, na cotação da data do anúncio). Os investimentos serão distribuídos de 2026 a 2030. A nação também será a sede do braço financeiro do fundo e prometeu que os impostos arrecadados com a operação serão reinvestidos no mecanismo.
A ONG The Nature Conservancy anunciou no último dia 24 que investirá US$ 5 milhões (R$ 25,5 milhões). “A expectativa é que a contribuição incentive outros países e organizações a se somarem a esse esforço”, afirmou a entidade. É a segunda aplicação privada: a Fundação Minderoo, liderada pelo bilionário australiano Andrew Forrest, havia se comprometido com US$ 10 milhões (R$ 51,7 milhões) durante a cúpula em Belém.
No último dia 23, a Fundação Financiamento para a Biodiversidade apresentou uma carta de apoio ao TFFF. O documento tem assinaturas de 12 instituições financeiras e segue aberto para adesões até setembro, mas não sinaliza uma previsão concreta de investimentos.
“Temos conversado com o Canadá, com países do golfo [Pérsico] e asiáticos”, afirma Resende. Segundo ele, as nações levam um tempo para internalizar a dinâmica do TFFF até se sentirem confortáveis em anunciar um investimento.
A China é outra possibilidade, mas ainda não há uma posição oficial de Pequim. “Pelo nível das discussões políticas, já está bem claro o interesse de participar, mas os chineses têm questões técnicas que ainda precisam ser discutidas”, diz. “São questões sobre como eles esperam que o fundo seja administrado.”
Interlocutores do Reino Unido também têm transmitido sinais positivos aos negociadores do TFFF acerca de uma possível contribuição, apesar das incertezas após a renúncia de Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro.
O cenário geopolítico não ajuda, e o aumento de gastos militares com as guerras na Ucrânia e no Irã força países a restringir investimentos em outras áreas. “Quanto maior a tempestade, mais difícil a gente conseguir fazer isso acontecer. Mas, até agora, a gente não entende que isso será um impedimento. É um dificultador”, afirma Resende.
Um diplomata brasileiro diz que há expectativa de mais países aplicarem recursos durante eventos de visibilidade mundial, como a Assembleia-Geral das Nações Unidas e a COP31, o que seria suficiente para atingir o valor necessário. Ele também afirma que filantropias estrangeiras sinalizam intenção de investir no médio prazo.
O TFFF usará os US$ 125 bilhões para aplicar em uma carteira de investimentos diversificados de renda fixa, com rendimentos de 7% a 8% ao ano. Os financiadores devem ficar com uma fatia de cerca de 4% dos rendimentos, e os países que preservarem florestas receberão outros 4%. O fundo pagará US$ 4 (R$ 20,43) por hectare conservado e reduzirá o pagamento se houver desmatamento ou degradação por fogo.
Até 74 países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, poderão ser recompensados se mantiverem suas matas em pé. Ao menos 20% dos rendimentos de cada nação deverão ser destinados para povos indígenas e comunidades locais.
Folhapress
