Pecuária deve ser a atividade mais afetada no Centro-Oeste e no Norte. Redução na oferta de alimentos vai pressionar a inflação nos próximos meses. Política Nacional de Proteção e Defesa Civil também não está devidamente preparada para proteger população de desastres ambientais 

Por SAMANTA SALLUM 

Especialistas consultados pelo Tribunal de Contas da União apontam um cenário muito preocupante com os efeitos climáticos do El Niño. A previsão é de chuvas intensas no Sul, com potencial para episódios semelhantes aos que devastaram o Rio Grande do Sul, e de uma seca severa no Norte e no Nordeste. O alerta ganha dimensão ainda maior diante da situação prevista para a Amazônia. Caso a estiagem volte a reduzir drasticamente o nível dos rios, milhares de comunidades poderão enfrentar dificuldades de abastecimento.

O tema foi debatido pelo TCU com o painel “Impactos do El Niño e preparação do Estado para eventos climáticos extremos”, que apontou riscos concretos para a população e para a agricultura. O setor empresarial, principalmente o de produção e distribuição de alimentos, está apreensivo.

Alta de preços 

A pecuária deve ser a atividade mais afetada no Centro-Oeste e no Norte, onde pode faltar água para as pastagens. O fenômeno climático pode reduzir a oferta de produtos como café, milho, frutas e leite, pressionando a inflação dos alimentos nos próximos meses. O Ministério da Fazenda deve aumentar sua previsão oficial para a inflação de 2026. A expectativa é que os preços subam mais do que o estimado em maio, quando a projeção era de 4,5%.

Alerta ao governo federal

O ministro do TCU Augusto Nardes, ao encerrar seu relatório, em sessão no plenário, pediu ao presidente da Corte, Vital do Rêgo, que o documento seja encaminhado imediatamente à Casa Civil, ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e à Presidência da República para que as providências sejam adotadas antes da chegada dos eventos extremos.

Ao apresentar o relatório de fiscalização da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, o ministro afirmou que o país permanece despreparado para enfrentar os fenômenos previstos para os próximos meses e advertiu que a falta de ações imediatas de prevenção poderá “custar vidas, provocar graves prejuízos econômicos e levar à responsabilização de gestores públicos”.

Samanta Sallum

Carioca, formada na PUC- Rio, tem 25 anos de jornalismo. A maior parte dedicada à cobertura do dia a dia, em Brasília. Recebeu os prêmios Esso regional, menção honrosa Vladimir Herzog e foi finalista do Embratel. Atuou como Repórter, editora e colunista do Correio Braziliense por 12 anos. Também atuou na comunicação do Governo do Distrito Federal e em assessoria de imprensa no Senado Federal.

https://blogs.correiobraziliense.com.br/capital-sa/2026/07/13/tcu-aponta-pais-despreparado-para-enfrentar-el-nino-setor-produtivo-apreensivo-com-efeito-na-economia

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