O capital latino está em um ponto de bifurcação histórica: as decisões tomadas entre 2025 e 2030 sobre políticas de homeownership, fluxos de imigração e modelos de impacto social determinarão se a riqueza latina se converte em poder econômico estrutural ou permanece vulnerável a ciclos de exclusão. A pergunta não é se isso vai acontecer, mas quando, onde e quem vai liderar essa transformação.
Vejamos o Paraguai, por exemplo. Em 2025, o PIB do país alcançou US$49,2 bilhões, um crescimento de 6,6% em relação a 2024, segundo o Banco Central do Paraguai. Ultimamente, o país tem sido um alvo certeiro para empresas que querem investir, se tornando um marco legal para investimento externo. Isso se dá pela economia previsível, a política estável, uma das menores cargas tributárias da região, energia elétrica entre as mais baratas do continente e grande incentivo para as empresas de fora do país.
Em relação ao investimento, o ano passado foi emblemático, pois o investimento estrangeiro direto apresentou um recorde de US$1,18 bilhão, representando uma alta de 7,6% sobre os US$1,097 bilhão de 2024, segundo a Cepal.
Esse movimento dos investidores coloca o continente latino-americano no mapa. A partir disso, os países daqui passam a ser considerados para investimentos, bem como ganha destaque ao investir em outros lugares.
Antigamente, as grandes fortunas eram estreitamente ligadas aos seus países de origem, pensar em investir no exterior era distante. Não apenas por pouco conhecimento, mas por falta de acesso e tecnologia que possibilitasse esse contato. Conforme o modo de investir evoluiu, cada vez mais pessoas passaram a considerar o investimento exterior e em outras moedas uma possibilidade. Agora, os países da América Latina começam a se destacar nesse sentido.
O Capgemini World Wealth Report apontou que o número de milionários no mundo está crescendo a cada ano, isso inclui os países latinos. Além do aumento da segurança patrimonial e valorização dos ativos, o dinheiro produzido no continente está redescobrindo as fronteiras.
Para que outros países da América Latina cresçam no mesmo sentido que o Paraguai, é importante entender que as decisões que estão sendo tomadas agora terão grande impacto em como o mundo vê o poder monetário que esses países possuem. Investir em medidas duradouras pode mudar o rumo da movimentação monetária.
Ao falarmos do Paraguai, falamos do país que criou leis de incentivo ao investimento, que busca proteger e assegurar investimento de capital na criação de indústria ou outras atividades produtivas no território nacional. Também falamos do país que isentou impostos para investimentos em: financiamento, bens de capital, assistência técnica especializada, mineração, hotelaria, arrendamento com opção de compra de bens de capital (leasing), prestação de serviços em transportes em geral, saúde, rádio, televisão, imprensa, telefonia, pesquisa científica, silos, armazenagem e serviços de transmissão de dados (listagem realizada pelo consulado paraguaio no Brasil).
São medidas com essas que possuem um impacto social real. Com elas, se incentiva homeownership e fluxos de imigração que resultam no território paraguaio como um dos mais relevantes entre os latino-americanos nesse sentido.
Em contrapartida, investidores de outros países estão redesenhando a forma como aplicam suas fortunas. Por isso, a tendência é que cada vez mais o mundo veja e valorize o dinheiro latino-americano. O continente está demonstrando riqueza e poder de investimento único, que tem tudo para crescer e se destacar com family offices e impactos reais.
• Por: Cristiano Maschio, CEO da DCEX.
