Sebastião Carlos Martins (*)
Nova série de artigos discutirá Inteligência Artificial, Capital Intelectual e Desenvolvimento Econômico
Engenheiro Sebastião Carlos Martins apresenta proposta inédita para mensurar o valor econômico da experiência profissional
O Diário de Minas inicia, nesta edição, uma série de artigos assinados pelo engenheiro eletricista e consultor em projetos de infraestrutura Sebastião Carlos Martins, dedicada à discussão de temas relacionados à Inteligência Artificial, desenvolvimento econômico, sustentabilidade, engenharia financeira e valorização do capital intelectual brasileiro.
A proposta da série é apresentar estudos, metodologias e reflexões desenvolvidos ao longo de vários anos de pesquisa, abordando desafios que afetam diretamente a competitividade das empresas, a produtividade nacional e a formulação de políticas públicas.
O primeiro tema dessa sequência de publicações trata de uma proposta metodológica inédita denominada Índice de Retorno Empresarial Legado (IREL).
O IREL foi concebido para responder a uma questão que ganha importância à medida que a população envelhece e a transformação digital modifica profundamente o mercado de trabalho:
Como mensurar, de forma objetiva, o valor econômico gerado pela experiência acumulada de profissionais altamente qualificados?
Embora existam indicadores consolidados para avaliação financeira de investimentos — como ROI, EBITDA, Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), EVA e outros —, ainda não existe metodologia amplamente difundida capaz de medir os benefícios econômicos produzidos pela utilização estruturada do conhecimento acumulado por profissionais experientes.
Segundo o autor, essa lacuna tende a tornar-se cada vez mais relevante em razão do envelhecimento da população economicamente ativa, da crescente escassez de profissionais especializados em diversos setores e da necessidade de preservar o capital intelectual construído ao longo de décadas de atuação profissional.
O IREL propõe justamente preencher essa lacuna.
Sua metodologia busca transformar benefícios tradicionalmente classificados como intangíveis em indicadores passíveis de mensuração econômica, considerando aspectos como:
- aumento da produtividade;
- redução de custos operacionais;
- mitigação de riscos;
- preservação do conhecimento organizacional;
- aceleração da inovação;
- melhoria da qualidade das decisões estratégicas;
- fortalecimento da governança corporativa;
- transferência estruturada de conhecimento entre gerações.
Outro diferencial da proposta consiste na utilização de Inteligência Artificial para identificar competências, realizar o chamado matching inteligente entre profissionais e demandas empresariais e acompanhar, ao longo do tempo, os resultados efetivamente produzidos por essa interação.
Na visão do autor, essa abordagem permite que a experiência deixe de ser percebida apenas como atributo qualitativo e passe a constituir um ativo econômico mensurável, capaz de influenciar decisões de investimento, planejamento estratégico e desenvolvimento organizacional.
O conceito está diretamente relacionado ao Projeto LEGADO BRASIL, iniciativa voltada à ativação produtiva de profissionais experientes por meio de plataformas digitais inteligentes e modelos cooperativos de atuação.
Entretanto, seu potencial ultrapassa esse projeto específico.
O IREL poderá servir como instrumento de apoio à avaliação econômica de programas de inovação tecnológica, projetos de transformação digital, iniciativas de gestão do conhecimento e políticas públicas voltadas ao aproveitamento do capital intelectual.
Ao longo das próximas edições, esta série abordará, entre outros temas:
- os fundamentos científicos do IREL;
- Inteligência Artificial aplicada à gestão do conhecimento;
- preservação do capital intelectual brasileiro;
- economia da longevidade;
- produtividade baseada em experiência profissional;
- avaliação econômica de ativos intangíveis;
- modelos internacionais de gestão do conhecimento;
- aplicações práticas do IREL em empresas, governos e instituições.
Segundo Sebastião Carlos Martins, o objetivo principal dessas publicações é estimular o debate sobre uma nova dimensão da economia do conhecimento.
“Durante décadas, aprendemos a medir máquinas, equipamentos, edifícios e investimentos financeiros. Talvez tenha chegado o momento de desenvolver instrumentos capazes de medir, com o mesmo rigor, o valor econômico da experiência humana.” Se essa proposta se mostrar consistente sob o ponto de vista acadêmico e prático, o Índice de Retorno Empresarial Legado (IREL) poderá representar uma nova contribuição brasileira para a literatura sobre avaliação de ativos intangíveis, complementando indicadores tradicionais e ampliando a compreensão do papel do capital intelectual no desenvolvimento econômico contemporâneo.
