Riley Rodrigues

Quando se fala em saneamento, imagina-se estações de tratamento, tubulações e reservatórios. Eu vejo o que conecta esses elementos: a inteligência operacional. Poucos exemplos demonstram tão bem quanto o Centro de Controle Operacional (CCO) do Macrossistema de Abastecimento de Água da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, do qual tenho a responsabilidade e o orgulho de ser o Coordenador-Técnico.


O CCO coordena, em tempo real, uma operação que integra diretamente a CEDAE, responsável pela produção de água, e as concessionárias Rio+Saneamento, Águas do Rio (SPE 1 e SPE 4) e Iguá Saneamento, encarregadas da distribuição, e mantém interface com outras concessionárias, como Águas de Niterói, Águas do Meriti e Zona Oeste Mais Saneamento.

Essa integração transforma diferentes operadores em um único sistema, capaz de responder rapidamente às variações de demanda e às ocorrências operacionais.


A área de atuação compreende 17 municípios e reúne barragens, sistemas de captação, reservação, grandes estações de tratamento (Guandu, Acari, Ribeirão das Lajes e Imunana-Laranjal) e elevatórias que, juntas, produzem e distribuem cerca de 55 mil litros de água por segundo, equivalente, a cada 13 dias, ao volume da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Coordenar essa estrutura exige monitoramento permanente e decisões precisas para assegurar a continuidade do abastecimento.


A real dimensão desse desafio está na população atendida. São 12,8 milhões de habitantes, mais que países como Bélgica (11,7 milhões), Grécia (10,3 milhões), Portugal (10,2 milhões), Suécia (10,1 milhões) e Emirados Árabes (10,0 milhões). O CCO administra uma infraestrutura essencial para uma população maior que a de diversas nações.


A dimensão física impressiona na mesma proporção. São 19 mil quilômetros de redes de abastecimento de água e 10 mil quilômetros de redes coletoras de esgoto, totalizando 29 mil quilômetros de infraestrutura, além de 43 km, a maior parte escavados em rocha.

Essa extensão corresponde a 72% da circunferência da Terra na Linha do Equador (a circunferência total mede aproximadamente 40.075 km). A extensão das redes equivale a dar quase três quartos de uma volta completa na terra ou a quase duas viagens de ida e volta entre o Rio de Janeiro e Porto, em Portugal.


O maior patrimônio do sistema não é a infraestrutura física, mas a capacidade de operar como uma única rede integrada. O CCO representa essa inteligência.

É dele que partem as decisões que garantem segurança, estabilidade e eficiência a um dos maiores e mais complexos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário do mundo. Quando o sistema funciona bem ninguém percebe sua existência.

Quanto maior essa invisibilidade maior o sucesso de uma operação cuja escala é comparável à de alguns países.


Sucesso garantido, 24h x 365 dias, não por máquinas ou IA, mas por pessoas reais, operadores que, mais que conhecimento, possuem a sensibilidade humana exigida para esse trabalho.

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