Os portos das regiões Sul e Sudeste devem sentir os maiores reflexos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A avaliação é do Observatório de Infraestrutura de Transportes, do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), que aponta concentração dos impactos nos principais polos exportadores do país.

De acordo com o presidente do IBI, Mario Povia, os efeitos da medida tendem a ser mais intensos no Porto de Santos (SP) e nos terminais localizados no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, estados que concentram o embarque de diversos produtos atingidos pelas sobretaxas.

Exportações de produtos industriais estão entre as mais afetadas

Segundo o instituto, os portos dessas regiões são responsáveis pelo escoamento de mercadorias como madeira de pinus, móveis, máquinas, plásticos, produtos têxteis, calçados, papel, açúcar, tabaco e rochas ornamentais, segmentos diretamente impactados pela política tarifária norte-americana.

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostra que cerca de 23% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos foram atingidas pelas novas tarifas. Em contrapartida, aproximadamente 52,7% dos produtos enviados ao mercado norte-americano ficaram de fora da medida, graças às exceções anunciadas pelo governo dos EUA.

Isenções reduzem impacto sobre a movimentação portuária

Apesar das restrições comerciais, especialistas avaliam que o sistema portuário brasileiro deve sofrer impactos limitados. Isso porque boa parte das cargas transportadas em contêineres foi contemplada pelas isenções.

Entre os produtos preservados estão carnes, café, celulose, pescados e frutas, mercadorias de maior valor agregado que representam parcela importante da movimentação conteinerizada brasileira.

Na avaliação do IBI, esse cenário tende a manter o ritmo das operações nos portos, concentrando os prejuízos apenas em determinadas cadeias produtivas e regiões, sem comprometer o desempenho geral da infraestrutura portuária nacional.

Setor de transporte também prevê reflexos em outros modais

Embora as isenções amenizem parte dos efeitos sobre as exportações, representantes do setor de transporte alertam para consequências indiretas em diferentes modais logísticos.

A gerente executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Schwantes, afirma que os principais impactos devem atingir produtos manufaturados e semimanufaturados. Ainda assim, ela reconhece que as exceções concedidas pelos Estados Unidos oferecem certo alívio para o agronegócio e para segmentos estratégicos da indústria brasileira.

Mesmo com esse cenário, a redução no volume de cargas destinadas ao mercado norte-americano pode afetar empresas de transporte rodoviário, ferroviário, marítimo e aéreo, em razão da diminuição do fluxo de mercadorias.

Empresas de logística podem enfrentar atrasos e queda na receita

Além da redução nas exportações, a CNT destaca que disputas comerciais dessa natureza costumam provocar atrasos nos processos aduaneiros, necessidade de renegociação de contratos e busca por novos mercados consumidores, fatores que aumentam os desafios para transportadoras e operadores logísticos.

O governo federal anunciou linhas de financiamento por meio do Programa Brasil Soberano para apoiar empresas exportadoras e fornecedores impactados pelas tarifas e pela instabilidade no Golfo Pérsico. No entanto, segundo a entidade, o pacote não contempla de forma direta o setor de transporte e logística, que sofre os efeitos da retração das exportações sem acesso específico às medidas de apoio.

Fonte: Com informações da CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Reuters

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