Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) promoveu audiência pública sobre o tema no Teatro FIERGS nesta quarta-feira (29)

O Teatro FIERGS foi palco, nesta quarta-feira (29), da Audiência Pública nº 11/2026, promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e voltada para receber contribuições às minutas do edital e do contrato de concessão dos corredores ferroviários Mercosul, Rio Grande e Paraná e Santa Catarina. O coordenador do Grupo Temático de Logística do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da FIERGS, Sérgio Klein, representando o presidente Claudio Bier, reafirmou a posição da entidade a favor da revisão da modelagem proposta, que prevê a segmentação da Malha Sul em três corredores independentes.  

Para a FIERGS, a divisão pode fragilizar a integração ferroviária do Sul e causar um prejuízo desproporcional ao estado, que perderia cerca de 47% de sua malha e ficaria restrito a corredores classificados como deficitários. “Durante muitos anos, nossa malha ferroviária perdeu capacidade por falta de investimentos e pela deterioração da infraestrutura”, destacou Klein. “Usar esse histórico como referência para projetar os próximos trinta anos significa limitar o potencial de crescimento da própria ferrovia”.  

O coordenador ressaltou que a Federação defende uma modelagem pensada para induzir o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, e não apenas para administrar a demanda de um sistema sucateado. “Não podemos planejar a ferrovia do futuro olhando apenas para as limitações do presente”, concluiu. 

Audiência Pública nº 11/2026 acontece nesta quarta-feira no Teatro FIERGS
Foto: Laise Jergensen

O superintendente de Concessão da Infraestrutura (Sucon) da ANTT, Marcelo Fonseca, afirmou que a audiência é “um momento de oportunizar o debate”, reforçando que as discussões funcionam como um pontapé inicial para o aprimoramento a partir dos estudos técnicos. Fonseca explicou que o encontro integra uma série de três sessões públicas na Região Sul, onde Curitiba (PR) recebeu o evento em 27 de julho, e Florianópolis (SC) sediará a última sessão nesta sexta-feira (31). 

Com aproximadamente 7 mil quilômetros de extensão, a atual Malha Sul atravessa São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O projeto em discussão divide a rede em três concessões independentes: o Corredor Paraná-Santa Catarina, o Corredor Mercosul e o Corredor Rio Grande.

Fonseca detalhou os estudos técnicos, os desafios operacionais e a dinâmica do leilão. Ele também pontuou impactos recentes, lembrando que o Corredor Mercosul foi diretamente afetado pela tragédia climática no estado, que inutilizou cerca de 1.140 km e afetou outros 432 km de vias. As contribuições ao edital podem ser feitas online, até 10 de agosto de 2026, por meio do link https://participantt.antt.gov.br/eventos?CodigoAudiencia=674

A audiência também contou com a presença de lideranças políticas que endossaram a preocupação com o fatiamento da malha. O vice-governador do estado, Gabriel Souza, afirmou que é essencial o trabalho conjunto para viabilizar uma logística competitiva no Sul do Brasil, o que não existiria sem o desenvolvimento da malha ferroviária.

https://www.fiergs.org.br/noticia/fiergs-manifesta-preocupacao-com-modelagem-proposta-para-malha-sul-ferroviaria

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