Riley Rodrigues

Em meu artigo sobre a responsabilidade do CCO Metropolitano do Rio de Janeiro recebi uma pergunta de Bruno Silva que, de tão boa, decidi responder com um artigo sobre ela.

Um sistema como o CCO Metropolitano funciona como um organismo vivo. Não basta produzir e transportar cerca de 55 m³/s de água. É preciso garantir que essa água chegue com pressão adequada, qualidade preservada e segurança operacional para 13 milhões de pessoas, mesmo diante de mudanças constantes no consumo, nas condições climáticas ou em eventuais falhas de equipamentos.

A função do CCO é coordenar, em tempo real, a operação integrada entre a produção da água, realizada pela Cedae, e a distribuição executada pelas concessionárias, assegurando que todas as decisões sejam tomadas com base no comportamento hidráulico de todo o sistema e não apenas de uma área isolada.

Essa governança hidráulica é sustentada por um conjunto de modelos matemáticos e hidráulicos, aliados à supervisão contínua por milhares de dados provenientes de sensores distribuídos ao longo da rede. Esses modelos simulam diferentes cenários operacionais e permitem aos operadores avaliarem, antes da execução, os impactos de cada manobra sobre pressões, vazões, níveis de reservatórios e qualidade da água.

Na prática, o CCO utiliza uma abordagem de otimização multicritério. Cada decisão busca equilibrar simultaneamente diversos objetivos: manter a continuidade do abastecimento, preservar a estabilidade das pressões, reduzir perdas de água, minimizar o consumo de energia, controlar o tempo de permanência da água nos reservatórios, fator importante para a manutenção da qualidade, e evitar transientes hidráulicos, como golpes de aríete, que podem provocar danos às tubulações.

Estamos avançando para que a tomada de decisão também conte com recursos de inteligência artificial em análise preditiva, modelos que identificarão padrões de operação, antecipando comportamentos do sistema e apoiando operadores na escolha da estratégia mais segura diante de eventos como rompimentos de adutoras, aumento da turbidez nos mananciais, indisponibilidade de estações elevatórias ou mudanças bruscas na demanda. Em vez de apenas reagir às ocorrências, o CCO passa a atuar de forma preventiva, reduzindo riscos e acelerando a recuperação da operação.

Mais do que controlar equipamentos, o CCO exerce uma função de coordenação técnica entre diferentes operadores que compartilham a mesma infraestrutura. Essa visão integrada permite que decisões sejam tomadas considerando seus efeitos em toda a Região Metropolitana, promovendo maior resiliência, eficiência operacional e segurança hídrica para aproximadamente 13 milhões de pessoas. Em sistemas complexos, a governança hidráulica é, acima de tudo, a capacidade de transformar milhares de informações em decisões rápidas, coordenadas e tecnicamente fundamentadas.

*Foto pública da inauguração oficial

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