Painel sobre triagem, economia circular e inclusão produtiva dos catadores foi mediado por Maurício Batista, Diretor Presidente da Regenera Rio

Infraestrutura, tecnologia, justiça climática, economia circular e desenvolvimento social estão entre os temas da programação do Rio Innovation Week, que acontece entre os dias 4 e 7 de agosto, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. A Regenera Rio integrou o evento com o painel “Triagem e Inclusão Produtiva: Como a Tecnologia e a Organização de Catadores podem Transformar a Gestão de Resíduos no Rio de Janeiro”, mediado por Maurício Batista, Diretor Presidente da companhia.

O debate reuniu Pedro Maranhão, Presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), e Renato Paquet, fundador e CEO da Polen – Solução e Valoração de Resíduos, que discutiram como inovação, infraestrutura e organização da cadeia da reciclagem podem fortalecer a economia circular, ampliar a recuperação de materiais recicláveis e promover a inclusão produtiva dos catadores.

A gestão moderna de resíduos vai além da destinação ambientalmente adequada. Nesse contexto, a triagem ocupa uma posição estratégica ao ampliar o reaproveitamento de materiais, reduzir o volume destinado aos aterros sanitários e impulsionar uma economia circular que integra poder público, empresas, cooperativas, indústria recicladora e catadores em torno de um objetivo comum: gerar mais valor ambiental, social e econômico para a sociedade. 

Para Maurício Batista, Diretor Presidente da Regenera Rio, o Brasil vive um momento decisivo para estruturar uma nova etapa da gestão de resíduos. “A Regenera Rio tem uma visão de longo prazo para esse setor e interesse em investir em unidades de triagem. Hoje existe consenso de que essa é uma infraestrutura estratégica para ampliar a recuperação de materiais recicláveis, e requer integração entre poder público, iniciativa privada e cooperativas de catadores, além de investimentos e políticas públicas que garantam segurança jurídica para escalar esse modelo”, defendeu.

Segundo Pedro Maranhão, presidente da ABREMA, o país ainda está distante de aproveitar todo o potencial econômico dos resíduos. “Hoje reciclamos, no máximo, 8% dos resíduos produzidos no país. A riqueza desse setor passa pelo encerramento dos lixões, mas também pelo desenvolvimento de novas cadeias de valorização abrangidas pelo novo conceito da reciclagem bioenergética, como a produção de biometano, energia elétrica, combustíveis derivados de resíduos (CDR) e outros produtos da cadeia de gestão de resíduos que se constituem em fontes renováveis de energia”.

Na avaliação de Renato Paquet, fundador e CEO da Polen, a tecnologia deve ser utilizada para aumentar a eficiência da reciclagem sem substituir o trabalho dos catadores. “A triagem mecanizada otimiza o trabalho, melhora a renda, reduz o tempo de processamento e proporciona mais qualidade de vida aos catadores. O ideal é que essas estruturas sejam integradas à atuação desses profissionais”, afirmou.

Aegea aposta em inovação para saneamento

Com o tema “Simbiose – o futuro não acontece isolado”, a sexta edição do Rio Innovation Week reforça a importância da colaboração entre empresas, poder público, academia e sociedade para enfrentar desafios complexos e construir soluções de longo prazo. Nesse contexto, o saneamento ganha protagonismo ao ser discutido sob diferentes perspectivas. Mais do que apresentar novas tecnologias, os painéis mostram como engenharia, gestão e inovação vêm sendo utilizadas para ampliar o acesso aos serviços essenciais, reduzir desigualdades e promover desenvolvimento humano. A recuperação ambiental é apresentada como consequência desse processo, à medida que mais pessoas passam a contar com água tratada, coleta e tratamento de esgoto e gestão adequada de resíduos.

Além da participação da Regenera Rio, a programação reúne outros representantes da Aegea para discutir diferentes dimensões do saneamento. Édison Carlos, Presidente do Instituto Aegea, abordou os impactos da expansão da infraestrutura sobre a saúde pública e a redução das desigualdades. Radamés Casseb, CEO da Aegea Saneamento, falará sobre os desafios da gestão de grandes projetos de infraestrutura. Já Sinval Andrade, Diretor Institucional da Águas do Rio, discutirá a relação entre recuperação ambiental e desenvolvimento econômico a partir da revitalização da Praia do Flamengo, enquanto Renan Mendonça, Diretor Executivo, também da Águas do Rio, apresentará a experiência da implantação da infraestrutura de esgotamento sanitário no Complexo da Maré.

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