Possuir ativos deixou de ser vantagem competitiva em operações dinâmicas. Essa é a tese que todo gestor precisa internalizar agora: em um cenário de tecnologia que evolui rápido e demanda que oscila, o que diferencia uma operação vencedora não é o tamanho do patrimônio imobilizado, é a capacidade de acessar o equipamento certo, atualizado, no momento exato. A pergunta mudou de “quanto eu tenho” para “com que velocidade eu me adapto”.
O movimento “as a service” explica por que essa virada acelerou. O modelo que começou em software migrou para hardware e chegou ao chão de fábrica. No Brasil, o mercado de locação de máquinas e equipamentos reúne cerca de 50 mil empresas, emprega mais de 200 mil pessoas e movimenta aproximadamente R$ 49 bilhões por ano, segundo o Rental Market Report 2025, estudo elaborado pela Analoc em parceria com a KPMG. Desse total,60% das locadoras atuam na construção civil, evidenciando a importância do setor para a infraestrutura e o desenvolvimento econômico. O aluguel também amplia sua participação na comercialização de equipamentos: na linha amarela, já responde por cerca de 30% das vendas, enquanto, em segmentos como plataformas aéreas, as locadoras representam entre 90% e 95% das aquisições. Apesar desse avanço, o mercado brasileiro ainda apresenta amplo potencial de crescimento quando comparado a países onde a cultura da locação está mais consolidada, como Estados Unidos e diversos mercados europeus.
A lógica financeira é o coração da decisão. Comprar é Capex: desembolso alto no presente, capital imobilizado e retorno que só aparece no médio prazo. Locar é OPEX: mensalidade previsível, capital de giro preservado e benefício imediato. Há ainda o efeito fiscal. Despesas de locação são deduzidas integralmente da base de IRPJ e CSLL, enquanto na compra a empresa só deduz a depreciação limitada por tabela. Na prática, o aluguel gera um escudo fiscal mais rápido e melhora o fluxo de caixa mensal.
Três fatores tornam a locação a escolha racional em operações dinâmicas. O primeiro é a obsolescência: equipamentos evoluem em eficiência, segurança e sustentabilidade, e quem compra carrega o risco de envelhecer a frota. O segundo é a flexibilidade: contratar conforme a demanda evita ativo ocioso. O terceiro é a transferência de responsabilidade técnica e documental, incluindo conformidade com as Normas Regulamentadoras, reduzindo riscos de autuação e parada.
A recomendação prática é avaliar o custo total de propriedade antes de qualquer decisão e fazer três perguntas: por quanto tempo vou usar, com que intensidade e qual o risco de obsolescência. Para operações dinâmicas, a resposta quase sempre aponta para a locação.
• Por: Yuri Santos, CEO da Carmak, com formação em Administração pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Yuri Santos também possui certificação em Gestão e Estratégia pelo G4. Sua trajetória na Carmak começou em 2009 como Diretor Administrativo. Em 2016, assumiu a Diretoria Comercial, ampliando sua atuação e contribuindo diretamente para o crescimento da empresa. Hoje, como CEO, lidera a companhia com foco em eficiência operacional, desenvolvimento de pessoas e soluções que geram valor real aos clientes.
