Mais do que construir data centers, o mercado passa a depender da gestão de equipamentos que sustentam a economia digital
A expansão dos data centers colocou o Brasil em uma nova etapa da economia digital. À medida que empresas aceleram investimentos para atender à crescente demanda por inteligência artificial, computação em nuvem, 5G e processamento de dados, um desafio passou a ganhar importância nos bastidores dessa transformação: garantir que milhares de equipamentos críticos permaneçam disponíveis, seguros e operacionais durante todo o seu ciclo de vida.
Wagner Righetti, especialista em tecnologia aplicada à logística, transporte e automação operacional e CEO da Orange Envios, empresa especializada em gestão logística de ativos críticos para os setores de tecnologia, telecomunicações, energia e comércio eletrônico, afirma que o crescimento da infraestrutura digital está mudando o papel da logística dentro das empresas. “Durante muitos anos, essa área foi vista como uma atividade voltada ao transporte e à armazenagem. Hoje, ela passou a integrar a própria infraestrutura tecnológica, porque é responsável por garantir que equipamentos estratégicos estejam disponíveis quando a operação precisa deles”, aponta.
O mercado de data centers no Brasil segue impulsionado pela digitalização da economia e pelo crescimento da demanda por serviços digitais. Ao lado da construção de novas estruturas, cresce também a necessidade de administrar ativos de alto valor, como servidores, switches, roteadores, storages, modems, placas eletrônicas e fontes de alimentação, equipamentos que exigem rastreabilidade, controle patrimonial, armazenagem de alta confiabilidade, testes técnicos e substituição rápida para evitar interrupções.
Segundo Righetti, a disponibilidade desses ativos passou a ter impacto direto na continuidade dos negócios. “O maior desafio deixou de ser apenas instalar equipamentos. O que diferencia uma operação é a capacidade de localizar rapidamente um ativo, substituir componentes, recuperar equipamentos sempre que possível e reduzir o tempo de indisponibilidade. Em muitos casos, minutos de interrupção representam prejuízos financeiros, descumprimento de SLA e impacto sobre serviços essenciais”.
Essa mudança transformou os centros de distribuição que atendem empresas de tecnologia. Em vez de apenas armazenar produtos, essas operações passaram a administrar infraestrutura crítica, reunindo processos de serialização, rastreabilidade individual, inspeções técnicas, logística reversa, recondicionamento e gestão do ciclo completo dos equipamentos.
Além de ampliar a eficiência operacional, esse modelo também contribui para reduzir desperdícios e fortalecer iniciativas de economia circular. Equipamentos que antes eram descartados passaram a ser recuperados, testados e reinseridos na operação sempre que atenderem aos requisitos técnicos, reduzindo custos e prolongando sua vida útil.
“O ciclo de vida dos equipamentos passou a ser um ativo estratégico para as empresas. A capacidade de recuperar, reutilizar e dar a destinação correta aos ativos deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a fazer parte da estratégia de eficiência, sustentabilidade e continuidade dos negócios”, afirma.
Embora essa operação permaneça praticamente invisível para a maior parte da população, seus impactos estão presentes em atividades cotidianas. Sempre que uma instituição financeira processa um Pix, uma empresa disponibiliza uma plataforma de inteligência artificial, um provedor entrega serviços em nuvem ou milhões de pessoas acessam plataformas de streaming e comércio eletrônico simultaneamente, existe uma cadeia logística garantindo que servidores e equipamentos críticos permaneçam funcionando de forma contínua.
Para Righetti, esse cenário deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, acompanhando a expansão da infraestrutura digital brasileira. “A transformação digital não depende apenas da capacidade computacional dos data centers. Ela depende da capacidade de manter toda essa infraestrutura disponível, segura e operacional ao longo de seu ciclo de vida. É essa operação, muitas vezes invisível, que sustenta os serviços digitais utilizados diariamente por empresas e consumidores.”
Sobre Wagner Righetti
Wagner Righetti é especialista em tecnologia aplicada à logística, transporte e automação operacional, com mais de 20 anos de experiência na área de Tecnologia da Informação. Graduado em Ciência da Computação, iniciou sua trajetória empreendedora aos 21 anos e, ao longo da carreira, participou do desenvolvimento de soluções tecnológicas para empresas como EBX, Bradesco, Itaú Unibanco, JadLog, PostalGow, MTLOG Brasil e Address Logística, atuando em projetos de transformação digital, escalabilidade de sistemas e inteligência operacional.
Com expertise em arquitetura de software, inteligência artificial, cloud computing, integração de APIs e automação de processos, é especializado no desenvolvimento de plataformas logísticas de alta performance. Sua atuação inclui a criação de sistemas para integração com transportadoras, rastreamento em tempo real, microsserviços e soluções SaaS voltadas para operações logísticas de grande escala, e-commerce e supply chain.
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Sobre a Orange Envios
A Orange Envios é uma plataforma de fretes criada para ajudar pequenos e médios e-commerces a escalar suas operações com mais eficiência, controle e previsibilidade. Integrante do Grupo PostalGow, que possui mais de 30 mil m² de operações logísticas distribuídas pelo Brasil, a empresa nasceu da experiência prática de profissionais que atuam diretamente na gestão de transporte, distribuição e tecnologia aplicada à logística.
A plataforma reúne em um único ambiente as melhores transportadoras do mercado, comparação inteligente de fretes e integrações com plataformas de e-commerce e ERPs , além de recursos de automação e inteligência artificial para otimizar decisões operacionais. Com foco na profissionalização da logística para o comércio eletrônico, a Orange Envios combina tecnologia e conhecimento operacional para apoiar o crescimento sustentável dos e-commerces brasileiros.
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Fontes de pesquisa
IBGE
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47410-internet-chega-a-95-de-domicilios-do-pais-em-2025
Conexis Brasil Digital https://conexis.org.br/wp-content/uploads/2026/04/CONEXIS_AGENDA-LEGISLATIVA_2026_DIGITAL.pdf
Brasscom
https://brasscom.org.br/pdfs/relatorio-setorial-2025/
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Carolina Lara
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