Novo modelo tributário exigirá revisão de processos, contratos, tecnologia e gestão operacional para manter a competitividade

A reforma tributária já ocupa lugar de destaque na agenda das empresas brasileiras. Mais do que uma adequação fiscal, a transição para o novo modelo exigirá revisões em processos, tecnologia, contratos, precificação e estratégias operacionais, especialmente em setores complexos, como o de logística. No entanto, a preparação ainda está em diferentes estágios. Segundo o Panorama do Contas a Pagar 2026, levantamento realizado pela Qive, apenas 38% das organizações começaram a mapear os impactos da reforma tributária, enquanto a maioria ainda não avançou nessa etapa, evidenciando que muitas organizações ainda precisam acelerar seus planos de adaptação.

Para Erika Daguani, CPO e CHRO da Qive, plataforma líder em contas a pagar, a principal recomendação para as empresas é não tratar a reforma tributária apenas como um projeto da área fiscal. “Mais do que entender as novas regras, as empresas devem avaliar se seus processos, dados e sistemas estão preparados para operar nesse novo cenário. Em setores como o de logística, onde há uma cadeia extensa de fornecedores e um alto volume de documentos fiscais, a integração entre áreas como fiscal, financeiro, compras e operações será determinante para reduzir riscos e evitar retrabalho. Quem começa agora ganha tempo para qualificar a base de fornecedores e organizar a governança dos dados antes de o novo modelo entrar em operação plena”.

Diante desse cenário, 4 especialistas de diferentes empresas logísticas compartilham abaixo quais são as principais recomendações para que companhias do setor se preparem para as mudanças. Confira! 

1 – Planejamento tributário e segurança jurídica são fundamentais 

Para Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil, única consultoria brasileira especializada em gestão tributária, financeira, jurídica e contábil para transportadoras, a Reforma Tributária exige uma mudança de mentalidade das empresas, que precisam incorporar as novas regras ao planejamento estratégico e financeiro desde já: “A principal recomendação é que as empresas deixem de tratar a Reforma Tributária apenas como uma mudança na forma de recolher impostos. Ela traz impactos diretos sobre contratos, fluxo de caixa, precificação, estrutura societária e tomada de decisões. Quem entender antecipadamente os reflexos tributários e fiscais da reforma terá mais segurança para tomar decisões e manter a competitividade durante todo o período de transição”, explica. 

2 – Gestão de frotas e abastecimento precisarão ser ainda mais inteligentes

Para Kassio Seefeld, CEO e fundador da TruckPag, empresa de tecnologia de meios de pagamentos para frotas pesadas, além das mudanças tributárias, a reforma exigirá que transportadoras invistam em inteligência operacional para controlar custos e aumentar a eficiência da gestão de frotas: “Empresas que já trabalham com gestão inteligente de abastecimento, monitoramento de custos da frota e integração de dados terão mais capacidade de responder rapidamente às mudanças. O abastecimento representa uma das principais despesas do transporte rodoviário e qualquer alteração na estrutura tributária influencia o planejamento financeiro e operacional. Ter tecnologia para acompanhar essas informações em tempo real permitirá decisões mais estratégicas, redução de desperdícios e maior eficiência na gestão da frota”, comenta. 

3 – Integração logística com apoio da tecnologia

Para Vasco Oliveira, CEO da nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina e quarta maior empresa SaaS brasileira, planejamento, tecnologia e gestão integrada serão fundamentais para garantir a adaptação ao novo regime. “A reforma tributária não é uma ideia distante: ela já está em curso, e os efeitos serão profundos. O principal erro neste momento é subestimar o impacto da reforma e não tratar o planejamento como prioridade. A transformação fiscal exige agilidade, inovação e uma visão estratégica integrada de toda a operação”, afirma o executivo. Com esse objetivo, a companhia criou a Transportation Network System (TNS), uma rede logística integrada em uma única plataforma com diversas soluções. A tecnologia permite que as empresas evoluam seus negócios, cresçam com eficiência de custos e realizem entregas mais ágeis, além de gerar impacto social ao contribuir para a redução das emissões de CO2, do índice de acidentes e do roubo de cargas.

4 – Maior controle e integração de informações entre setores será essencial Segundo Rodrigo Santos, head financeiro da Tragetta, divisão de transporte do Grupo FEMSA, o novo sistema, baseado na lógica de crédito financeiro amplo, pode reduzir distorções históricas, mas exigirá maior controle e integração de informações. “O impacto estará ligado à capacidade das empresas de organizar dados, automatizar processos e garantir previsibilidade fiscal. As empresas precisarão revisar seus modelos de custo, integrar informações entre setores e fortalecer o planejamento estratégico para garantir previsibilidade e eficiência durante o período de transição”, afirma o executivo.

Joana Sayuri joana.sayuri@pine.br.com

Deixe um comentário

×