PNL 2050 orientará as prioridades da infraestrutura nas próximas décadas e reúne contribuições técnicas de entidades e empresas do transporte

Por Agência CNT Transporte Atual
12/08/202618h30

O Executivo apresentou, nesta quarta-feira (12), o planejamento que orientará as prioridades da infraestrutura de transportes nas próximas décadas. Lançado em Brasília, o PNL (Plano Nacional de Logística) 2050 estabelece diretrizes para investimentos, manutenção e integração dos diferentes modos, com foco na eficiência das operações e na competitividade do país.

O lançamento reuniu autoridades do governo federal, especialistas, representantes dos setores produtivos e integrantes da sociedade civil. O diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, representou o Sistema Transporte na cerimônia de abertura, que contou com a presença dos ministros dos Transportes, George Santoro; de Portos e Aeroportos, Tomé Franca; e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

O documento estabelece prioridades para investimentos em manutenção e apresenta um cenário de expansão da infraestrutura composto por 31 eixos prioritários, sendo 12 rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais. A construção do plano ocorreu ao longo de cerca de dois anos e envolveu representantes dos setores produtivos, dos estados e da sociedade civil.

Na avaliação de Valter Souza, o lançamento do PNL 2050 marca um momento importante para o setor transportador, por consolidar uma visão de longo prazo construída a partir do diálogo e dos desafios da logística brasileira. “A CNT acredita que o verdadeiro teste do PNL começa hoje. O lançamento é o ponto de partida. A execução é que vai definir o seu sucesso. Por isso, nossa expectativa é que os próximos ciclos de planejamento sejam preservados, que as prioridades sejam constantemente atualizadas, que os resultados sejam monitorados e que o setor transportador continue tendo participação ativa nesse processo. Quem transporta precisa continuar sendo ouvido. Quem investe precisa ter previsibilidade. E quem planeja precisa ter a garantia de que aquilo que foi planejado poderá ser executado. A CNT continuará contribuindo, de forma técnica e institucional para esse processo”, afirma.

Segundo o diretor, o PNL deve ser tratado como uma política de Estado para que suas prioridades atravessem os ciclos de governo e sejam efetivamente executadas. “O plano precisa ter continuidade, governança, respaldo técnico e recursos assegurados nos instrumentos orçamentários. Esses elementos são fundamentais para dar previsibilidade ao setor e garantir que os empreendimentos priorizados avancem, transformando planejamento em manutenção adequada, expansão racional da infraestrutura e maior integração entre os modos”, complementa.

Em sua fala, o ministro dos Transportes, George Santoro, destacou que o PNL 2050 muda a lógica de definição das prioridades para a infraestrutura do país. “Durante muito tempo, o Brasil escolheu obras e depois procurou uma estratégia para justificá-las. No PNL 2050, fizemos o contrário. Primeiro, perguntamos que Brasil queremos construir; depois, quais problemas precisamos resolver; e, só então, quais investimentos fazem sentido. Pode parecer uma mudança simples, mas é uma mudança de cultura”, disse.

Por fim, o ministro mencionou que o próximo passo, seguindo a lógica do PIT (Planejamento Integrado de Transportes), é detalhar o PNL em planos táticos que contemplem as diferentes modalidades do transporte.  Esses planos devem ser publicados até dezembro de 2026.

Participação do setor

Como parte da programação de lançamento do PNL 2050, a assessora governamental da CNT, Maria Carolina Noronha, participou do painel “O que é o PNL 2050”. O debate reuniu também o especialista em Políticas e Indústria da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ramon Goulart Cunha, e o presidente-executivo da Anut (Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Cargas), Luis Baldez. A apresentação foi conduzida pela subsecretária de Fomento e Planejamento do Ministério dos Transportes, Gabriela Avelino, que detalhou a metodologia, os objetivos e os eixos prioritários do plano.

Em sua participação, Maria Carolina ressaltou a importância do horizonte de longo prazo para orientar os investimentos em infraestrutura e destacou o envolvimento da CNT na elaboração do documento. 

“Envolvemos nossas 63 entidades associadas e filiadas na avaliação do diagnóstico. Participamos ativamente dos 20 encontros regionais, por meio das Federações de Transporte, levando para o debate as diferentes realidades do nosso país. O Brasil é continental, tem diferentes economias, diferentes vocações produtivas e diferentes gargalos logísticos. E um planejamento nacional só será efetivo se for capaz de enxergar essas diferenças”, expôs a especialista.

Maria Carolina explicou, ainda, que as contribuições da Confederação foram orientadas pela multimodalidade e pela visão integrada dos corredores logísticos. Como exemplo, ela citou o trabalho realizado com o setor portuário para identificar problemas nos acessos aos terminais e levar essas necessidades às audiências públicas e às discussões que subsidiaram o PNL 2050.

Com o lançamento, o Sistema Transporte passa a acompanhar a implementação das prioridades definidas e a atualização periódica do plano ao longo dos próximos ciclos de planejamento, mantendo a participação dos transportadores. Para a CNT, essa continuidade será decisiva para construir a logística projetada para 2050, com infraestrutura mais integrada e sustentável, operações mais eficientes e redução dos custos que afetam a competitividade e o desenvolvimento do país.

https://www.cnt.org.br/agencia-cnt/plano-nacional-de-logistica-2050-com-contribuicoes-da-cnt

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