Diretora executiva Fernanda Rezende apresentou diagnóstico da mobilidade urbana e propostas para financiamento e infraestrutura durante o Seminário Nacional NTU 2026
Por Agência CNT Transporte Atual
13/08/202617h26

A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, apontou, nesta quarta-feira (12), durante o Seminário Nacional NTU 2026, na LAT.BUS, em São Paulo, a necessidade de R$ 518,4 bilhões em investimentos para 328 projetos urbanos e defendeu o fortalecimento do transporte coletivo como política pública de longo prazo. Na apresentação sobre mobilidade urbana, Fernanda reuniu dados da Pesquisa CNT de Mobilidade Urbana, do O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País e do Plano CNT de Transporte e Logística 2026 para apresentar o cenário atual e propostas para ampliar a eficiência dos sistemas de transporte nas cidades.
O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 engloba 328 projetos, com investimentos estimados em R$ 518,4 bilhões, voltados principalmente ao transporte de passageiros nos contextos urbanos e metropolitanos. No segmento rodoviário urbano, estão previstos 230 projetos, que somam R$ 97,6 bilhões e abrangem 2.896,4 quilômetros. Desse total, 204 projetos são de implantação de sistemas de priorização do transporte coletivo, com 2.694,2 quilômetros e investimentos estimados em R$ 86,4 bilhões. A carteira inclui também intervenções como corredores de ônibus, faixas exclusivas e BRT, além de adequação e construção de vias urbanas.
Ao apresentar a carteira do Plano CNT, Fernanda Rezende reforçou a proposta de integração entre os diferentes meios de transporte. “Se não tem uma infraestrutura de qualidade para fluir o transporte de pessoas ou de cargas, o Brasil colapsa. O setor é essencial para a economia do país e, por isso, tem que ser olhado com muita atenção em relação aos investimentos”.
Outro ponto destacado foi a mudança no comportamento da população em relação aos meios de transporte. De acordo com a Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana, apresentada pela diretora executiva, o ônibus teve sua participação reduzida como o meio de transporte mais utilizado nas cidades, com percentual de 30,9% em 2024 ante 45,2% dos deslocamentos em 2017. O carro próprio saltou de 22,2% para 29,6% no mesmo período, e utilização de serviços oferecidos por aplicativos passou de 1,0% para 11,1%, enquanto a de motocicletas próprias subiu de 5,1% para 10,9%.
A partir desse diagnóstico, Fernanda Rezende destacou a necessidade de uma política de financiamento perene para garantir a sustentabilidade dos sistemas de transporte coletivo. Entre as propostas apresentadas pela CNT, estão linhas de financiamento específicas para ações de mobilidade urbana, revisão periódica das tarifas para garantir o equilíbrio econômico-financeiro das concessões e autorizações, manutenção da desoneração da folha de pagamento das empresas de transporte coletivo urbano e adoção de diferentes fontes de custeio.
“Quando o transporte coletivo é mantido somente com a tarifa paga pelo passageiro, não sustenta uma queda de demanda. Por isso, essa modalidade precisa de incentivos para sua sustentabilidade financeira, além de linhas de financiamento específicas para compra de novos veículos. Essa tem que ser constante, com a integração entre governo federal, governo estadual e governos municipais para que o transporte consiga receber de fato esse cuidado”, apontou.
Além do financiamento, a apresentação destacou a priorização da ampliação da infraestrutura para o transporte coletivo, com construção e adequação de vias, sistemas de priorização e soluções como monotrilho, VLT e aeromóvel. Fernanda Rezende também ressaltou a importância da integração entre os meios de transporte e da adequação de estações e terminais, com o ônibus fazendo a ligação entre os sistemas estruturantes e os locais de origem e destino dos passageiros.
Além da eficiência na mobilidade urbana, o fortalecimento do transporte coletivo também tem impacto direto na agenda ambiental. Segundo o Inventário CNT de Emissões de Gases do Efeito Estufa, ônibus e micro-ônibus responderam por 10,61% das emissões de CO2 do setor de transporte em 2023, enquanto automóveis, motocicletas e comerciais leves somaram 48,25%. A comparação por passageiro transportado reforça essa diferença: de acordo com o estudo, um automóvel emite seis vezes mais que um ônibus. Os dados mostram o potencial do transporte coletivo para contribuir para a redução das emissões associadas ao uso de veículos individuais.
Cerimônia de abertura
A abertura oficial do Seminário Nacional NTU 2026 e da Feira Lat.Bus reuniu representantes do governo federal, do poder público municipal, de instituições de financiamento e do setor produtivo na terça-feira (11). Participaram da mesa o ministro das Cidades, Antonio Vladimir Moura Lima; o prefeito de Porto Alegre e presidente da FNP (Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos), Sebastião de Araújo Melo; o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Nelson Henrique Barbosa Filho; o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Igor Nogueira Calvet; o presidente da Fabus (Associação Nacional de Fabricantes de Ônibus), Ruben Bisi; o diretor executivo da OTM Editora, Marcelo Fontana; e o presidente do Conselho Diretor da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Edmundo de Carvalho Pinheiro.
Vice-presidente da Seção de Transporte Rodoviário de Passageiros da CNT, Eudo Laranjeiras também participou da mesa de abertura e destacou a presença do Sistema Transporte no evento. Segundo ele, a participação da CNT, do SEST SENAT e do ITL reforça o compromisso das instituições com o desenvolvimento do transporte público urbano e metropolitano. “O Sistema Transporte não poderia estar de fora e, a cada ano, amplia sua participação. Isso é importante para o transporte público urbano e metropolitano desse país”, afirmou. Eudo também ressaltou a atuação das instituições do Sistema Transporte no apoio às empresas, na capacitação e na promoção da saúde dos trabalhadores e na formação de gestores.
