Caxias do Sul se consolidou como um dos principais polos industriais do país, com uma cadeia produtiva diversificada, forte vocação empreendedora, formação profissional e empresas que geram impacto econômico e social.

É SÓ NOTÍCIA BOA!

Do parafuso ao ônibus. Da indústria de alimentos às empresas de logística. Caxias do Sul construiu, ao longo de décadas, uma cadeia produtiva diversificada e integrada que ajuda a explicar por que o município se consolidou como um dos principais polos industriais do país.

Um dos exemplos dessa integração está na empresa Marcopolo. A fabricação de um único ônibus envolve cerca de 12 mil peças diferentes e uma cadeia de aproximadamente 3,5 mil fornecedores.

O gerente de compras da empresa, Alison Salomoni, conta que a produção impacta, aproximadamente, 35 mil famílias.

— Desses fornecedores que a gente tem aqui na Serra gaúcha, cerca de 300 estão conosco há mais de 30 anos. Alguns, há mais de 70 anos — destaca Salomoni.

Mesmo assim, fortalecer a cadeia faz parte da estratégia, com treinamentos com baixo custo ou até sem custo para os fornecedores.

E para quem participa dessa rede diariamente, existe um sentimento compartilhado de pertencimento.

— Quando a gente vê aquele veículo saindo no fim da linha de produção, o orgulho é enorme. E não só para quem atua aqui, mas para todos os fornecedores locais, porque eles sabem que dentro daquele produto tem um componente fornecido por eles — afirma Alison Salomoni.

“Onde você imaginar, vai ter parafuso”

A conexão entre os diferentes elos da economia também pode ser vista na Fusopar, empresa especializada em parafusos e sistemas de fixação. O estoque tem aproximadamente 12 mil toneladas e 85 mil itens diferentes.

O empresário Edson Balbinot lembra que a falta de um único parafuso pode comprometer uma linha inteira de produção. Nesse contexto, a logística passou a ter papel estratégico dentro da cadeia produtiva.

— Hoje a indústria não tem mais estoque. A gente supre toda a cadeia produtiva, às vezes com funcionários nossos dentro da indústria também para abastecer a linha — explica.

Além do fornecimento, existe troca de conhecimento entre as empresas.

— A indústria vai montar um produto novo, nos procura, e a nossa engenharia e o laboratório vão atender, sugerir o que deve usar e o que não deve usar. Isso acontece muito — acrescenta.

Vocação empreendedora 

Em uma cidade marcada pela força da indústria, aprender um ofício, conquistar espaço no mercado de trabalho e, depois, abrir o próprio negócio é uma trajetória comum. 

Um exemplo é o da família Betanin. Há 41 anos, dona Rosa Betanin chegou a Caxias do Sul vinda de Santa Catarina com os quatro filhos. No início, enquanto trabalhavam em metalúrgicas da cidade, fizeram cursos.

— Cada um sabia fazer uma coisa e compraram a máquina e foram construindo a firma deles — lembra Rosa. 

— A gente comprou a primeira máquina sem dinheiro nenhum, só com parcerias de serviço. Fomos pagando e comprando mais uma, mais uma e mais uma — acrescenta Vilson Betanin.

Hoje, a MIB Irmãos Betanin, instalada no bairro Pio X, fornece peças para máquinas e equipamentos industriais. Para Ângelo Betanin, a inspiração veio justamente dos empresários com quem trabalhou ao longo dos anos. E resume o sentimento que motivou tantas histórias semelhantes na cidade:

— Se o Raul Randon conseguiu, por que a gente não pode conseguir também?

Formação profissional 

A trajetória da família reflete um movimento observado há décadas em Caxias do Sul. Segundo o Senai, cerca de 300 mil pessoas já passaram por cursos profissionalizantes da instituição na cidade, em 80 anos

O gerente de operações de educação profissional do Senai, Igor André Krakheche, comenta que, em muitos casos, o novo empreendedor passa a fornecer produtos ou serviços para a empresa onde trabalhou:

— Já há confiança e o empregado arrisca abrir uma empresa em um segmento que conhece.

Diversidade produtiva 

Conhecida nacionalmente pela força do setor metalmecânico, Caxias do Sul também abriga empresas que atuam em áreas bem distintas. 

O auxiliar de manutenção Carlito Silva de Moura conhece bem a diversidade produtiva de Caxias. Depois de perder uma das pernas em um acidente de moto, o morador de Garibaldi encontrou em Caxias do Sul uma oportunidade de se movimentar com mais liberdade.

— A primeira vez que eu coloquei a prótese para mim foi assim, como quando uma criança ganha um presente. Eu fiquei muito feliz — lembra.

A prótese foi feita pelo técnico ortopédico Henrique Thomazini Ribeiro, da Usina das Órteses, que explica que cada equipamento exige um trabalho personalizado:

— Cada paciente é um paciente, cada órtese é uma órtese, cada prótese é uma prótese. É muito refinado o trabalho. É quase uma arte.

A empresa surgiu a partir de uma experiência familiar. O que começou como uma necessidade da Sophia, que hoje tem 14 anos, por uma órtese, acabou se transformando em um negócio focado em um segmento ainda pouco explorado no Brasil.

— É um nicho em que existem poucas empresas e poucos profissionais. Estar aqui no interior do Rio Grande do Sul prestando esse atendimento é motivo de orgulho para nós — afirma a empresária Andressa Ostreich, mãe da Sophia. 

No fim, os resultados dessa diversidade não aparecem apenas nos números da economia. Eles também podem ser vistos na vida das pessoas.

— A gente está conseguindo transformar um plástico em uma prótese que vai mudar totalmente a trajetória e a vida de um paciente. E isso pra gente não tem nem como descrever em palavras, porque é muito emocionante, é muito gratificante. O retorno que isso traz pra gente — resume Andressa Ostreich.

E para Carlito, esse impacto tem um significado bastante concreto:

— Meu plano é voltar a trabalhar. Fiz a perna e estou muito feliz. Muito feliz mesmo.

Das próteses aos brinquedos

Há mais de duas décadas, a GGB Brinquedos abastece mercados em todo o Brasil e em países da América do Sul. 

— Hoje a gente tem brinquedos para crianças, mas também para adultos. Quebra-cabeças de 500, mil ou 2 mil peças têm um público que muitas vezes é colecionador — explica a diretora Iracilda Boff.

Segundo o diretor de produtos Giovani Boff, a empresa acompanha temas que ganharam espaço nos últimos anos:

— A gente traz psicólogas, psiquiatras e especialistas para ajudar no desenvolvimento e orientar qual caminho seguir com os produtos.

Apesar dos desafios, ele resume a experiência de trabalhar no setor de forma simples:

— É bem divertido, bem cansativo, mas é muito recompensador. A gente recebe retorno de pais e profissionais sobre como os produtos ajudam as crianças.

SAIBA MAIS:

GZH

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https://www.mobicaxias.com.br/noticias/dna-de-caxias-como-a-rede-de-conexoes-ajuda-a-explicar-a-forca-economica-do-municipio

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