Corsan investe em obras de saneamento entre a Região Metropolitana de Porto Alegre e o Litoral

Corsan investe em obras de saneamento entre a Região Metropolitana de Porto Alegre e o LitoralCorsan/Divulgação/JC

Eduardo Torres

Eduardo Torres

A Aegea Corsan projeta desembolsar R$ 1,6 bilhão em investimentos no Rio Grande do Sul até o final de 2026. No primeiro semestre, foram investidos R$ 832,04 milhões, conforme o demonstrativo de resultados da companhia. De acordo com a diretora-presidente da empresa, Samanta Takimi, em três anos, desde o início dos aportes privados no saneamento, serão quase R$ 6 bilhões já aportados.

Entre as ações do primeiro semestre, estão 425 quilômetros em novas redes de coleta de esgoto e 32,7 mil novas ligações em todo o Estado. A meta, conforme o Marco Legal do Saneamento, é garantir a universalização da coleta e tratamento de esgoto, chegando a 90% de atendimento entre os municípios com operação da Aegea Corsan.

“Em três anos, entre julho de 2023 e julho de 2026, já avançamos de 19% para 30% de esgoto atendido. O marco legal impõe uma evolução muito mais acelerada do que era possível até então, com o capital público. Por exemplo, em 2023, a Corsan executou 40 quilômetros de redes. É o que fazemos em 15 dias agora. E isso, é claro, gera incômodos momentâneos para a população com as obras. Por isso, temos atuado para tornar cada vez mais breve esses trabalhos, com menor impacto possível à vida das pessoas“, comenta a dirigente.

A perspectiva é de que nesses últimos meses do ano a cobertura avance mais um ponto percentual, chegando a 31% de cobertura, ou algo em torno de mais 80 mil pessoas atendidas, equivalente à população de Ijuí.

Fábrica de tubos

Abreviar os incômodos no avanço da rede foi o objetivo, segundo ela, para tornar concreto o investimento de R$ 14 milhões no Parque de Infraestrutura e Inovação, inaugurado este ano em Esteio. Ali, a empresa passa a produzir tubos para as redes, asfalto para recomposição rápida em locais de obras, aliada ao laboratório de estudo de solos, além da produção própria de sulfato de alumínio, que é uma substância usada no tratamento da água.

“A criação do novo parque é uma novidade, única entre as operações da Aegea no Brasil, criada para dar conta de toda a nossa operação no Rio Grande do Sul e não dependemos de fornecedores, que muitas vezes não conseguem atender à demanda na velocidade que precisamos”, explica.

A cada mês, a nova fábrica tem capacidade de produzir 200 quilômetros de tubos. 

Neste ano, o saneamento foi universalizado em Aceguá, na Fronteira Oeste, e em Pedras Altas, na Região Sul. Em Esteio, na Região Metropolitana, a cobertura de esgoto já chegou a 100%. Em Barra do Quaraí, o uso de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) móveis garantiu maior agilidade nesse avanço. Samanta destaca ainda importantes ampliações das redes em cidades como Passo Fundo e Gramado.

Além dos três municípios que já chegaram ao índice de cobertura exigido para 2033, Cachoeirinha (87,5%), Torres (87,5%), Quaraí (81,9%) e Santa Maria (81,7%) estão bem próximos de atingir a meta.

“No Litoral Norte, a nossa atuação foi decisiva para destravar importantes iniciativas em um dos principais polos de desenvolvimento do Rio Grande do Sul. O saneamento era uma questão histórica que impedia novos empreendimentos na região”, conta a diretora-presidente da Aegea Corsan.

Somente neste ano, a região receberá R$ 128,6 milhões em investimentos. Já foram aportados R$ 300 milhões em ampliação de rede e novas estruturas de tratamento de esgoto na região desde os anos anteriores..

Claro que a Região Metropolitana, onde uma PPP deu início aos investimentos em saneamento antes da privatização em todo o Estado, por concentrar a maior população gaúcha, também é ponto de direcionamento de boa parte dos aportes atuais da Aegea Corsan. Somente neste ano, a empresa investe R$ 233,8 milhões nesta área.

Algo que também gera um efeito colateral. Há questionamentos em diversos municípios, como Gravataí, onde uma CPI foi instaurada na Câmara de Vereadores, e Cachoeirinha, onde o Executivo acionou a empresa com questionamentos em relação à execução de obras e os impactos nas cidades.

“Considero normais e democráticos os questionamentos, e temos respondido com absoluta transparência. É um trabalho que também temos feito na aproximação com as comunidades, para mostrar que os incômodos são temporários e que a melhoria da qualidade de vida só será possível a partir dessas obras”, comenta a dirigente.

Atenção ao abastecimento

Mas não é só com a ampliação de rede e tratamento de esgoto que os esforços em investimentos da empresa estão concentrados. A partir das mudanças climáticas cada vez mais rigorosas, e com o El Niño chegando com força no Rio Grande do Sul, há adaptações na infraestrutura dedicada ao abastecimento de água.

“É uma situação que requer atenção e resiliência. Boa parte das estruturas que operamos eram boas para determinadas situações, mas com alterações em níveis de rios e cotas de inundação, por exemplo, precisamos fazer adaptações para seguir abastecendo as cidades com segurança. Passamos a aplicar uma métrica diferenciada, com um plano de resiliência”, aponta a diretora-presidente.

Os aportes incluem perfurações de novos poços, alteração de pontos de captação, mudanças de nível de captação de água, garantia de geradores reservas e criação de redes reservas para situações críticas.

“O resultado tem sido a redução no nosso tempo de resposta a cada situação crítica. O plano de resiliência garante mapas com os pontos vitais de cada município para que tenhamos, por exemplo, caminhões-pipa próximos a hospitais e outras estruturas prioritárias em tempo mínimo”, conta Samanta Takimi.

Ficha técnica

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https://www.jornaldocomercio.com/especiais/anuario-de-investimentos/2026/08/1260668-aegea-corsan-projeta-investir-rs-16-bilhao-no-rs-ate-o-fim-de-2026.html

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