Este livro nasceu de anos de estudos, descobertas, discordâncias, de perguntas que me fizeram e que nem sempre soube responder de imediato e, sobretudo, do processo de criação do Laboratório de Inovação e Inteligência Pública Estratégica do Estado do Rio de Janeiro (LIIPE/RJ) que, sobre uma ideia brilhante do amigo delegado Glaucio Santos, tive a honra de desenhar a estruturação e cada etapa da criação até o planejamento estratégico e a metodologia de cocriação de dados via hélice quádrupla.
Meu amigo, colega de trabalho e grande especialista Walkir Brito desenvolveu o passo a passo da aplicação da metodologia de captura e tratamento de dados. Outros livros surgirão dos trabalhos do LIIPE/RJ (serão no mínimo 10, um para cada eixo principal de atuação).
O livro examina os sistemas complexos interdependentes que sustentam a vida econômica, social e institucional, com destaque para o Estado do Rio de Janeiro. A partir de diagnósticos setoriais e análises de vulnerabilidades, revela como dependências, pontos únicos de falha e efeitos em cascata podem transformar uma falha localizada em uma crise sistêmica.
Ao apresentar estratégias de proteção, recuperação, contingência e investimento, proponho uma mudança de visão e paradigma: da proteção de ativos isolados para a construção de um sistema complexo devidamente integrado a partir de sua interdependência para um corpo de infraestruturas resilientes, capazes de sustentar o presente e proteger o futuro.
Da vulnerabilidade sistêmica aos eventos climáticos ao risco de isolamento do estado, apresento como falhas raramente permanecem isoladas em sistemas interdependentes e proponho um plano de proteção, recuperação rápida e um roteiro de investimentos em resiliência adaptativa.
Para escrever esse livro parti de uma pergunta que me acompanha há décadas, desde meu mestrado em Análise de Projetos Industriais e Tecnológicos na COPPE/UFRJ: estamos perdendo o controle sobre nossas infraestruturas críticas? Para responder parti de um conceito técnico preciso: infraestrutura crítica é aquilo cuja falha compromete a segurança, a economia e a vida coletiva, avaliada por essencialidade, interdependência, substituibilidade, tempo de recuperação e abrangência do impacto.
A resposta que encontrei: o problema não é falta de diagnóstico técnico, mas de investimentos em ação preventiva sustentada.
