Pesquisa com profissionais revela demanda por informação e tecnologia para atender às novas exigências da ANTT e evitar bloqueios de viagens
As mudanças nas regras do transporte rodoviário de cargas já transformam a rotina das empresas do setor. Pesquisa realizada pela Edenred Mobilidade, maior ecossistema de dados de mobilidade da América Latina e representada no Brasil pelas marcas Ticket Log, Repom, PagBem e Taggy, mostra que 49% dos profissionais entrevistados apontam a necessidade de adequar processos e capacitar equipes como o principal impacto das novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), registro numérico gerado para todas as operações de frete por meio de uma Instituição de Pagamento Eletrônico de Frete (IPEF), o que formaliza o contrato de frete rodoviário e regulamenta o pagamento eletrônico do serviço.
O levantamento, que ouviu 261 participantes de 214 empresas, indica que a adaptação operacional é apenas um dos desafios trazidos pelo novo cenário regulatório. Entre os principais efeitos com as mudanças, cerca de 17% dos respondentes destacam a busca por maior conformidade com a legislação, enquanto 11% relatam impactos financeiros diretos. A necessidade de investir em tecnologia foi mencionada por 9%, ao passo que 6% afirmam não ter percebido modificações relevantes e 7% ainda avaliam os efeitos da nova regulamentação.
As alterações decorrem da Medida Provisória nº 1.343/2026, que foi aprovada pelo Congresso Nacional em julho de 2026, Projeto de Lei de Conversão PLV 6/2026 e sancionada; além das Resoluções ANTT nº 6.077 e 6.078/2026. As legislações ampliaram o rigor da fiscalização e passaram a exigir a validação do CIOT antes do início da viagem. Na prática, inconformidades podem impedir a liberação do transporte já na origem, alterando significativamente a dinâmica operacional de transportadoras, embarcadores e motoristas autônomos. O piso mínimo de frete existe desde 2018 e a MP reforça sua efetividade ao ampliar a fiscalização e prever sanções para ofertas, anúncios, intermediações e contratações realizadas abaixo do valor mínimo, inclusive em plataformas digitais. A medida também reforça o papel da ANTT na fiscalização e estabelece penalidades mais rigorosas, como multas elevadas e até a suspensão do RNTRC para infratores.
Paralelamente, a ampliação da obrigatoriedade do CIOT para praticamente todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas acelerou a formalização do setor. Dados do ILOS mostram que as emissões do CIOT cresceram de 1,6 milhão em janeiro para 4,6 milhões em junho de 2026, quase triplicando no período. Diante desse novo cenário, marcado também pela vinculação obrigatória do CIOT ao MDF-e, transportadores e embarcadores demandam maior suporte para garantir uma transição segura e em conformidade com as novas exigências regulatórias.
Nesse contexto de maior rigor e de vinculação obrigatória do CIOT ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), o setor sinaliza a necessidade de maior suporte para garantir uma transição segura. Entre os entrevistados pela Edenred Mobilidade, 59% apontam o acesso a informações claras como o fator mais importante para a adequação às novas regras. Já 26% destacam a importância da automação de processos por meio de soluções tecnológicas. Outros 8% mencionam a disponibilidade de equipes dedicadas à implementação das mudanças, 3% citam a necessidade de orçamento específico e 4% indicam outros fatores.
A preocupação não está apenas na pesquisa. Os desafios operacionais da nova sistemática já tiveram reflexos práticos. Em Teresina (PI), cerca de 200 caminhoneiros autônomos chegaram a permanecer por até 20 dias no Distrito Industrial Sul aguardando a liberação de cargas. O episódio ocorreu após dificuldades enfrentadas por plataformas de emissão de CIOT diante do elevado volume de solicitações registrado logo após a entrada em vigor das novas regras, em maio.
O caso evidenciou a importância de sistemas preparados para operar em larga escala e capazes de garantir continuidade mesmo em cenários de alta demanda. Embora a ANTT disponha de mecanismos de contingência para evitar paralisações, especialistas alertam que a eficiência da operação depende da integração adequada entre plataformas e órgãos reguladores.
Para Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócio na Edenred Mobilidade, o momento exige uma combinação de preparo operacional, conhecimento regulatório e transformação digital.
“O episódio registrado no Piauí, em que caminhoneiros ficaram parados por até 20 dias por atraso na emissão do CIOT, é um exemplo de como a adaptação às novas regras vai muito além do cumprimento de uma obrigação legal. A pesquisa revela que o mercado entende a importância da mudança, mas também busca mais informação e ferramentas capazes de garantir continuidade operacional. Nós apoiamos nossos clientes exatamente nesse processo, pois, com fiscalização atuando antes da viagem começar, qualquer inconsistência pode gerar atrasos, retenções e impactos em toda a cadeia logística”, afirma Fernandes.
Além da fiscalização preventiva, as exigências foram ampliadas para operações de subcontratação entre empresas, e o CIOT passou a ser obrigatoriamente vinculado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). Também foram reforçados os controles sobre os Transportadores Autônomos de Cargas (TACs), incluindo restrições para emissão simultânea de códigos em determinadas modalidades de contratação.
Segundo o executivo, a tendência é que a digitalização assuma um papel ainda mais estratégico nos próximos meses. “As empresas estão percebendo que a automação de processos deixou de ser uma iniciativa focada exclusivamente em eficiência. Hoje, a tecnologia é um elemento essencial para garantir conformidade regulatória, reduzir riscos operacionais e assegurar a continuidade das operações em um ambiente cada vez mais complexo e exigente. Nesse contexto, a adoção de soluções capazes de manter as empresas de forma adequada tende a ganhar ainda mais relevância, assim como as Instituições de Pagamento Eletrônico de Frete (IPEF), como é nosso caso”, conclui.
| Qual é o principal efeito que a sua empresa já percebeu com as mudanças anunciadas no CIOT? | |
| Adaptação da operação/equipe. | 49% |
| Impacto financeiro. | 11% |
| Mais conformidade regulatória. | 17% |
| Não sei | 7% |
| Necessidade de tecnologia. | 9% |
| Sem mudança relevante | 6% |
| Na sua opinião, qual é o aspecto mais importante para uma boa transição às novas regras? | |
| Disponibilidade de pessoal (equipe) para trabalhar na adaptação. | 8% |
| Divulgação de informações claras. | 59% |
| Orçamento para implementar novos processos. | 3% |
| Outro | 4% |
| Tecnologia para automatizar processos. | 26% |
Agatha Valentin
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