A concentração da demanda em armazenagem e logística está relacionada ao aumento da necessidade de movimentação de mercadorias em centros de distribuição

A concentração da demanda em armazenagem e logística está relacionada ao aumento da necessidade de movimentação de mercadorias em centros de distribuiçãoTria Empilhadeiras/Divulgação/JC

Agências

mercado de locação de empilhadeiras no Brasil ganha espaço em operações que buscam maior flexibilidade na gestão de frota, ao mesmo tempo que desejam previsibilidade de custos e disponibilidade de equipamentos. Segundo levantamento da consultoria Mordor Intelligence, armazenagem e logística responderam por 65,75% do mercado brasileiro de aluguel de empilhadeiras em 2024, com projeção de crescimento anual de 12,32% até 2030. O avanço é impulsionado, entre outros fatores, pela expansão do comércio eletrônico, pelo crescimento da infraestrutura logística e pela necessidade de movimentação de cargas em diferentes cadeias produtivas.

A concentração da demanda em armazenagem e logística está relacionada ao aumento da necessidade de movimentação de mercadorias em centros de distribuição, operações de transporte e estruturas voltadas ao atendimento do comércio eletrônico. Nesse contexto, a locação permite às empresas dimensionar a frota de acordo com a demanda e evitar a imobilização de capital em equipamentos que podem ter diferentes níveis de utilização ao longo do ano.

Outros segmentos também utilizam a locação de empilhadeiras em suas operações. A indústria, por exemplo, emprega os equipamentos na movimentação interna de materiais e no abastecimento de linhas de produção, enquanto setores como alimentos e bebidas dependem da movimentação de cargas em diferentes etapas da cadeia. O agronegócio também aparece entre os fatores que impulsionam a demanda, especialmente pela necessidade de movimentação de produtos e insumos em períodos de safra e nos corredores de exportação. Já construção e infraestrutura recorrem à locação para atender necessidades específicas de projetos e obras.

Geograficamente, São Paulo concentra a maior fatia do mercado brasileiro de aluguel de empilhadeiras, de acordo com a Mordor Intelligence. A liderança está relacionada à forte concentração de atividades industriais e logísticas no estado, bem como à infraestrutura de armazenagem e à proximidade com o Porto de Santos. O estudo também destaca o corredor industrial de São Paulo como um dos principais polos de demanda do país. A consultoria projeta que o mercado brasileiro de aluguel de empilhadeiras passe de US$ 1,73 bilhão em 2025 para US$ 3,07 bilhões em 2030, crescimento médio anual de 12,18%.

Segundo Humberto Mello, diretor da Tria Empilhadeiras, marca de equipamentos para manuseio e transporte de cargas e baterias de lítio, esse cenário reforça uma mudança de mentalidade entre as empresas brasileiras: “O que estamos vendo é uma migração clara da posse para o uso. Setores como logística, indústria e agronegócio entenderam que ter disponibilidade de frota e previsibilidade de custo vale mais do que imobilizar capital comprando equipamento. Isso muda a forma como as empresas planejam suas operações“.

A transição para equipamentos elétricos também aparece como uma das frentes mais aquecidas do setor. Segundo a Mordor Intelligence, as empilhadeiras elétricas apresentam o maior ritmo de crescimento entre as fontes de energia analisadas, com CAGR projetado de 13,78% até 2030. O avanço está relacionado, entre outros fatores, à demanda por equipamentos para operações internas e à necessidade de reduzir emissões e melhorar as condições de qualidade do ar em determinados ambientes. Apesar do crescimento, os modelos de combustão interna ainda representavam 63,87% do mercado brasileiro em 2024.

Para Humberto, a evolução da tecnologia elétrica acompanha uma mudança mais ampla na forma como as empresas avaliam seus equipamentos. “A escolha da fonte de energia deixou de ser uma decisão exclusivamente operacional. As empresas passaram a considerar também aspectos como ambiente de utilização, intensidade da operação, manutenção, consumo e objetivos de eficiência. A expansão das empilhadeiras elétricas mostra que existe espaço para soluções diferentes de acordo com a necessidade de cada operação”, afirma o diretor.

O momento macroeconômico também ajuda a explicar por que a locação ganha espaço nas estratégias de frota. Com o custo de financiamento pressionado pela taxa Selic, a aquisição de equipamentos pode representar um desembolso maior para as empresas, enquanto a locação permite distribuir os custos ao longo do período de utilização. Com isso, as organizações podem combinar equipamentos próprios e alugados de acordo com a demanda, a sazonalidade da operação e a necessidade de preservar capital de giro.

“A locação não precisa ser vista como uma alternativa à compra em todos os casos. As duas modalidades podem coexistir dentro de uma mesma operação. O ponto é entender qual modelo faz mais sentido para cada equipamento, considerando utilização, horizonte do projeto, necessidade de expansão e disponibilidade de capital. Quando essa análise é feita de forma estratégica, a empresa consegue ganhar flexibilidade sem comprometer a continuidade da operação“, finaliza Humberto Mello.

https://www.jornaldocomercio.com/cadernos/jc-logistica/2026/08/1261412-logistica-concentra-dois-tercos-do-mercado-brasileiro-de-aluguel-de-empilhadeiras.html

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