Painel CNT do Transporte Metroferroviário mostra que a rede chegou a 1.144,8 km e 647 estações em 2025, reforçando o potencial de expansão da infraestrutura

Por Agência CNT Transporte Atual
27/08/202611h55

O Brasil tem oportunidade de ampliar a oferta de transporte sobre trilhos e avançar na mobilidade urbana a partir de investimentos de longo prazo, planejamento e maior integração dos sistemas. A avaliação foi apresentada pelo diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, durante a abertura do Conexão ANPTrilhos 2026, realizado pela ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos) nesta quarta-feira (26), em Brasília.

A CNT participou do encontro, que reuniu representantes do governo, do setor privado e especialistas para discutir o futuro do transporte de passageiros sobre trilhos. Também estiveram presentes a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, e o diretor adjunto do SEST SENAT, Vinicius Ladeira. 

Em sua participação, Valter Souza apontou a necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura e de criar condições para que o setor privado participe da expansão do transporte, e destacou que a segurança jurídica também é fundamental para estimular a participação empresarial. “Investimento em infraestrutura é um investimento de Estado. Precisamos de segurança jurídica para que o setor empresarial e o setor privado coloquem recursos no sistema de transporte e tenham segurança de que esses investimentos terão continuidade”, afirmou.

A discussão ocorre em um momento de expansão da infraestrutura metroferroviária brasileira. Lançado na segunda-feira (24), o Painel CNT do Transporte Metroferroviário mostra que a rede alcançou 1.144,8 quilômetros em 2025, crescimento de 0,7% em relação ao ano anterior. O país passou a contar com 49 linhas e 647 estações, número 2,2% superior ao registrado em 2024. O levantamento também mostra que o transporte sobre trilhos transportou 2,59 bilhões de passageiros em 2025, em uma trajetória de recuperação da demanda. Apesar do avanço, o resultado ainda está abaixo do recorde de 3,23 bilhões de passageiros registrado em 2019. 

Para a CNT, a continuidade dos investimentos e a criação de um ambiente de segurança jurídica são fundamentais para transformar projetos e planejamentos de longo prazo em infraestrutura efetivamente disponível para a população. Durante sua fala, Valter Souza também destacou a importância do novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano (Lei nº 15.432/2026), sancionado em junho, como instrumento para estabelecer diretrizes e regras para o setor. “O marco dá as diretrizes para que a gente tenha um programa de transporte público coletivo com as regras bem definidas”, disse.

Valter Souza também mencionou sobre a importância das discussões durante o período eleitoral para colocar a infraestrutura entre as prioridades dos próximos governos. Segundo ele, a CNT já apresentou aos candidatos o documento O Transporte Move o Brasil, com propostas e pleitos do setor. “Temos planejamento para todos os lugares, agora é uma questão de fazer o planejamento ser cumprido”, afirmou. 

A necessidade de ampliar a oferta e tornar o transporte coletivo mais atrativo também aparece na Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana, citada durante o evento pela diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, na abertura do evento. O levantamento mostra que a participação do transporte coletivo nos deslocamentos caiu de 49,8% em 2017 para 31,7% em 2024, enquanto o transporte individual chegou a 68,3%.

Mais do que identificar a mudança no padrão de deslocamentos, a pesquisa aponta caminhos para tornar o transporte público mais atrativo. Entre os passageiros que poderiam voltar a utilizar o transporte coletivo, os principais fatores apontados são menor tarifa, mais conforto e maior rapidez nas viagens. “A pesquisa mostra que já temos um diagnóstico e o caminho a seguir: menor tarifa, mais conforto e mais rapidez. Precisamos pensar agora no que será feito de diferente para mudar esse cenário e trazer cada vez mais passageiros de volta para o transporte coletivo”, declarou Ana Patrizia.

Investimentos e integração

A ampliação do transporte sobre trilhos também foi destacada pelo ministro das Cidades, Vladimir Lima. Ele ressaltou a necessidade de ampliar a participação do transporte público coletivo e integrar os diferentes sistemas. “A gente sabe que o investimento não vai ser feito pelo poder público sozinho. Ele precisa também das parcerias público-privadas para que isso possa avançar cada vez mais”, afirmou. Segundo o ministro, desde 2023, o Ministério das Cidades vem destinando recursos para a expansão do transporte público coletivo. No caso dos trilhos, mais de R$ 17 bilhões foram investidos em infraestrutura, metrôs e material rodante.

A agenda de expansão do transporte sobre trilhos também se relaciona ao Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades. O levantamento identificou necessidades de investimento de R$ 430 bilhões nas 21 maiores regiões metropolitanas brasileiras. O levantamento reforça o espaço para ampliar e modernizar a infraestrutura de mobilidade urbana e a importância de garantir investimentos de longo prazo para transformar os projetos previstos em novas alternativas de transporte para a população.

Segurança jurídica para destravar investimentos

A segurança jurídica foi tema de um painel moderado pela diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, que reuniu representantes do poder público, da iniciativa privada e da área jurídica. A discussão esteve alinhada às propostas apresentadas pela CNT aos candidatos à Presidência da República, que incluem planejamento, financiamento e segurança jurídica como condições para o desenvolvimento da infraestrutura de transporte nos próximos quatro anos.

Fernanda Rezende destacou que a previsibilidade jurídica é condição para viabilizar os investimentos necessários ao setor. Segundo ela, a necessidade de recursos estimada pela CNT chega a R$ 2,03 trilhões para o transporte brasileiro, sendo cerca de R$ 410 bilhões destinados ao transporte metroferroviário, para ampliar a infraestrutura sobre trilhos e realizar a manutenção da rede existente. “Não existe investimento se a gente não tem segurança jurídica. Precisamos nos fortalecer e conectar a iniciativa privada com o poder público para conseguir destravar esses investimentos, mas, antes disso, precisamos desta segurança jurídica”, afirmou.

Leia mais:

Transporte metroferroviário ultrapassa 2,5 bilhões de passageiros e amplia rede em 2025.

https://www.cnt.org.br/agencia-cnt/brasil-tem-oportunidade-de-ampliar-transporte-sobre-trilhos-com-investimentos-de-longo-prazo

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