Pela primeira vez, feira contará com a neutralização de emissões para reduzir impacto ambiental

Correio do Povo

A compensação das emissões ocorre por meio da aquisição de créditos de carbono

A compensação das emissões ocorre por meio da aquisição de créditos de carbonoFoto : Fabiano do Amaral

Pela primeira vez, a Expointer contará com a neutralização das emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas pelas atividades da feira. Na prática, o impacto ambiental das macroemissões da 49ª edição será calculado pela “pegada de carbono”, e compensado por meio de créditos de carbono certificados pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de reduzir impactos ambientais.

A medida irá envolver todo o período da feira, e vai considerar o impacto das maiores atividades, como o consumo de energia elétrica e água, geração de resíduos e transporte. A ação será executada pela Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR), selecionada por meio de edital de chamamento público lançado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema). O contrato é de dois anos.

Entenda o que é o crédito de carbono, quanto ele vale e como ocorre essa compensação:

O que é o crédito de carbono?

A compensação das emissões ocorre por meio da aquisição de créditos de carbono, certificados internacionalmente. Eles funcionam como uma espécie de “saldo ambiental”. Cada crédito representa uma quantidade de gases que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera. Isso é compensado por meio de realização de projetos, como produção de energia limpa, tratamento de resíduos e preservação de áreas naturais. Esse equilíbrio entre o que é emitido e o que é compensado caracteriza a condição de “carbono neutro”.

“Tem processos produtivos em que se consegue capturar gases de efeito estufa, como o gás metano. Quando a gente capturar e destrói o metano, transformando em gás carbônico, ou para geração de energia limpa, ou consumir esse biometano transformando em gás comercial, a gente gera créditos de carbono. Quer dizer, a gente deixa de emitir para a atmosfera, e dá um uso para esses créditos”, explica Leomyr Girondi, diretor-presidente da CRVR.

Empresas podem vender esse crédito para outras que não conseguem compensar as emissões nos seus processos produtivos. No caso da Expointer, os créditos para compensar as emissões estarão sendo doados pela empresa selecionada.

Emissão será contabilizada no consumo de energia, de água, de geração de resíduos e de consumo de combustíveis dos veículos

 Emissão será contabilizada no consumo de energia, de água, de geração de resíduos e de consumo de combustíveis dos veículos | Foto: Camila Cunha

Como o carbono será compensado?

O passo inicial é levantar quanto a feira emite. Será realizado um inventário das principais atividades que geram emissões ao longo do evento. Ao final, o cálculo mostrará a chamada “pegada de carbono”, ou seja, o quanto o evento contribuiu para a emissão de gases.

Na Expointer, os gases estavam sendo emitidos antes mesmo do início da feira, já na montagem das estruturas. Ao longo de todo o evento, a emissão será contabilizada no consumo de energia, de água, de geração de resíduos e de consumo de combustíveis dos veículos. Após o término, toda a emissão emitida na desmontagem das estruturas também serão contabilizadas no inventário, e deverão ser compensadas.

Durante o evento, também estão disponíveis QR Codes, totens e ferramentas que permitem aos visitantes calcularem e neutralizarem sua própria pegada de carbono. A partir desses dados, será possível calcular a contribuição individual para a emissão de gases de efeito estufa.

A empresa deverá ter ideia do quanto será emitido apenas após o término da desmontagem de toda a estrutura, mas a estimativa é de que seja em torno de mil a 1.500 toneladas de CO2.

Quanto vale a tonelada de carbono?

Mas, afinal, quanto isso realmente vale? Na prática, um carro que roda 400 litros de combustível está rodando o equivalente a uma tonelada de carbono (mil quilos de CO2) que precisa ser compensada.

Quanto ao impacto na natureza, são necessárias sete a oito árvores, ao longo de 20 anos de crescimento, para fazer a compensação de apenas uma tonelada. “Se a gente deixar só para a natureza fazer, do jeito que está o crescimento da urbanização e da globalização, não vai conseguir fechar a conta”, destacou a engenheira Laura Pompeu de Toledo Viveiros, coordenadora de legalidades da CRVR.

Para o secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio de Andrade Madalena, o momento de realizar a compensação de carbono é oportuno para o evento. “Nada mais justo que fazer na maior exposição agropecuária a céu aberto da América Latina uma edição carbono neutro. Porque não fica apenas na narrativa o que defendemos e trabalhamos em relação à produção do setor primário. Nós temos condições de levar isso para a nossa maior vitrine, que é a Expointer. Já nos deixa o compromisso de realizar a 50ª edição carbono neutro novamente.”

Carbono neutro na Expointer 2026

 Carbono neutro na Expointer 2026 | Foto: Fabiano do Amaral

Carbono neutro em outros eventos no RS

O modelo poderá ser aplicado a outros grandes eventos pelo Rio Grande do Sul. Inclusive, foi realizado na Fenasoja, que ocorreu em maio, em Santa Rosa. A Secretária de Meio Ambiente e Infraestrutura, Isa Carla Osterkamp, destacou que a ideia é que seja implementado em outros eventos, e não apenas voltados ao agronegócio. Esse processo poderia ser realizado, até mesmo, em eventos como o South Summit. “A gente pode, sim, fazer uma uma replicação do edital e prolongar o prazo, para que corra no ano dos outros anos seguintes”, projetou a secretária.

“Temos muitas feiras ainda até o final do ano, principalmente em municípios. Nenhuma específica do Governo do Estado, mas a gente pode entrar como parceiros. A agricultura familiar é sempre parceira e, através da Secretaria de Desenvolvimento Rural, poderemos ter parcerias em outros eventos para tentar fazer essa creditação. Esse é o caminho”.

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/rural/expointer/carbono-neutro-como-serao-compensadas-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-gerados-pela-expointer-1.1743784#goog_rewarded

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