O crescimento do comércio eletrônico brasileiro começa a mudar a forma como grandes empresas enxergam as periferias e favelas, que deixaram de ser apenas territórios com desafios operacionais e passaram a representar uma oportunidade relevante de expansão para o varejo digital. Em 2025, o e-commerce brasileiro movimentou R$ 235,5 bilhões, registrou 438,9 milhões de pedidos e alcançou 94,2 milhões de compradores online, enquanto uma pesquisa nacional Data Favela/CUFA mostra que 60% dos moradores de favelas já fazem compras pela internet. Apesar desse avanço, 60% relatam atrasos nas encomendas e 20% enfrentam problemas relacionados ao endereçamento, evidenciando que o acesso ao consumo digital ainda depende da capacidade de adaptar a logística às características desses territórios.
Para Sanderson Pajeú, CEO e fundador da naPorta, primeira logtech brasileira especializada em operações em locais complexos, a expansão do e-commerce exige que empresas deixem de tratar as periferias como exceção operacional e passem a incorporá-las às suas estratégias de crescimento. Com cinco anos de atuação, mais de 10 milhões de entregas realizadas e 40% do volume concentrado em áreas de risco, o executivo acompanha de perto os obstáculos que ainda impedem uma parcela significativa dos consumidores de acessar plenamente o comércio digital. “O avanço do e-commerce é irreversível e comprar online já faz parte do cotidiano brasileiro, mas a logística ainda precisa evoluir para atender todas as regiões. Ignorar favelas e periferias significa deixar de atender uma parcela fundamental do mercado e, ao mesmo tempo, desperdiçar uma oportunidade econômica relevante”, afirma.
O potencial de consumo ajuda a dimensionar o tamanho dessa oportunidade. O estudo Tracking das Favelas estima em R$ 167 bilhões o potencial de consumo dessas regiões, enquanto dados do IBGE apontam a existência de milhares de comunidades urbanas espalhadas pelo país. Ao mesmo tempo, grandes plataformas vêm ampliando suas estruturas logísticas para acompanhar a expansão do comércio eletrônico. A Shopee já opera com 16 centros de distribuição, mais de 200 hubs e cerca de 3 mil agências, enquanto o Mercado Livre conta com 48 centros de distribuição. O movimento mostra que a disputa pelo consumidor digital também passa pela capacidade de chegar a territórios onde modelos tradicionais de entrega enfrentam restrições de acesso, segurança e endereçamento.
Na avaliação de Pajeú, o desafio não está apenas em ampliar a quantidade de pontos atendidos, mas em adaptar processos, tecnologias e indicadores às particularidades de cada território. A experiência da naPorta inclui operações como a parceria com a Shopee, que alcançou 98,5% de nível de serviço e crescimento de 300%, a atuação com a Venancio em mais de 300 territórios periféricos e projetos de logística reversa para a Stone em regiões anteriormente não atendidas. A empresa também desenvolveu o CEP Digital, solução que já atende 100 comunidades e busca reduzir uma das principais barreiras para a integração desses consumidores ao comércio eletrônico.
A estratégia também produz efeitos que ultrapassam a entrega de uma encomenda. Ao contratar moradores das próprias regiões e estabelecer operações baseadas em conhecimento territorial, modelos especializados de logística podem contribuir para a geração de renda e para o desenvolvimento econômico local, ao mesmo tempo em que reduzem barreiras para empresas que desejam ampliar sua presença no comércio digital. Para os consumidores, a consequência é a possibilidade de acessar uma variedade maior de produtos e serviços sem que o local de moradia determine a qualidade da experiência de compra.
Em uma possível entrevista, Sanderson Pajeú pode detalhar como empresas conseguem estruturar operações em territórios considerados complexos pela logística tradicional, explicar os desafios relacionados à segurança, endereçamento e acesso e apresentar cases de grandes empresas que passaram a atender regiões periféricas com operações especializadas. O executivo também pode abordar o funcionamento do CEP Digital, os impactos econômicos da inclusão logística e a expansão da naPorta para Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná, além dos planos de ampliar nacionalmente esse modelo de operação.
“Quando uma empresa adapta sua logística para entender o território, ela não está apenas resolvendo um problema de entrega. Está criando uma ponte entre consumidores, varejistas e oportunidades econômicas que antes não estavam plenamente conectados. A periferia já faz parte do mercado consumidor brasileiro e o próximo passo é fazer com que a infraestrutura necessária para atendê-la acompanhe esse protagonismo”, afirma Pajeú.
Sobre a naPorta
A naPorta é uma startup de logística especializada em entregas em comunidades urbanas. Com operações no Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, a empresa conecta o e-commerce a territórios de difícil acesso, promovendo inclusão logística, desenvolvimento social e geração de renda nas próprias comunidades.
Visualizar todas as imagens em alta resolução
Gustavo Francisqueti
gustavo.francisqueti@mention.net.br
(11) 5217-0177
