Com o lançamento do PNL 2050, especialista explica por que a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e cabotagem é decisiva para reduzir custos e aumentar a competitividade do país. 

O Brasil perde até R$ 300 bilhões por ano em custos adicionais provocados por gargalos logísticos, segundo estimativas consolidadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Movimento Brasil Competitivo. É justamente para enfrentar desafios como esse que o governo federal lançou oficialmente, em 12 de agosto, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, principal instrumento de planejamento da infraestrutura de transportes para as próximas décadas. O documento estabelece diretrizes para orientar investimentos e ampliar a eficiência e a integração da rede nacional de transportes.

O plano reúne 31 eixos de transporte no cenário-meta, distribuídos entre diferentes modais, e busca ampliar a conexão entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Entre as diretrizes estão a diversificação da matriz de transportes, o fortalecimento da integração entre os modais e a recuperação e manutenção de infraestruturas existentes. O PNL também incorpora critérios socioambientais e climáticos ao planejamento, considerando riscos como enchentes e secas na definição de investimentos.

A necessidade desse planejamento fica ainda mais evidente diante do histórico do setor. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, nas últimas duas décadas, os aportes em transporte e logística no Brasil oscilaram entre 0,4% e 0,7% do PIB por ano, percentual muito inferior aos 2,2% considerados necessários para modernizar a infraestrutura nacional.

Do asfalto ao comando da operação

Jean Carlos Rocha começou como caminhoneiro antes de fundar a ELO Soluções Logísticas Integradas, e é dessa vivência prática que ele analisa o PNL 2050.

“Eu dirigi caminhão anos antes de montar a ELO, então sei exatamente onde a carga trava. É a BR-163 lotada, é o pátio do Porto de Santos parado esperando vaga, é a ferrovia que não chega onde a hidrovia começa. O grande acerto do PNL 2050 é enxergar que gargalo não se resolve consertando um pedaço isolado. Se ligarmos rodovia, ferrovia e porto sem pensar no sincronismo entre eles, o país continuará pagando a conta da ineficiência”, afirma Rocha.

Na prática, essa visão dita a estratégia da própria empresa. “Ninguém ganha competitividade hoje só porque comprou um caminhão novo. O ganho vem da capacidade de planejar a cadeia de ponta a ponta, sabendo a hora exata de tirar a carga da estrada e colocá-la num trem ou numa balsa, combinando tempo e custo”, explica o executivo.

Sustentabilidade integrada ao custo

A diversificação de modais proposta pelo PNL 2050 caminha lado a lado com a incorporação de critérios ambientais e climáticos ao planejamento da infraestrutura. O documento considera a vulnerabilidade dos territórios e os impactos de eventos extremos na definição de prioridades para os próximos anos.

Para Rocha, a sustentabilidade passou a influenciar diretamente as decisões de caixa do setor.

“Uma logística moderna une responsabilidade ambiental e eficiência financeira. A escolha de modais menos poluentes e a redução de desperdícios ao longo da jornada fazem parte de uma estratégia de sobrevivência de mercado”, diz.

Na ELO, essa transição já se reflete nos ativos. A empresa vem ampliando sua atuação em cabotagem e incorporou caminhões movidos a gás natural comprimido (GNC) à sua frota, combinando metas operacionais e de descarbonização.

O tripé para o sucesso do PNL 2050

Para que as diretrizes do plano se transformem em resultados concretos e contribuam para reduzir o chamado “Custo Brasil”, o CEO da ELO aponta três fatores fundamentais:

Sincronismo de infraestrutura: Os investimentos em ferrovias e hidrovias não podem andar sozinhos; precisam estar fisicamente conectados à expansão de portos, terminais e centros de distribuição. A eficiência se perde nos nós da rede se o transbordo for lento.

Resiliência climática: O planejamento precisa prever riscos e cenários operacionais extremos. Eventos como enchentes prolongadas e secas severas já afetam rotas e fretes no dia a dia. Uma infraestrutura preparada para esses cenários garante a previsibilidade que as empresas precisam para operar.

Segurança regulatória: Ambientes jurídicos estáveis e regras claras são fundamentais para atrair o capital privado. “Projetos logísticos demandam planejamento e maturação. A segurança jurídica, a previsibilidade das regras e o diálogo entre poder público e iniciativa privada são fatores essenciais para ampliar investimentos e acelerar a modernização da infraestrutura brasileira. O Brasil tem uma oportunidade de transformar sua logística em uma vantagem competitiva, conectando eficiência, sustentabilidade e capacidade de atender às demandas de uma economia cada vez mais integrada ao mercado internacional”, conclui o executivo.

Sobre a ELO Soluções Logísticas: Sediada em Itajaí, SC, a ELO Soluções Logísticas Integradas atua há 7 anos no mercado com foco de otimizar a cadeia logística de ponta a ponta, coletando com o produtor até a porta do cliente. Com 11 filiais estrategicamente distribuídas pelo Brasil e uma frota com mais de 250 placas, a empresa oferece soluções completas em transporte rodoviário, armazenagem geral e alfandegada e locação de conteineres. Indo além, a empresa deu início neste ano a operação de frete internacional rodoviário para todo o Mercosul e cabotagem, dando soluções ainda mais inovativas para seus clientes.

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Fonte|Jean Carlos Rocha, CEO da ELO Soluções Logísticas| www.eloarmazenagem.com.br

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