Encontro abordou infraestrutura de abastecimento, corredores logísticos e alternativas para ampliar o uso do combustível no setor
Por Agência CNT Transporte Atual
15/09/202617h50

O uso do biometano no transporte pesado e as condições para ampliar a disponibilidade do combustível no país foram tema de reunião entre a diretoria do Sistema Transporte e da Ultragaz, nesta segunda-feira (14), em Brasília. O encontro tratou da infraestrutura de abastecimento, da distribuição do combustível e de possibilidades de cooperação para identificar corredores logísticos com potencial para utilização do biometano.
Durante a reunião, a Ultragaz apresentou projetos de distribuição e abastecimento do combustível, entre eles, o modelo off-grid, que permite transportar o biometano por carretas para regiões não atendidas por gasodutos. Segundo a empresa, cerca de 70% do biometano produzido atualmente e não injetado na rede é distribuído dessa forma.
A companhia também apresentou experiências de abastecimento de frotas pesadas diretamente nas operações de empresas e transportadores, além de projetos para a instalação de pontos em rodovias. A proposta é ampliar a infraestrutura disponível e conectar diferentes corredores logísticos.
Condições para ampliar o uso
O diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, destacou que o avanço do biometano no transporte também depende de regras que ofereçam segurança às empresas interessadas em investir na nova infraestrutura. “A questão da regulação precisa ser acompanhada de perto. As empresas precisam de segurança regulatória para fazer os investimentos, e a CNT pode contribuir trazendo os diferentes atores para a mesma discussão e mostrando que há interesse do transporte em avançar nessa agenda”, afirmou.
Entre os desafios discutidos, estiveram a disponibilidade de pontos de abastecimento, a segurança do fornecimento e a renovação das frotas. A Ultragaz apresentou modelos que combinam estruturas instaladas nas próprias operações dos transportadores com pontos compartilhados em rodovias e centros de distribuição.
A empresa também relatou questões regulatórias relacionadas à implantação dessas estruturas, atualmente em discussão com a ANP. Segundo os representantes da companhia, a ausência de um modelo específico para determinados pontos de abastecimento ainda dificulta a implantação dos projetos e aumenta a insegurança dos investidores.
A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, observou que o diálogo com as empresas permite incorporar às discussões do setor as soluções que já estão sendo desenvolvidas para reduzir as emissões. “Quanto mais conhecemos o que a iniciativa privada está desenvolvendo, mais conseguimos dar voz a essas soluções técnicas. A descarbonização do transporte precisa considerar as diferentes possibilidades que temos no país”, afirmou.
Fernanda lembrou ainda que as características brasileiras permitem trabalhar com diferentes fontes de energia e citou o potencial do biogás e do biometano entre as alternativas para o transporte.
Corredores de abastecimento
Outro ponto abordado foi o mapeamento de corredores logísticos com potencial para receber infraestrutura de abastecimento. O Sistema Transporte poderá contribuir com informações sobre trechos com maior intensidade e regularidade de circulação, auxiliando na identificação de pontos para futuros estudos.
A possibilidade é cruzar os corredores já mapeados pela Ultragaz com informações do setor de transporte e, a partir daí, avaliar os locais mais adequados para a implantação inicial da infraestrutura. A proposta considera começar por operações mais concentradas e ampliar gradualmente as distâncias atendidas.
O diretor nacional adjunto do SEST SENAT, Vinicius Ladeira, situou o biometano entre os temas acompanhados pela Coalizão para a Descarbonização dos Transportes. “A Coalizão está em uma segunda fase, com atuação transversal entre energia, mineração e transporte. O biometano é uma das teses prioritárias e pode contribuir para avançarmos na descarbonização do setor”, afirmou.
Valter Souza apontou a capilaridade do Sistema Transporte como um caminho para aproximar as soluções das empresas e ampliar o conhecimento sobre o biometano entre os transportadores. “A CNT pode ajudar muito, pois reúne as entidades do setor, que são os potenciais clientes dessas soluções. Temos mais de 200 mil empresas no Sistema Transporte. Além disso, realizamos eventos e dispomos de espaços que podem ser utilizados para apresentar e discutir essas alternativas”, pontuou.
Da parte da Confederação, participaram do encontro: o diretor de Relações Institucionais, Valter Souza; a diretora executiva, Fernanda Rezende; a gerente executiva Governamental, Danielle Bernardes; o gerente executivo de Governança e Estratégia, João Guilherme Vogado; e a gerente executiva Ambiental, Erica Marco. Pelo SEST SENAT, participaram o diretor adjunto nacional Vinicius Ladeira e a gerente executiva de Sustentabilidade, Gabriela Rizza.
Pela Ultragaz, participaram: o gerente de Relações Institucionais, Gustavo da Silva; o coordenador de Regulação e Relações Institucionais, André Pressendo Mendes (on line); o sócio-diretor Guilherme Zapponi; e o consultor de Negócios, Lucas Vergara (on line).
