
Glenda Passuello, gerente executiva do Instituto JustiçaASCOM IJ/Divulgação/JC

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Glenda Passuello
A emergência climática já faz parte da vida das cidades. Eventos extremos afetam moradia, saúde, infraestrutura, renda e acesso a direitos. Seus impactos, porém, não são iguais. Eles recaem com mais força sobre quem vive em áreas vulneráveis, dispõe de poucos recursos ou depende dos serviços públicos. Por isso, agir sobre o clima é também enfrentar desigualdades.
A primeira mudança necessária é deixar de concentrar esforços apenas na resposta aos desastres. A mobilização emergencial salva vidas, mas não substitui prevenção, redução de riscos e preparação. É preciso identificar vulnerabilidades, definir prioridades e direcionar recursos para proteger, antes de tudo, as populações mais expostas.
A agenda climática também deve contemplar as políticas de habitação, saúde, educação, desenvolvimento urbano, segurança alimentar e infraestrutura. Problemas interligados não podem ser tratados por órgãos e instituições que atuam de forma isolada. Cada decisão pública deve considerar não só os riscos climáticos, mas também seus efeitos sociais.
Outra ação decisiva é criar uma governança permanente. Poder público, ciência, empresas, organizações sociais e comunidades precisam estabelecer objetivos comuns, responsabilidades claras e formas de coordenar recursos. A cooperação não pode surgir somente durante a crise e desaparecer quando a emergência passa.
Nada disso funcionará sem escuta ativa dos territórios. Moradores e lideranças comunitárias conhecem os riscos cotidianos, as lacunas dos serviços e as respostas que já existem. Sua participação deve influenciar prioridades, decisões e a execução das ações, e não se limitar a consultas formais.
Por fim, é indispensável garantir continuidade e financiamento. Planos climáticos precisam sair do papel, contar com orçamento, metas, acompanhamento e transparência. Sem recursos estáveis e responsabilidades definidas, o conhecimento não se transforma em proteção concreta.
Resiliência não significa reconstruir tudo como era. Significa aprender com as perdas, corrigir vulnerabilidades e preparar cidades e comunidades para riscos crescentes. Diante da emergência climática, compreender o problema não basta. É hora de transformar diagnósticos em decisões e decisões em ação coletiva, contínua e organizada.
Gerente-executiva do Instituto Justiça
https://www.jornaldocomercio.com/opiniao/2026/09/1261105-reagir-ou-prevenir-a-crise-climatica.html
