Operação movimenta cerca de 10 mil toneladas por dia e promove valorização dos resíduos em aterro sanitário bioenergético
Todos os dias, cerca de 10 mil toneladas de resíduos desaparecem das ruas do Rio de Janeiro. Mas elas não chegam instantaneamente ao Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), aterro sanitário operado pela Regenera Rio, em Seropédica. A planta é o destino final de todo o lixo coletado na capital pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). Entre a coleta e a disposição adequada dos resíduos existe uma operação que funciona ininterruptamente, 24 horas por dia, sete dias por semana, combinando logística, engenharia e controle ambiental para garantir que os resíduos percorram esse caminho de forma segura e eficiente.
Responsável por receber os resíduos da capital e de outros seis municípios fluminenses — Seropédica, Itaguaí, Mangaratiba, Piraí, Miguel Pereira e Paty do Alferes —, o CTR-Rio atende mais de 8 milhões de pessoas. Instalado em uma área de 3,7 milhões de metros quadrados e com vida útil projetada até 2070, o empreendimento é uma das maiores operações de gestão de resíduos do país.
A operação começa logo após a coleta. Em vez de seguirem diretamente para Seropédica, os caminhões compactadores da Comlurb descarregam os resíduos em uma das cinco Estações de Transferência de Resíduos (ETRs), localizadas nos bairros de Bangu, Caju, Jacarepaguá, Marechal Hermes e Santa Cruz. Nessas unidades, o lixo é transferido para grandes carretas, com capacidade média entre 28 e 30 toneladas, responsáveis pelo transporte até o CTR-Rio. Desde agosto, essa frota pesada está sendo convertida para o abastecimento com biometano, que é produzido a partir da valorização do biogás, fruto da decomposição dos próprios resíduos aterrados no CTR-Rio.
São aproximadamente 300 viagens por dia entre as ETRs e o aterro sanitário. Ao concentrar o transporte em veículos de maior capacidade, o modelo reduz o número de deslocamentos necessários para movimentar o mesmo volume de resíduos e aumenta a eficiência logística da operação. O impacto também reflete diretamente na logística urbana do Rio de Janeiro.
“Quando o caminhão deixa o bairro, o trabalho está apenas começando. Existe uma operação contínua e robusta para garantir que todo o resíduo coletado na cidade receba a destinação adequada. Logística, infraestrutura, engenharia e monitoramento ambiental fazem parte de um mesmo sistema integrado, planejado para operar com eficiência, segurança e capacidade para atender uma metrópole como o Rio de Janeiro”, afirma Maurício Batista, Diretor Presidente da Regenera Rio.
Destinação final com controle ambiental
Ao chegar ao CTR-Rio, todas as carretas passam pela pesagem antes de seguirem para as áreas operacionais do aterro, onde os resíduos recebem a destinação final. É nessa etapa que entram em funcionamento os sistemas ambientais da unidade: um deles é o de captação do biogás gerado naturalmente pela decomposição da matéria orgânica presente nos resíduos. Atualmente, o CTR-Rio captura cerca de 25 mil Nm³ de biogás por hora por meio de uma rede com mais de 31 mil metros de tubulações. O gás é destinado à produção de biometano, à geração de energia elétrica ou à queima controlada em flares, conforme as necessidades operacionais.
Muito além da destinação final dos resíduos, o CTR-Rio reúne tecnologias voltadas ao gerenciamento ambiental, ao monitoramento contínuo da operação e ao aproveitamento de recursos, fortalecendo a cadeia circular. Um trabalho que começa quando o caminhão deixa as ruas da cidade, mas continua todos os dias para garantir o funcionamento de um dos serviços públicos mais essenciais para a população.
Isadora Aires isadora.aires@fsb.com.br

